O
homem, suas crenças e seu momento histórico criam problemas
e soluções, demandas e ofertas num moto contínuo cada vez
mais veloz. Distanciado do privilégio conferido aos bens,
preconizado pela sociedade industrial, ele valoriza, na
atualidade, as idéias - sua criação, difusão e prática -
que, nesta virada de milênio, estão especialmente voltadas
para os temas da convivência social, a visão de mundo sistêmica,
alardeada desde a ecologia à economia, a colaboração apregoada
desde os mercados comuns às junções empresariais, o exercício
da cidadania reivindicado pelas minorias tanto quanto pela
população em geral, o acesso à Justiça, preocupação de todos.
É nesta pauta, que o espaço para os instrumentos de resolução
alternativa de disputas está reservado com lugar de destaque,
pois que, não só preservam coerência com os temas da atualidade
como viabilizam ampliar o campo de negociações entre pessoas
e povos, exigência natural do mundo globalizado
Recurso
dedicado à genuinidade da autoria, a Mediação trabalha no
sentido de restabelecê-la, fazendo jus à nova visão de mundo
e agregando o valor ético da responsabilidade pela criação,
cumprimento e manutenção das soluções auto-compostas.
Certamente
que os instrumentos de resolução alternativa de disputa
filtrarão o acorrer de casos ao Judiciário, deixando a seu
encargo, cada vez mais, as matérias que dele não possam
prescindir, contribuindo para sua qualidade de atuação,
eficácia e efetividade; mas o benefício maior de seu surgimento
e prática, reside na mudança e no exercício de valores éticos
que outorgam não só a autoria na construção de idéias e
ações como, também, a auto-responsabilidade na retificação
de seus desvios e na construção e execução de suas correções.
No
âmbito das relações familiares, a Mediação utiliza todo
o seu instrumental na escultura de um trabalho que abrange
enorme diversidade de temas. Qualquer possibilidade de desacordo
ou necessidade de negociação que envolva familiares ou afins,
pode valer-se da Mediação, presente nos conflitos entre
pais e adolescentes, passando pelas situações de separação
e divórcio, dependência química, adoção, guarda e pensão,
violação dos direitos fundamentais, infração de menores,
reinclusão de pessoas na comunidade, heranças e, mesmo,
nas empresas de origem e de funcionamento familiar.