A
família, assim como hoje a conhecemos, é um arranjo
social recente e, como todo grupo de convivência continuada
no tempo, é capaz de produzir conflitos ao negociar
suas diferenças de idéias, desejos e propósitos.
Atravessado
em seu ciclo de vida por inúmeros momentos de transição,
o contexto familiar assiste o nascimento, o crescimento
e a saída de casa, de seus filhos, num ciclo ininterrupto
que faz conviver distintas gerações, ampliando geometricamente
a necessidade de negociar dessemelhanças.
Cada
elemento do par inaugural de uma família traz consigo
uma rede de pessoas, mitos e crenças que estarão sendo
articulados entre si. A convivência destas redes de
pertinência propiciada pela união de duas pessoas, mobilizará
uma diversidade imensa de interações, contribuindo ainda
mais para diálogos que incluem múltiplas partes.
Em
virtude de a família conformar uma qualidade de relação
continuada no tempo, seus conflitos devem ser cuidados
com a preocupação de transformação positiva das relações
tanto quanto, ou mais do que, a autocomposição de discordâncias,
o acordo. As relações continuadas - familiares, trabalhistas,
empresariais e comunitárias - merecem especial atenção
no que se refere a sua vigência.
AS
PARTICULARIDADES DA MEDIAÇÃO NOS TEMAS RELACIONADOS
À FAMÍLIA.
Na
família se exercem funções preestabelecidas e acumulam-se
funções escolhidas. Esta rede de interseções tão visivelmente
tensa, carecia de ampliação de seus recursos em situações
de conflito para além da negociação direta, da terapia
e da resolução judicial. Fez-se indispensável poder
acorrer a instrumentos que valorizassem a co-participação,
a co-autoria e o reconhecimento da legitimidade de todos;
instrumentos que contemplassem as mútuas necessidades
e possibilidades para além dos interesses comuns; instrumentos
que atuassem como facilitadores da comunicação e da
negociação, incluindo, como objeto de consideração,
todos os envolvidos nas decisões, mesmo aqueles que
delas não estivessem participando; instrumentos que
auxiliassem as pessoas a considerar os custos e benefícios
de suas escolhas e, se possível, que lhes 'ensinassem'
a manejar e negociar diferenças sem, necessariamente
recorrerem à lide.
A
Mediação trouxe consigo todos estes cuidados, acrescidos
do sigilo e da celeridade e contemplou as famílias e
suas questões com um trabalho atento às particularidades,
o que tornou possível, a todos os envolvidos, mediante
voz ativa no processo, tornarem-se autores das soluções
propostas.