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      O Imposto da Morte: lá e aqui

 

            Por Angela Riore

 

Há poucos dias a mídia veiculou sem grande estardalhaço a seguinte notícia:

" Bush reduz imposto dos ricos americanos".

Duas coisas me chamaram atenção nos dias que se seguiram à veiculação de tal notícia.

1 — Imediatamente vários bilionários americanos como William Gates (o pai do Bill ) da Microsoft, Sam Walther da Wal-Mart, Larry Ellison da Oracle Corp., David Rockfeller, do Chase Manhattan e outros menos votados, foram à televisão e genuinamente mostraram-se contrários à redução do chamado Importo da Morte — Imposto sobre Herança e grandes fortunas — por considerar justo, que tal imposto deva ser pago não só por ajudar a combater à pobreza, como também, ser justo retornar à sociedade parte do que ganharam trabalhando junto a esta mesma sociedade.

Claro que esta atitude dos bilionários americanos, tem, não só as vantagens financeiras — abatimento no Imposto de Renda, como exemplo —, como, fundamentalmente, tem raízes históricas e culturais; sobretudo, razões religiosas. Mas isto é outra história.

2 — No Brasil, a televisão entrevistou uns poucos grandes empresários e ao perguntar-lhes o que achavam da reação dos bilionários americanos, timidamente concordaram ( como não poderia deixar de ser, frente às câmeras ) com a posição daqueles, ressalvando entretanto que, no Brasil, os impostos já eram altos demais e que tudo era uma questão de alíquotas e fetivo retorno dos impostos pagos. Tá Bom! Então ficamos combinados assim.

Mas o que deixou-me estarrecida foi o completo silêncio daqueles que em épocas eleitorais entram em nossas casas sem pedir licença, postergam nossos programas favoritos na TV e, aumentam nossos aborrecimentos nos eternos engafamentos do trânsito. Sim, eles mesmos, nossos representantes políticos, casta maior. Principalmente os ainda ditos de esquerda ( ?). Não ouvimos pronunciamento algum da CNBB, militância profissional como CUT, CGT, MST e outras sopas de letrinhas. Não disseram uma só palavra por estarem de ouvidos moucos quando não lhes interessam falar. Ficaram mortos antes que o Imposto pegasse.

Terá sido porque já está há anos no Congresso um projeto para instituir tal imposto e que como sempre acontece, está sofrendo embargo de gaveta? Ou será porque estão todos satisfeitos com a atual estrutura de impostos em nosso País, onde os únicos que pagam são os assalariados e pequenos empresários, mesmo porque não têm como fugir? O certo é que alguma coisa acontece nesta seara pois, nada justifica o mutismo destas pessoas e instituições sobre tão importante "deixa" que os americanos nos proporcionaram.

A propósito, tentem se lembrar do autor do projeto de lei, cá entre nós.

Angela Riore

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