O
choque foi demolidor para as pessoas que mesmo por poucas
vezes chegaram a ter alguma aproximação profissional com
o empresário. Esses o viam como uma pessoa dinâmica, trabalhadora,
esperançosa, educada, inteligente e simples. Essas pessoas
distantes ficaram visivelmente abatidas, desanimadas,
e desesperançosas. Mesmo aquelas vistas como otimistas
foram contagiadas pela tristeza.
Para
os amigos próximos e parentes, deve ter ficado um sentimento
de vergonha. Não a vergonha de ter conhecido Valdo de
Carvalho Wunder de perto, mas, vergonha de não terem se
dado conta de que ali, bem junto a todos estava um homem
morrendo e todos à volta, indiferentes, fazendo de conta
que não sabiam e por isso não puderam ajudar.
Faziam
de conta que não sabiam porque não estavam preocupados
em ajudar o amigo. Mas não faziam de conta, ao verem que
tanto a mulher quanto as filhas de Valdo viviam do que
não tinham mais e ninguém era capaz de ajudar de alguma
forma. Os amigos comentavam entre sí, sobre a frivolidade
e o consumismo desenfreado de Paulette e das filhas. Mas
somente agora, depois que participaram da agonia e morte
daquela família, abrem a boca para aparecer na imprensa.
Este é o melhor exemplo de como funciona as classes média
e média-alta católica. Jamais entenderam a figura do Próximo.
Aliás, todos os amigos daquela família, teriam feito melhor
do que apenas ir à Missa pelas almas da amiga e das filhas.
A Missa não pode ser celebrada em intenção da alma do
suicida, no caso o empresário Valdo de Carvalho Wunder.
A alma do suicida já está perdida no fogo dos infernos.
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