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   Sem "Sossega-leão"

    Judith Achtzr
    03, Junho/2003

Eu confisco (MP3CharlieBrownJr)
Eu sou a Lei, seu trouxa
Perdeu, passa ahi, maluco!
Sem "Sossega-leão"

Empresário pequeno no Brasil já é doido de nascença. Empresário não pode fingir-se de doido. Às vezes, acontece de perder a sanidade mental de verdade, enlouquece sem direito a "sossega-leão".

A tragédia do empresário e engenheiro Valdo de Carvalho Wunder, de 57 anos que suicidou-se após matar a mulher, Paulette Wonder e as duas filhas do casal, Carolina de 19 ano e Mariana de 14 num condomínio da Barra da Tijuca chocou o Rio de Janeiro.

O choque foi demolidor para as pessoas que mesmo por poucas vezes chegaram a ter alguma aproximação profissional com o empresário. Esses o viam como uma pessoa dinâmica, trabalhadora, esperançosa, educada, inteligente e simples. Essas pessoas distantes ficaram visivelmente abatidas, desanimadas, e desesperançosas. Mesmo aquelas vistas como otimistas foram contagiadas pela tristeza.

Para os amigos próximos e parentes, deve ter ficado um sentimento de vergonha. Não a vergonha de ter conhecido Valdo de Carvalho Wunder de perto, mas, vergonha de não terem se dado conta de que ali, bem junto a todos estava um homem morrendo e todos à volta, indiferentes, fazendo de conta que não sabiam e por isso não puderam ajudar.

Faziam de conta que não sabiam porque não estavam preocupados em ajudar o amigo. Mas não faziam de conta, ao verem que tanto a mulher quanto as filhas de Valdo viviam do que não tinham mais e ninguém era capaz de ajudar de alguma forma. Os amigos comentavam entre sí, sobre a frivolidade e o consumismo desenfreado de Paulette e das filhas. Mas somente agora, depois que participaram da agonia e morte daquela família, abrem a boca para aparecer na imprensa. Este é o melhor exemplo de como funciona as classes média e média-alta católica. Jamais entenderam a figura do Próximo.

Aliás, todos os amigos daquela família, teriam feito melhor do que apenas ir à Missa pelas almas da amiga e das filhas. A Missa não pode ser celebrada em intenção da alma do suicida, no caso o empresário Valdo de Carvalho Wunder. A alma do suicida já está perdida no fogo dos infernos.

"Sossega, leão"

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