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Como arrancar dinheiro
de trouxas

Suzana Bertioga
13, Agosto/2003

 

 

ACABOU A INFORMALIDADE - Com a decisão do governo em admitir uma contribuição de 8% sobre o salário mínimo (hoje representa R$ 19,20) para quem vive na informalidade, passando, desta forma, a ter direito à aposentadoria, muita coisa pode mudar no Brasil. Não tem nada a ver com a pensão que remunera quem tem mais de 67 anos e nunca recolheu coisa alguma. O que pode se deduzir de tal decisão? Em síntese, a carteira de trabalho, finalmente, deixa de ser documento importante. O importante, para aqueles que não querem ser formais, o que é um direito respeitável, é que possam contribuir de acordo com seus ganhos, se forem poucos. E sabem que o valor mínimo de contribuição é razoável. Falta algo? Sim. Rapidamente será preenchido um vazio: vai ser criado o sindicato dos informais. Alguém duvida?
www.pontocritico.com

Falta acreditar

Em recente entrevista a um canal privado de TV, o presidente das Cooperativas do Rio de Janeiro queixava-se dos absurdos das leis que regem as cooperativas, inclusive com a Receita Federal e outros órgãos fiscalizadores passeando pela internet em busca dos pequenos grupos de pessoas físicas, classe média, que tentam driblar os bafos da miséria.

O hábito do Estado, por intermédio desses fiscalizadores é um ato covarde, pois, por detrás de um e-mail gratuito um celular que não se sabe atrás de qual muro ele vai estar, fazem pedidos fictícios e ainda dizem como querem a forma de pagamento: boleto bancário. Interessante, não? Um desrespeito sem nome, uma ignomínia, para com um povo sufocado a caminho da autofagia. Pode haver coisa mais covarde, coisa mais imoral ?

Se existem os informais é porque o Estado está sempre buscando intrometer-se onde não deve, criando burocracias absurdas, intransponíveis nas dezenas de formulários e certidões disso e daquilo tudo que significar atendimento aos interesses cartoriais.

Não bastasse o Estado, os Poderes, invasores e saqueadores, cada qual em busca de arrancar as entranhas da iniciativa privada que os sustenta, a todo momento mudam as regras, inventando leis novas, novas contribuições, novos impostos, tudo de acordo com a máxima " de onde vamos arrancar dinheiro desses trouxas para financiar nossos projetos pessoais "?

Quando alguma nova lei é "inventada" o cidadão já pode por as barbas de molho. Mais tarde, os mesmos legisladores estarão descobrindo que aquela lei não foi bem pensada e "melhor para o povo", portanto, que ela seja revista, repensada. Nessa repensada é que está o flagrante. É aqui que eles podem ser pegos com a mão na massa. Mas a quem importa ou quem se importa?

Quando é que vamos nos convencer de que nossos representantes, vereadores, deputados estadual e federal e senador não vão querer fazer leis bem feitas? O que importa é que durante a feitura do projeto de lei, todo mundo acrescente uma vírgula ou um ponto e vírgula, o que é pior. O ponto e vírgula significando que pode haver mudanças, que não é uma coisa nem outra ou pode ser qualquer coisa de acordo com os interesses do momento. Momento deles, dos governos e políticos.

Políticos e Governos se sucedem trabalhando com a mesma estratégia de desmonte. Nesse, não é diferente, é pior. Os milhões de empregos prometidos seriam criados por quem? Deveria ser pela iniciativa privada. Penso, logo erro, me ferro.

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