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         Perspectivas do Mercado
         Floricultor

            Adriana Murin
            12, Março/2002

Seu sítio, ou fazenda pode dispôr de espaço para aproveitamento que, inicialmente lhe proporcione prazer e aprendizado. Por passos, na medida da agratificação de plantar e colher flores, você poderá tornar-se parte deste mercado em franca expansão. Terra improdutiva é despesa garantida . Você poderá surpreender-se com pequenos lucros iniciais que, ao longo do tempo poderão tranformar-se em lucros certos. Para tanto, basta escolher, de início espécies simples que não necessitem de grandes cuidados e não demandem investimentos maiores.

 

A rosa teria surgido do sangue de Afrodite, Deusa do Amor, quando um dia, em busca de seu amado Adônis, mortalmente ferido por um javali, ela feriu-se em um do dedos da mão numa planta cheia de espinhos e que o sangue que escorria transformara-se numa flor. Isso nos conta a Mitologia Grega.

Os romanos pediram muitas coisas emprestadas dos gregos podendo-se incluir ai os mitos, lendas e a admiração pelas rosas, a preferida no grande Império.

Nenhuma festividade romana ficava sem os ornamentos com base em rosas. Roma passou a produzir e a consumir as flores que tanto. Inicialmente, as rosas eram importadas do Egito e com o aquecimento da demanda, os preços se tornaram muito altos e assim, tanto o cultivo quanto a comercialização deram lugar a negócios extremamente rentáveis. Tanto que, os lavradores deixaram o cultivo do trigo de lado e passaram a cultivar rosas.

Os romanos não se davam conta que tinham decoração farta mais precisavam importar alimento, principalmente o trigo, elemento fundamental da dieta romana. >>Clique para ler curiosidades<<

Orgulhoso, o poeta Marcial, aproximadamente 38-103 D.C., fez versos.

"Vós, egípcios: hoje, as rosas romanas são mais belas que as vossas. Agora, já não mais necessitamos de rosas, porém do vosso trigo."

Nós, em nossos tempos, iniciando o 3o . milênio, tratamos as rosas e flores em geral da mesma maneira que os Egípcios. Embora a atividade de cultivo e comercialização represente alto risco de investimento pela perecividade do produto, o Brasil hoje, tem apresentando resultados econômicos tão surpreendentes quanto animadores, a partir da descoberta do significado estético que não se sabe quando, exatamente nasceu, desde a antigüidade. Embora se saiba da existência das flores, que é anterior a humanidade através da descoberta de fósseis de folhas de rosas encontradas na Europa, Estados Unidos e Extremo Oriente, estimadas em aproximadamente 25 milhões de anos.

Ainda que não se possa definir com exatidão, quando a estética das rosas — floricultura em geral — foi reconhecida, fato é que hoje a importância de paisagistas e decoradores no estabelecimento de tendências na utilização de produtos oriundos da floricultura é importante, pois, eles acabam por buscar diferentes tipos de flores e folhagens para com isso desenvolverem suas atividades marcando diferenciais. Enfim, eles lançam moda e descobrem nichos de mercado. Daí a existência importante de eventos dirigidos ao produto através das iniciativas e participação dos paisagistas, decoradores e produtores.

Os paisagistas e decoradores identificam o público-alvo e isso serve de baliza aos produtores e comerciantes, associações. FIAFLORA — Feira Internacional de Floricultura, Paisagismo e Jardinagem, e outras feiras internacionais como Iberflora (Espanha) e na International Flower Trade Show (Amsterdã) são atraentes.

Tendo um dos mais importantes eventos mundiais, a Holanda, conhece muito bem os custos de investir à moda romana. Na Holanda do Século XVII o plantio da tulipa, flor que tem significado de amizade e simpatia, tornou-se negócio tão lucrativo que provocou os mais insensatos investimentos, despertou cobiças, e transformou pacatos comerciantes e lavradores em esfomeados aventureiros investidores.

Muitos holandeses chegavam a vender tudo que possuíam para comprar os bulbos de tulipa importados da Turquia. Os resultados foram cruéis, e a tulipa acabou formando uma torrente de desesperados falidos pelo excesso de oferta. Por um único bulbo de tulipa eram capazes de dar bens valiosos como toneladas de trigo e centeio, manadas de bois e ovelhas e pratarias. O caso mais grave que se tem conhecimento foi de alguém que trocou quase 5 hectares — ou aproximadamente 48 mil metros de terras. Tendo vivenciado tão intensiva e perigosamente a indústria da floricultura, não é de causar estranheza que hoje a Holanda seja um dos países com mais experiência e expressão no mercado mundial.

Em relação ao mercado externo, o Brasil exportando cerca de 13 milhões de dólares ainda não tem tanta representatividade, embora nossas expectativas sejam promissoras, considerando que ainda estamos na infância deste processo. Aproximadamente, hoje contamos com mais de 2.500 produtores, sendo que a maior concentração está no estado de São Paulo, com cerca de 65%, embora seja crescente o número de produtores em outros importantes pólos, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Pará e Amazonas.

O que hoje necessita altas técnicas de cultivos, exigências e insumos, certificados fitossanitárias, os certificados de sanidade vegetal e de origem do produto, de logística, distribuição e outras sofisticações em nada lembra o que as flores significaram para diversas culturas dos tempos antigos. Todas essas exigências não são destituídas de significado e importância. Não nos tempos em que vivemos. A globalização carrega no bojo o risco pelas doenças disseminadas no mundo caso não haja extremos cuidados sanitários. Neste sentido não há o que se temer pois o Brasil dispõe de instituições e de técnicos confiáveis e capazes de responder às exigências do mercado externo. Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), entre outros.

Ao citar o Instituto Agronômico de Campinas, o IAC, é interessante lembrar que a história da floricultura, no Brasil, está ligada à Floricultura Campineira iniciada em 1913, quando o filho de alemães João Dierberger instalou-se numa pequena loja na Rua Barão de Jaguara, tradicional ponto comercial do centro de Campinas. A cidade de então ainda se apoiava economicamente na cafeicultura, mas já se aprumava rumo à diversificação. Nas ruas, a elite cafeeira e nativos dividiam espaços com imigrantes de várias origens, sobretudo italianos, gente que trazia da Europa novas referências culturais, técnicas diferentes para antigos ofícios ou atividades econômicas inusitadas para o Brasil do início do século. Clima e ambiente perfeitos para a prosperidade e a diversificação.

 

Outro ponto importante é o de que essa atividade no Brasil está muito relacionada às colônias de imigrantes, como a holandesa, a japonesa e a alemã, facilitando com isso, o intercâmbio de tecnologias para o setor. A contribuição das colônias para o aparecimento da floricultura encontra-se registrada desde muito.

No início deste século a floricultura constituía-se principalmente do cultivo de flores nos jardins e quintais das residências, onde desempenhava função paisagística ou, quando colhidas, empregadas na decoração de interiores. Destacava-se, nesta época no Estado de São Paulo, a firma Dieberger, fundada em 1893, que embora praticando a floricultura como atividade paralela à fruticultura, seu forte, formou outros produtores de renome tais como os irmãos Boettcher, seus empregados até 1929 quando iniciaram seu próprio negócio, hoje a conhecida "Roselândia" e, no Estado do Rio de Janeiro, o "Orquidário Binot", em Petrópolis o mais antigo do Brasil, existindo desde a época do Império.

Mas o pioneirismo da iniciativa — mesmo que apenas para o consumo interno local e em mínima escala — coube à colônia portuguesa. A princípio, visava o abastecimento do mercado em épocas definidas de maior demanda como Dia das Mães, Dias dos Namorados, Finados e Natal. Com a ocorrência dos fluxos migratórios, assentamentos e diversificação das atividades dos imigrantes, a floricultura passou à apresentar os primeiros sinais de organização e crescimento com a fundação, por imigrantes holandeses, da Cooperativa Agropecuária.

As expectativas de mais expressivos resultados econômicos para o setor de floricultura têm sido suficientemente atraentes para receber apoio do BNDES – linha de crédito para o Programa de Desenvolvimento Sustentado da Floricultura, regulamentado pela Resolução 2.866 de 03.07.2001, do BACEN, que tem por objetivo acelerar o desenvolvimento da floricultura brasileira, em todo o território nacional, bem como ampliar a exportação de flores, mediante o financiamento de investimentos relacionados com a implantação ou melhoramento de culturas de flores. Poderão ser atendidos os financiamentos, observado o limite global de R$ 30 milhões (trinta milhões de reais).

Isto nos faz perceber como o Brasil, visto pelo resto do mundo, é um País de possibilidades infindáveis. Para outros povos, é inimaginável que dentro de um mesmo país possa acontecer as Três Estações de uma só vez.

Mesmo no Nordeste as flores se desenvolvem bem em estufas e graças ao solo e ao sol, produzem mais e quase na metade do ciclo de vida de São Paulo.

O Nordeste tem condições climáticas favoráveis, como alta luminosidade e calor, precisando apenas acelerar os processos para resolver os problemas causados pelo baixo índice pluviométrico. Encontrar soluções, também, para o difícil acesso à tecnologias mais avançadas e no que concerne a distância desses pólos dos fornecedores de insumos (estufas, sementes, substratos etc.) e da mão-de-obra especializada, que ainda estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

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