|
Historicamente a
pátria amada Brasil não tem sido gentil com os empreendedores.
Porém, agora, para minimizar o desemprego, um dos maiores
problemas sociais do país, é necessário suscitar transformações
rumo a criação de uma cultura empreendedora.
Somente pela mudança
nas normas sociais e culturais a respeito dos empreendedores
iremos sair de uma posição negativa de 10 milhões de desempregados
para uma posição positiva de 50 milhões de oportunidades de
trabalho.
Temos que parar
o crescimento dos cemitérios de pessoas jurídicas, de direito
privado! Eu explico:
Era mais um dia
de leilão no Depositário da Justiça do Trabalho - DJT, na
Cidade Industrial de Curitiba. Embora more na cidade há algum
tempo, somente agora tive oportunidade de conhecer o DJT de
perto. Fiquei por lá cerca de meia hora. Tempo suficiente
para perceber que estava diante de uma “ossada” de empresas
internadas na UTI (Unidade dos Torturados por Impostos) ou
mesmo já falidas.
Na medida que andava
pelos diversos corredores, todos formados e organizados com
máquinas e equipamentos, chapas de aço, ventiladores, escrivaninhas,
arquivos metálicos, vasos sanitários, chapas de mármores,
tratores, tampos de pias e computadores, lembro-me que estava
sendo tomado por interrogações:
Quem foram os empreendedores?
Onde estão hoje? Quantos postos de trabalhos foram criados?
Por que quebraram? Quantas pessoas operaram aquelas máquinas
e equipamentos? Quantos impostos foram gerados? Quantas pessoas
serão beneficiadas com as vendas dos "restos mortais"? Será
que não seria mais interessante transformar tudo aquilo em
um museu de sucata industrial? Se nossas normas sociais e
culturais valorizassem mais os empresários, haveria tantas
empresas indo para o cemitério?
Parei minha reflexão.
Tinha que parar, pois era possível formular infinitas interrogações.
Ressalto dois detalhes.
Um deles e a forma como estavam “enterrados”: havia a ala
dos sepultados em barracões cobertos e a ala dos sepultados
a céu aberto. A probabilidade de encontrar “um dente de ouro”
entre os que estavam a céu aberto era mínima.
O outro detalhe
é que não encontrei nenhum indício de “ossos” oriundos das
esferas do governo federal, estadual ou municipal. Tudo muito
curioso. Governo Federal não quebra, Governo Estadual não
quebra, Governo Municipal também não quebra. Será uma performance
administrativa de fazer inveja para qualquer grupo de Ph.D
do mundo? Com certeza não.
Sem querer criar
ramificações complexas, atente para o seguinte: será que para
as três esferas de governo manterem- se vivas, os cemitérios
de empresas privadas precisam crescer? Não, não precisa. O
que é necessário é fazer com que nossa sociedade perceba o
real valor dos empreendedores ao desenvolvimento econômico
e social, do Brasil. E os apóiem.
Como? Criando políticas
e programas de curto, médio e longo prazo que priorizem as
iniciativas empresariais, levando os fundamentos de uma sociedade
empreendedora para as escolas, oferecendo linhas de créditos
compatíveis com os perfis das atividades empresariais e a
maturação das empresas, simplificando as leis trabalhistas,
desonerando a produção e reformulando as leis tributárias
e as leis de previdência social.
Leia
Agora são 74 Impostos
*Benedito Julio de Souza,
Consultor em Atividades Empreendedoras
Profissional da Educação - Área de Empreendedorismo
Autor do Livro:Criando uma cultura empreendedora no
Brasil - Edição do Autor. Curitiba, 2004, 114 p.
Saiba mais sobre o livro:
http://bjs.souza.sites.uol.com.br/
.
Sobe
|