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   Carrasco dos sem-teto
   tem nome:
   Caxa Econômica Federal

 

      Angela Riore
      03, Janeiro/2004

         Leia:

O que propaga a Caixa Econômica Federal mas que não bate com a (visível) realidade.

Leia:

Favelização do Brasil: cultura da miséria



A cena já é conhecida:

a construtora consegue o terreno, faz o projeto e arca com todas as despesas junto a prefeitura local, cartórios e afins e apresenta a Caixa para aprovação dentro do programa PAR — PLANO DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL programa este, do governo federal e destinado à construção de moradias para a classe de baixa renda. Há poucos dias, o Presidente Lula da Silva anunciou a prorrogação do programa até dezembro de 2004 com recursos de 1 bilhão de reais e frisou ser uma prioridade do governo justamente por se destinar a construção e financiamento de moradia para as pessoas de baixa renda. Mas será que o Presidente sabe o que acontece neste verdadeiro cartório que a Caixa Econômica Federal e como tal instituição pública trabalha contra os programas do governo de geração de empregos e em especial para aquelas pessoas de baixa qualificação profissional como é o caso da mão-de-obra empregada na construção civil?

Como leiga em muitos assuntos, precisei de ajuda do Consultor de Seguros do Domínio Feminino para acertar-me no que escrevo. Enio Vieira pensou que eu estivesse fazendo gracinhas ao perguntar sobre a matéria que, não por coincidência, ele conhece tão bem. Sem querer, acabo por mexer em outra área: a de Seguros Privados.

Na verdade, o que relato não fica apenas nisto, mas que, já é o bastante para arrepiar àqueles que sonham com um projeto de Casa própria. É bom que saibam os motivos que levam muitas construtoras pequenas a atrasar o início e/ou o término de obras.

Enquanto alguns empreiteiros, como no caso que veio à tona no Rio de Janeiro, uma construtora ganhou 80 mil dólares para executar um projeto de paisagismo numa pracinha num bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e até hoje a única execução providencial foi a Natureza plantar o mato e nem por isso a construtora devolveu o dinheiro. O caso ficou no "não- li-não-ouvi-nem me lembro"! Mas, quando se trata de empresas não-apaniguadas, o caso fica sempre complicado. Certamente que o Presidente não sabe, pois tomaria enérgicas providências para evitar estar dormindo com o inimigo como é o caso da CEF.

Fui passar o natal em Belo Horizonte e ao reencontrar velhos amigos construtores foi que tomei conhecimento desses absurdos que rotineiramente acontecem no Brasil e que as autoridades só tomam conhecimento quando já é tarde demais e o mal irremediável .Vou resumir os fatos que me foram relatados:

1) A Construtora A tem 3 projetos aprovados na CEF desde setembro/2003 para construção de conjuntos na cidade de Campinas-SP. A CEF exige para assinatura dos contratos o Seguro Garantia — Término de Obra e o Seguro de Riscos de Engenharia que obrigatoriamente devem ser contratados na CAIXA SEGUROS. Isto por si só já é ilegal por se tratar de venda coligada. Ocorre que, para contratar o Seguro Garantia é necessário que a Construtora tenha cadastro no IRB BRASIL-Re ( Resseguros ) e limite de crédito suficiente estabelecido por aquele Instituto. No caso, a Construtora em questão preenchia os requisitos, salvo na questão do limite, uma vez que já o tinha utilizado quase que totalmente por ter feito outro empreendimento anteriormente. Isto foi informado pela Caixa a Construtora, que por sua vez perguntou a Caixa, se, caso conseguisse no mercado Segurador privado as apólices que garantissem a Caixa se assinariam o contrato e liberariam as verbas aprovadas. Foi informado verbalmente ( aliás, é sempre verbalmente e nunca documentado ) que sim desde que a Caixa aprovasse a Seguradora. Este é outro absurdo pois uma instância muito superior a Caixa que é o Ministério da Fazenda a quem está subordinada a SUSEP — Superintendência de Seguros Privados e a própria Caixa é quem autoriza uma Seguradora a operar no mercado. Portanto é dispensável a Caixa aprovar a seguradora que já foi aprovada pelo governo federal.

Lula ofuscado: 1 milhão de contas na Caixa Econômica Federal.

E Lula não pode enxergar.

A Construtora foi ao mercado e através de um consultor e corretor de seguros do Rio de Janeiro conseguiu de conceituadas seguradoras as propostas apresentadas para aprovação pela Caixa que por sua vez informou que mandaria para Brasilia para aprovação das propostas das seguradoras. Após muita insistência da Construtora a Caixa em 15 de dezembro informou a mesma que o dinheiro havia acabado e agora só em 2004 e sem precisar qualquer data.

O Natal para pelo menos 20 pessoas entre engenheiros, mestres de obras, apontadores etc foi péssimo, pois perderam seus empregos já que a empresa não tinha como mantê-los na folha sem as obras para as quais foram contratados.

Certamente se a Caixa conseguisse emitir as apólices e a FENAE CORRETORA E ADMINISTRADORA DE BENS fosse a corretora do negócio os contratos teriam sido assinados e liberados e aquelas 20 pessoas manteriam seus empregos.

2) A Construtora B viveu o mesmo problema também com três projetos aprovados e igualmente demitiu pessoal pelos mesmos motivos.

Não há dúvidas que o acima relatado ocorre no país inteiro e além das construtoras perderem, perdem também os corretores de seguros que mesmo sendo a construtora sua cliente e querendo fazer os seguros através deles, encontram a barreira inexpugnável da CAIXA SEGUROS que não aceita cadastrar corretores de seguros privados, salvo claro(o que deve acontecer) aqueles que tem QI.

Não é por outro motivo que 2003 foi o pior dos últimos 13 anos para a construção civil em geral. O setor perdeu 10% em volume de negócios em relação a 2002.

Entretanto, nada do acima relatado ou o fato de 2003 ter sido o que foi para a o setor, é impeditivo para que a CEF abra uma licitação pública no valor de R$ 100 milhões de reais para sua propaganda e publicidade. As agências de publicidade estão aplaudindo, e as construtoras e os sem-teto continuam aguardando os favores da Caixa.

Finalizando, peço a todo e qualquer leitor que encaminhe essa denúncia a quem de direito em Brasília, pois, a continuar tal absurdo nosso Presidente deverá acrescer a sua promessa de campanha de gerar 10 milhões de empregos, pelo menos mais 300 mil empregos, além daquele número que já foi gerado em seu governo, por conta da pouca atenção a problemas como este.

 

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