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Singularidades
sobre as Empresas Familiares
©Este
texto faz parte do livro que está sendo publicado
pela CNC - Confederação Nacional
do Comércio.
A família
cresce em número de pessoas construindo um formato
piramidal em seu organograma, cuja base vai ficando geometricamente
mais larga. No ápice o fundador da empresa
familiar e na base o consórcio de primos.
Esse crescimento é inversamente proporcional à
necessidade gerencial da empresa; em algum momento a família
está para servir a empresa e a partir de um outro
determinado momento parece que a empresa é que precisa
encontrar lugar para que caibam todas as pessoas da família.
Os teóricos
sobre esse tema dizem que cinqüenta por cento das empresas
familiares falecem na passagem da primeira para a segunda
geração; depois, trinta a quarenta por cento
o fazem na segunda geração. Cada etapa de
transição geracional modificava a forma como
se pensava e se conduzia a empresa, para a forma como o
atual dirigente iria pensá-la e conduzi-la até
que esta última, dando continuidade ao ciclo, se
consolidasse.
No entanto,
a vida média dos produtos e das idéias vem
diminuindo cada vez mais. Hoje, se estima que a vida média
de um produto não passe de poucos anos (alguns duram
meses), enquanto que a vida média das idéias
é infinitamente menor. Antes, quando falava-se sobre
empresas familiares, fazia-se referência à
dificuldade de implante das idéias que a nova geração
dirigente traria para a empresa. Hoje, no mesmo período
de gerenciamento da empresa, as idéias precisam estar
sendo revistas continuamente.
Além
das questões que dizem respeito a todas as empresas,
necessitamos agregar outras quando tratamos de negociações
em empresas familiares. A relação de parentesco
acaba conversando com a relação de
trabalho provocando sobreposição de diferentes
níveis e qualidades de diálogo. Nessa conversa;
pais falam com gerentes e filhos com presidentes,
complexizando ainda mais este diálogo.
O
desenvolvimento das empresas faz com que dois movimentos
- crescimento da empresa e crescimento da família
- corram o risco de, em algum momento, entrar em colisão.
Em determinada etapa do crescimento de ambos é preciso
reinvestir financeiramente na empresa e, coincidentemente,
na família que está ganhando status financeiro
e demandando aquisições. Estes são
momentos delicados nos quais é preciso balancear
estes investimentos visando a legitimá-los, evitando
que empresa e família se constituam elementos em
competição e conseqüente conflito.
O
mediador é um profissional que, pela multidisciplinaridade
que sua atuação exige, aprimora muitas habilidades.
Ele é um expert em negociação, em comunicação,
em visão sistêmica, em incluir a interferência
das redes sociais que participam das questões mediadas.
A articulação de todos estes olhares possibilita
que ele possa atuar como facilitador de diálogos
tanto quanto como especialista na análise de risco
de conflitos. Conhecedor da interseção da
relação de parentesco com a relação
de trabalho e sabedor de que todas as épocas de transição
da empresa e da família são críticas,
o mediador pode ajudar os componentes de uma empresa familiar
a fazerem uma análise da possibilidade de conflitos
a cada etapa ou movimento projetado, auxiliando-os ainda
a gerenciá-los através da negociação.
Uma
situação ilustrativa:
Duas
primas que tinham uma empresa que era bastante fértil
e promissora, por algum motivo relacional entre elas,
resolveram dissolver essa sociedade. O pedido delas
para a Mediação era bastante claro:
a dissolução societária estava
caminhando muito bem mas temiam por uma paralela dissolução
afetiva. A possibilidade de dissolver a sociedade
comercial, sem igualmente dissolver a sociedade afetiva,
tornou-se o ponto de especial cuidado. Eram famílias
muito próximas e a dissolução
da sociedade afetiva entre elas colocava em risco
toda a rede da família extensa que fatalmente
tomaria partido de uma ou de outra.
Um
dos princípios da Escola de Negociação
de Harvard é discriminar as relações
entre as pessoas das questões que estão sendo
negociadas. É útil e fundamental quando se
trabalha com desentendimentos ou litígios que envolvam
relações familiares, ajudar as pessoas a identificar
e discriminar uma pauta subjetiva, relativa às interações
familiares e uma pauta objetiva, relativa à questão
que as envolve. A construção destas duas pautas,
em paralelo, faz-se necessária, especialmente, nas
relações que envolvem parentesco ou amizade
uma vez que, os temas da pauta emocional ficam, invariavelmente,
travestidos de questões objetivas. Nestas situações,
as contas emocionais se apresentam no momento da divisão
de bens ou das cobranças financeiras disfarçadas
de reivindicações materiais.
©Este
texto faz parte do livro que está sendo publicado
pela CNC - Confederação Nacional de
Comércio.
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