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         Tortura na espera
         música ambiente

 


         
Por: Maria da Penha Vieira
         
Abril 26, 2001

 

Nada mais desconfortável do que ao ligar para uma empresa, se principalmente em caráter de urgência, disponibilizam aquela musiquinha adrenalíca. Se o conceito é fazer o telefonante desistir, em muitos casos conseguem, em outros só faz com que o cliente teimoso seja mais teimoso do que o conceito.

Vejamos: alguém que deteste música pop na voz de cantora americana, aquele tipo de voz pasteurizado, escola que ensina as cantoras e cantores, em geral, a trinar. Esse alguém vai subir pelas paredes e a raiva vai se concentrar ainda mais. Vai virando um caldo escuro, fervendo num caldeirão de ferro fundido, bem ao gosto canibal.

Pensei, numa dessas que me aconteceu — Se pelo menos fosse a Loreena cantando, aquela mistura de música Celta com renascentismo, alguma coisa meio doom, metal melódico, ainda vá lá!

Ocorre que outro esperante, parlante, que não aprecie o gênero ou o tom quase doom da voz de Lorrena iria ter a mesma reação que eu.

Um Mahler, iria irritar os apaixonados de Wagner. Um metaleiro ouvindo pop?!

Música ambiente, de espera, melhor não usar.

O famoso "aguarde enquanto nós o atendemos" é triste. É chora! E nós, do outro lado, com cara de banana, ou à beira de um ataque de nervos. Copiamos sempre mal, para variar.

Seja criativo, grave uma mensagem de simpatia, com um fundo musical, mas fundo mesmo; a cada tantos segundos, diga que sabe que ele continua esperando e deve estar tão necessitado de falar quanto sua empresa deseja ouvi-lo.

Mas se você insiste em música ambiente, tente instrumental. Um trecho pequeno de piano que não contenha acordes fortes e não entenda teclas como um "órgão" eletrônico. Com trechos "pianíssimos", cordas ou sopro em geral, cítara, viola-da-gamba, oboé, flauta doce ou transversa. Pesquise junto aos seus clientes o que mais agradou. Ah, e não se esqueça de não deixar ficar repetindo indefinidamente. Alterne, tente um mix que não acabe em samba-enredo.

Melhor seria contratar os serviços de profissional da área de música ( não, cantor, não! ); procure escolas de música. O trabalho não tomaria muito tempo e com certeza o preço deve acompanhar. Melhor ainda, os resultados.

 

Consultora : Maria Regina Câmara, professora de música e responsável pelos Concertos apresentados na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

 

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