Oportunidades,
Negócios nacionais e internacionais e Serviços
A estratégia Gerencial
para
aperfeiçoamento do Clima Organizacional
por:
Luiz Roberto Bodstein
Dependendo
de como encaram as condições a que estão sujeitas para
se manterem na empresa - quase sempre decorrentes da forma
como as ações são conduzidas pela administração e das
relações com as demais pessoas que compõem o ambiente
de trabalho - os funcionários irão desenvolver sentimentos
positivos ou negativos, engajar-se ou rejeitar qualquer
envolvimento maior do que as obrigações que lhes são exigidas,
sentir-se satisfeitos e motivados em seus afazeres ou
preferir estar fazendo outra coisa.
Chamamos
de Clima Organizacional à ambiência proporcionada por
uma série de fatores internos que afetam diretamente intenções
e sentimentos dos funcionários na organização. O que todas
as pessoas procuram é ser respeitadas nos seus anseios
mais legítimos: uma vida digna e um trabalho que atenda
mais do que simplesmente a questão da sobrevivência, mas
também suas expectativas de aprendizagem, crescimento
e, é claro, prazer. Enfim, um tratamento justo.
É
fundamental, no entanto, definir-se claramente para as
pessoas o que se considera um tratamento justo. Muitas
pessoas, mais freqüentemente as que trabalham em empresas
de grande porte ou em serviço público, consideram que
respeito ao funcionário é quando a empresa oferece um
número considerável de mordomias e vantagens, como residências
funcionais, gratificações salariais, veículos para uso
privativo, ajuda de custos para alimentação, roupas, viagens
de férias, etc. Porém, tudo isso tem que ser analisado
com bastante propriedade para não se transformar na arma
que acaba por matar a galinha dos ovos de ouro. Empresas
que distribuem privilégios sem critério ou planejamento
são candidatas certas à falência, e são seus próprios
funcionários que acabam contribuindo para que isso aconteça
ainda mais rápido.
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Existem
determinadas situações em que tais vantagens precisam
ser oferecidas para suprir uma necessidade premente e
temporária, como é o caso de empresas que se instalam
em regiões inóspitas ou com muito poucos recursos, e precisam
atrair para lá o interesse de profissionais de gabarito
para garantir o seu desenvolvimento. É comum, nesses casos,
que a empresa adote uma postura dita paternalista, oferecendo
uma série de benefícios que normalmente não se encontraria
em organizações localizadas nos grandes centros urbanos.
Mas
isso tem uma razão de ser, e se justifica no fato de que,
consideradas as carências naturais de uma região afastada
do conforto e das facilidades das grandes cidades, dificilmente
se conseguiria reunir um elenco de bons profissionais
que se dispusessem a deixar sua "zona de conforto", onde
possuía todas as facilidades, para conviver com as restrições
de um lugarejo no interior, o que representaria, na verdade,
perdas significativas. Isso ainda terá um peso maior se
considerada a sua situação familiar: ele terá que optar
entre permanecer longe de casa a maior parte do tempo
- se escolher ir sozinho - ou retirar filhos da uma boa
escola na cidade para matriculá-los em uma escolinha do
interior, por exemplo. Ou ser colocado na situação de
ficar longe da esposa que trabalha na cidade de origem
ou convencê-la a abrir mão de sua própria carreira profissional
para acompanhá-lo.
Tudo
isso tem um preço para esse profissional, preço esse que
a empresa tem que bancar oferecendo-lhe vantagens que
justifiquem, de certa forma, a sua escolha, e compensem
as perdas que teria com a troca. Então é natural que receba
uma residência funcional ou outras mordomias como carro
à disposição, gratificações, licenças periódicas para
visitar a família, e tudo o mais que o funcionário, numa
negociação prévia, considere justo para reduzir o índice
de dificuldades que terá com a mudança de local.
Mas
acontece que mesmo situações contextuais como essa naturalmente
sofrem alterações. Existem cidades muito bem estruturadas
hoje que começaram como vilarejos operários em torno de
empresas, cidades que surgiram como conseqüência direta
da instalação de uma grande empresa no local, como foi
o caso de Angra dos Reis - surgida em torno da Petrobrás
e da Verolme - e também Volta Redonda, desenvolvida em
torno da Companhia Siderúrgica Nacional durante a era
Vargas. Ambas as empresas tiveram grandes dificuldades
depois, para convencer seus funcionários de que suas cidades
haviam há muito deixado de ser vilarejos, e que não se
justificava mais a manutenção das vantagens de antes,
utilizadas como atrativos no passado, mas que agora com
certeza se caracterizariam, aos olhos dos funcionários
que chegaram depois, em privilégios injustificados oferecidos
para os mais antigos, uma vez que a situação local já
não era mais a mesma.
O
que é importante, em se tratando de motivação de grupo,
é uniformizar o entendimento do que se pode considerar
como compensação, e o que se caracteriza como privilégio.
A empresa tem que deixar essa situação bem clara para
todo o seu corpo funcional, pois aí estará embasada toda
a diferença entre uma postura justa e outra meramente
paternalista. Esta última, quando não estiver fundamentada
em suprimento legítimo de necessidades oriundas do contexto,
com certeza será sempre injusta, por privilegiar alguns
em detrimento de outros, gerando altos índices de desmotivação
interna.
Acontece
que tais mudanças do contexto não acontecem de repente,
nem são marcadas por um evento que inaugura uma nova era.
Elas acontecem lenta e imperceptivelmente, e aí então
o papel dos dirigentes para acompanhar essas nuances contextuais,
e fazer ver as alterações sutis que vão acontecendo, é
fundamental para descaracterizar situações difusas em
que um suprimento de necessidades legítimo de um outro
momento se constitua no presente em privilégio e discriminação
entre seu pessoal. Isso exige uma análise permanente do
ambiente externo e interno, e das questões situacionais
que envolve. Algumas ações gerenciais poderão facilitar
muito essa transição, como, por exemplo:
assegurar o cumprimento das instruções normativas da
empresa que se aplicam à sua área de responsabilidade,
à medida que elas vão sendo adaptadas à novas situações;
assumir uma postura participativa, incentivando iniciativas
e criatividade individuais para novos procedimentos,
bem como o desenvolvimento do espírito de equipe em
seus funcionários;
estar sempre atento para identificar em seu início quaisquer
fatores que possam ser disseminados na equipe, e que
venham a interferir na qualidade de vida do pessoal
e no andamento das tarefas, tais como ansiedades, reivindicações
legítimas, demandas e expectativas, sem desvinculá-las
do momento contextual em que acontecem.
manter-se sempre voltado para a procura de alternativas
de solução com o mínimo possível ou - preferencialmente
- nenhum prejuízo para as pessoas e processos que estas
envolvam;
buscar garantir para o seu pessoal um tratamento condizente
com suas qualidades e aptidões. Em resumo: o tratamento
justo, lembrando sempre que as pessoas são diferentes
umas das outras, e que tratá-las todas da mesma maneira
pode ser altamente desestimulante em função de suas
diferenças.
Um
tratamento justo significa administrar o quadro de funcionários
de acordo com as políticas, normas e procedimentos da
empresa, juntamente com uma forte dosagem de sensibilidade
na percepção das pessoas, além de conhecimento integral
de suas ações e bom-senso na hora de avaliá-los. Na prática,
isto significa:
jamais estabelecer uma política "privativa " para o
seu pessoal, que venha a se constituir em perigosa exceção
no contexto organizacional;
identificar os desvios existentes e promover ações corretivas
e preventivas;
planejar e promover educação e treinamento em todos
os níveis;
observar a permanente atualização profissional em relação
a práticas tecnológicas e administrativas;
oferecer oportunidades plenas de aproveitamento de potencial
dentro do limite de atribuições dos seus cargos, seja
em sua área de atuação ou nas demais áreas da empresa;
avaliar permanentemente o desempenho de seus funcionários
e utilizar adequadamente os recursos de premiação e
sanções disciplinares definidas pela organização;
participar ativamente dos processos seletivos e de desligamento
de todos os seus funcionários, em todas as vezes que
acontecerem.
É
utopia esperar-se que todos os funcionários comunguem
da mesma visão em relação à empresa e se sintam igualmente
satisfeitos pela forma como são tratados, independente
de todos esses cuidados. Mas com certeza pode-se reduzir
substancialmente os desgastes, e ter neutralizada a carga
emocional negativa se a transparência nas ações forem
mantidas, e se as regras do jogo se apresentarem sempre
claras.
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Quem
é Luiz Roberto Bodstein
É consultor de empresas,
especialista em Desenvolvimento Gerencial e Humano nas
Organizações.