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Oportunidades, Negócios nacionais e internacionais e Serviços

 

O fim do patrão indisciplinado e "bonzinho"

 

 

Por Lourdes Agostinho

 

Os problemas pelos quais passam as micro e pequenas empresas são, em certo momento, cruciais, e as soluções encontradas para resolvê-los pode significar, muitas vezes, a perda de clientes.

Grande parte desses problemas advém da política gerencial e organizacional; de relações intra e interpessoal. O contato direto com seus funcionários, torna o pequeno empresário, bem como gerentes, extremamente próximos da vida pessoal de seus funcionários, impedindo-os de distanciar-se da intimidade prejudicial ao relacionamento profissional.

Nessas empresas, não-raro, o patrão é padrinho de filho de funcionário, padrinho de casamento, quase fazendo parte da família de seus funcionários. Nessas circunstâncias torna-se difícil, para o funcionário, aceitar procedimentos que dizem respeito à organização, vitais, que dão a esse relacionamento, uma feição empresarial que beneficia a ambos.

Todo e qualquer benefício , concedido a algum funcionário, em função de necessidades circunstanciais prementes, tornam-se, de imediato, " conquista de todos" .

A proximidade com a contabilidade, telefonistas, recepcionistas, deixa os assuntos de estrito direito e interesse da empresa expostos à devassa absoluta.

 

Os mais simples acontecimentos dentro da empresa, é assunto compartilhado por todos, mas, nem sempre na melhor direção e intenção.

Insatisfações proliferam com velocidade radiofônica: é a famosa " radio corredor " que nada nem a ninguém perdoa. Nem o namorado novo da colega, ou a separação de outro. Nem mesmo, uma saída necessária, na hora do expediente.

Sem recursos para treinamento de pessoal, investimentos na área de RH, os pequenos se viram como podem. Mesmo quando atiçam a sanha da vontade de investir, acabam por perder, pois, com o tempo os funcionários acabam sendo recrutados por outras empresas e nem sempre com salários tão vantajosos.

 

Portas-abertas

 

A busca de contato direto com o patrão, nesse caso, só vale se não houver gerentes ou encarregados. Se houver, esse contato só deverá acontecer se estiver algum tipo de conflito estiver em andamento, diretamente com os próprios.

"Bondade" é eufemismo de paternalismo. Isso é mortal, dentro de uma empresa. Um funcionário casado, mas que vive ao mesmo tempo com uma segunda mulher com a qual, também, tem filhos. Meio do mês e já não tem tiquete-refeição ou vale-transporte; ele vai pedir dinheiro ao patrão. Isso é um caso típico de acontecimento dentro de micro e pequenas empresas.

O exemplo citado, acima, já é resultado de uma política equivocada. A instituição de vales isso, tíquetes aquilo, são paliativos que pesam no bolso das empresas, sejam pequenas ou grandes e não geram satisfação ao indivíduo. Salários indiretos, exemplos típico de paternalismo instituído, por interesses políticos de outra natureza.

Dar o dinheiro é um precedente que nunca mais terá fim e, pior, outros funcionários seguirão o exemplo; se não forem atendidos, entenderão que o patrão fez "bondade" com fulano, mas com ele não. Capacidade para dizer não, nesses momentos, é fundamental.

Não é esse tipo de atitude que faz de um empresário um bom empregador. Ao contrário, com certeza, a perda do quase inexistente fluxo de caixa vai se esgotando cada vez mais depressa. E em muitos casos, maioria, pode-se dizer, as empresas micros e pequenas sequer podem dar-se ao luxo de conseguir ter fluxo que permitam tais extravagâncias. Se a empresa fecha as portas, seus funcionários estarão em situação infinitamente pior do que ficar sem vales e tíquetes: estarão desempregados e o patrão arruinado de tal forma que, raros são os casos de recuperação.

Toda e qualquer empresa, não importa o porte comercial, não pode deixar que atitudes patronais, como o exemplo acima, aconteçam. Para tanto ela terá que determinar procedimentos de organização gerencial a serem seguidos à risca.

Lourdes Agostinho

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