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Caos logístico

Adriana Falavigna ( * )
Outubro, 05/2010

 

Adriana Flavigna é empresária e advogada
http://www.ariam.com.br
Consultoria em Logística Aduaneira - ARIAM

 

Como um país de dimensões continentais pode crescer de forma sustentável ? A economia vive e sobrevive graças ao empresariado brasileiro que, contra todo o ambiente hostil à livre iniciativa, gera empregos e paga impostos. Para tanto, não basta o mercado interno, o exterior é atrativo máximo, tanto para a exportação quanto na importação, na compra de insumos ou maquinários.

No entanto, toda a cadeia produtiva ou de revenda depara-se com a parca e ineficiente infra-estrutura logística, a qual precisa de constantes investimentos do governo federal. Ainda que a propaganda salte aos olhos com imagens deslumbrantes, não há traços desse comprometimento com rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.

Ainda era o mês de setembro e o Porto de Santos, o principal da América Latina, já estava superlotado, com demora na liberação das cargas e, consequentemente, aumento dos custos portuários - eis o autêntico Custo Brasil. Esse panorama é o mesmo em Paranaguá, em função da safra de soja, com centenas de caminhoneiros nas estradas a espera da descarga.

Quem paga os custos extras, tais como armazenagem, sobrestadia de container, estadia de caminhoneiro, multa contratual? Para quem o empresário envia a fatura da qual não tem responsabilidade, da qual é o consequente?

Os aeroportos, além das questões de passageiros, prenúncio do vem para a Copa de 2014, estão no limite para o recebimento de cargas, incluindo a estrutura aeroportuária, frequência de vôo e pessoal.

Sistema ferroviário para a logística é restrito para cargas a granel, sendo que o modal rodoviário é o que prevalece no Brasil, o qual conta com rodovias federais em questionável estado de manutenção, elevando custo, pois aumenta o tempo do transporte e deprecia veículo. O País ainda não despertou, ou não tem interesse, na hidrovia, modal esse que poderia otimizar tempo e dinheiro, combinação crucial para o custo das operações em comércio exterior.

A grande questão é que o presente caos logístico é fruto que ausência de política setorial, aparelhamento de postos técnicos e falta de visão. O resultado é maléfico para a sociedade como um todo, pois perde-se competitividade no exterior e majoram-se os preços para o mercado interno. E creiam, é praticamente impossível explicar aos estrangeiros como funciona a logística à brasileira.

 

Adriana Flavigna é empresária e advogada
http://www.ariam.com.br/
Consultoria em Logística Aduaneira - ARIAM

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