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Conta-se por aí uma história muito interessante
sobre as palavras tara e tarado. Antigamente, tara só queria dizer
recipiente ou diferença existente entre o peso líquido e o peso
bruto de um produto. Assim, se comprássemos uma caixa de frutas,
tara seria a caixa, taradas seriam as frutas.
Mas, vamos ao nosso caso: um rapaz atacou
uma garota para se satisfazer sexualmente. Quando descobriram o
crime, ele foi condenado à morte. A sentença foi cumprida, mas,
antes de enterrarem o rapaz, quiseram conhecer seu peso. Pesaram
o cadáver o tarado descontando o peso do caixão
a tara em que ele estava.
Dizem que depois disso a palavra tara
começou a significar também defeito físico ou moral, degeneração,
depravação, e que a palavra tarado passou a ter o sentido de degenerado
sexual, desequilibrado.
Extraído de "Língua não tem osso, ouvido
não tem porteira, pensamento não tem fronteira", Revista SuperInteressante
Jovem Especial, Editora Abril, novembro de 1990.
Desde seu início de governo, o Presidente
Lula inaugurou uma forma pouco distinta, para não dizer desabonadora
e constrangedora, de elogiar as mulheres bonitas e gostosas, sempre
artistas como a Kelly Key, muitas globais e uma infinidade de beldades,
umas elegantes e outras, vulgares. As beldades elegantes devem ter
sofrido com os elogios do Presidente.
Não foram poucas, as vezes em que o Presidente
do Brasil saiu-se com elogios de conotação sexual em público. Sempre
um elogio malicioso, grosseiramente insinuante, que ele e sua equipe
achavam ser um toque personalíssimo de simplicidade no estilo "o
povo gosta é disso". A continuar no caminho, estará correndo risco
de ser enquadrado na Lei de Assédio. O pior aconteceu na presença
da atriz Maria Fernanda Cândido quando o presidente disse que gostaria
de ter sido um dos alunos excepcionais só para ficar perto dela.
Na ocasião fiquei receosa de que ele dissesse que os pais das crianças
eram uns sortudos. Lula não parou por aí e se seguiram fieiras de
atrizes que iam a Palácio sendo recebidas no mesmo estilo. Isto
para jovens e bonitas.
Um dos presidentes brasileiros mais "levados"
foi Juscelino Kubitschek que não podia ver mulher e disto não se
fazia segredo. Nem assim, o grande presidente brasileiro deixava
de ser extremamente charmoso, elegante, discreto e sabia para quem
estava se insinuando. Aliás, de tanto charme penso que na verdade
o assediado era ele.
A moda Lula vem entusiasmando certos tipos
de pessoas do poder. Sem generalizações, mas, mesmo assim, ao que
parece anda fazendo escola.
Um desses que adotaram a moda de elogiar
mulher com uma pitada de malícia de mau gosto ou galanteio à moda
Jece Valadão, o Secretário de Energia do Estado do Rio de Janeiro,
Wagner Victer, na entrega da Medalha Tiradentes da Assembléia Legislativa
à vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
- FIRJAN, Sra. Ângela Costa, segundo a Coluna do Cláudio Humberto
no jornal o Dia.
À moda do improviso da dinastia Lula ou
á moda campista ( pior, se juntou as duas coisas ), o ilustre Secretário
acrescentou ao discurso que o decote da empresária homenageada "
o deixou louco ".O que para ele era um elogio, para quem ouvia ou
para quem soube foi um desabrido atentado à moral : Deixou constrangida
uma seleta platéia presente e expandiu-se pela imprensa fazendo
mais estragos junto aos amigos da vítima.
O colunista Cláudio Humberto perguntou:
vai para os Anais da Casa? Não, não se sabe se foi para os anais
da Casa.
Apuramos que o Sr. Victer é amigo da empresária
em questão. Pior o comportamento. Há pessoas que confundem ou se
confundem com o privado e o público. Quanto mais proximidade com
celebridades ou autoridades maior deve ser o cuidado para, inclusive,
se houver necessidade, negar o grau de intimidade e proteger a pessoa
amiga.
Pessoas que se esquecem de onde estão
e com quem estão formam uma ameaça constante. Ou ainda aquelas que
não são tão íntimas mas que fazem de tudo para assim parecer. O
chinelo não deve sair do quarto e a camisola não deve ir à sala.
Preservar a intimidade, a privacidade dos amigos é obrigação para
quem quiser se dizer amigo de alguém. Deveria ser o primeiro mandamento
da amizade.
Depois dessa confusão, descobre-se que
a Sra. Ângela, naquela ocasião ( herança da eficiente Assessora
de Imagem, Afife Sawaia ), trajava um tailleur. Angela
Costa, alegre e expansiva, que se permite ser feminina mas, uma
mulher de atitude firme e muito política não teria chegado
aonde chegou como empresária que atua em uma área extremamente machista
se não se impusesse pela competência e capacidade de trabalho.
Mas digamos que uma mulher deseje usar
um decote comportado, se tem seios fartos será impossível esconder;
o que não significa que ela os está expondo como provocação. Se
desejar usar uma saia mais curta, deverá fazer e não se preocupar
as taras que pululam as cabeças de homens rudes e/ou inconvenientes,
no mínimo.
Vamos acabar com essas gracinhas de ficar
elogiando mulher, pegando pela vaidade do corpo e da sensualidade
feminina. O ego feminino não fica exposto e pendurado, ao contrário
do masculino. Na verdade fomos nós que começamos esta besteirada
de que somos o máximo. Mais honestas, mais isso mais aquilo, mais
tudo. Não somos nada a mais do que podem ser os homens.
Mas senhores que me lêem, nós somos o
que cada uma pode ser, tanto quanto os senhores. Nem somos loucas
o suficiente para negar que, principalmente, nos dias que correm
as mulheres mais do que nunca transformam seus corpos e habilidades
sexuais em petrechos para suas carreiras.
No que concerne a este assunto, desejamos
que os gracejos do Presidente não façam tantos discípulos para que
possamos dar como encerrada essa etapa da dinastia. E no que diz
respeito aos homens e mulheres investirem em conquistas, nada mais
natural, desde que não sejam misturados os alhos com os bugalhos.
Sobe
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