Muitas pessoas observam os avanços
medicinais da humanidade e não entendem o que possibilitou
tamanho progresso. Há poucos séculos atrás,
a população na Terra não conseguia ultrapassar
a marca de 2 bilhões de habitantes, que tinham uma expectativa
média de vida bastante inferior a atual. Crianças
morriam como moscas, e doenças hoje tidas como banais ainda
levavam muitos para o cemitério. Muito melhorou, e ainda
vai melhorar bem mais. Nada disso é possível pela
reza dos crentes ou pelos desejos dos românticos, mas sim
pela lógica capitalista.
O acúmulo de capital e a incessante
busca por lucro é que permitiram tanto avanço na área
medicinal, assim como na tecnológica. Os laboratórios
farmacêuticos, com acionistas objetivando o lucro, e competindo
em um ambiente de livre mercado, com garantia de direito de propriedade,
criaram o grosso desse avanço. Não é preciso
muito esforço para enxergar isso. Basta ir a uma farmácia
e pesquisar a lista de remédios existentes, checando seus
respectivos produtores. Não veremos lá seitas religiosas,
tampouco o carimbo de governos socialistas. Teremos uma lista como
Pfizer, Merck, Eli Lilly, Novartis, GlaxoSmithKline etc. Todos laboratórios
em busca do lucro, atuando em países capitalistas.
Sei que não falo absolutamente
nada novo ou espantoso. Pelo contrário, é até
evidente demais. Logo, o espantoso mesmo é a quantidade de
gente que ignora isso. São os românticos que criam
um falso dilema, entre o lucro e as vidas a serem salvas, como se
não fosse justamente a busca do lucro que tivesse salvo tantas
vidas. Ou os que odeiam patologicamente o livre mercado e pregam
sempre mais controle estatal, como se a URSS tivesse trazido grandes
avanços para a humanidade. Não creio que uma dor de
cabeça possa ser combatida com um fuzil AK-47. Se bem que
pela lógica comunista até pode, com um tiro na nuca.
Mas com certeza não será uma cura adotada voluntariamente,
como ocorre nas trocas livres entre consumidores e laboratórios.
Como exemplo do sucesso capitalista no
negócio medicinal, temos agora que o Viagra foi o remédio
mais vendido no Brasil em 2005, com cerca de 700 mil comprimidos
por mês. Vários consumidores agradecem a constante
busca de lucratividade da Pfizer, que hoje possibilita a ereção
de muitos que sofriam de impotência. Tal cura não é
milagrosa, no sentido de cair do céu, e muito menos depende
de um decreto estatal. É fruto de pesados investimentos em
pesquisa por parte da Pfizer, que precisa competir com vários
concorrentes no mercado. Os investimentos em P&D da Pfizer passam
dos US$ 7 bilhões por ano, mais que o dobro do que a empresa
gasta em adição de máquinas e equipamentos.
Ela compete no ramo das idéias, do capital intelectual, e
sabe que as curas demandadas, que trarão excelentes retornos
aos seus acionistas, custam caro. Mas compensam, por sorte dos consumidores.
A Pfizer gera um lucro em torno de US$
10 bilhões por ano, com receita acima de US$ 50 bilhões.
Desta forma, pode atender aos anseios dos clientes, emprega cerca
de 115 mil funcionários, paga pesados impostos e ainda vale
quase US$ 200 bilhões na bolsa, para a alegria dos seus milhares
de acionistas. Eis a beleza da lógica capitalista.
Não deixa de ser um milagre! .
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Rodrigo Constatino
é Economista e escreve para o Jornal do Brasil.
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