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Leitura técnica recomendada
Autor:
Roberto de Castro Neves

 

 

 

Mundo dos Negócios, Mercosul, Comércio Exterior, Importação e Exportação, Oportunidades de Negócios, Boas idéias em negócios, Seguros e muito do que você precisa ler para encontrar idéias para seus negócios.

 

      Negócio da China

 


          Jorge Geisel
          Advogado
          
Comunique-se
          22, Maio/2004

 

"Não importa se o gato é branco ou preto, o que importa é que ele cace os ratos".
Deng Xiao Ping

Somos tratados como alvos da ingenuidade presidencial petista. Bombardeados pelas notícias de uma glamurosa viagem de descobrimento de uma China que sempre esteve no mesmo lugar, ficamos imaginando o que vender para um país do qual não sabemos o que comprar.

Comércio international é feito na base das reciprocidades. A Argentina só importa do Brasil em razão de sua exportação de trigo de artigos complementares à economia tupiniquim. Vendemos para os Estados Unidos, em função de nossas grandes importações de produtos "Made In USA". Sem comprar, não se vende nada. As grandes oportunidades de exportação, muitas vezes, surgem quando se está negociando compras.

Por mais que a gente se debruce em análises sobre a China, não se consegue enxergar grandes expectativas de mercado para produtos brasileiros, a não ser o feijão soja. Uma das razões, é a dificuldade e o custo do transporte marítimo entre os portos chineses e os portos brasileiros.

O grande salto comercial da China, foi o de abrir determinadas regiões costeiras ao desenvolvimento capitalista, em contraste com o marasmo e pobreza de sua gigantesca interioridade.Os investimentos privados vindos dos países mais ricos do mundo, aproveitaram-se da mão-de-obra baratíssima, desvinculada de sindicatos e sujeitas ao poder de polícia do Partido Comunista, para montarem seus negócios de exportação milionários. Ou seja, a China só é promissora para quem ajuda o Partido Comunista a manter a população escolhida com trabalho e a boca fechada para qualquer crítica ou manifestação de contrariedade- ela só abre a boca para comer a produção barata, produzida pelos agricultores escravos de seu imenso e paupérrimo interior.

Realmente, o capitalismo é meio burro e cego, e sempre oportunista, em matéria de concessões e, até, de adesões a regimes políticos que, lá no fundo, lhe devotam ódio e planos de extinção. Não fosse isso, no Brasil não teríamos as polpudas doações de banqueiros, de empresários da indústria e do comércio, de empreiteiros, aos candidatos de esquerda. Mesmo tributados com terrorismo e impiedade, sempre acalentam fechar bons negócios, quem sabe um dia, com o Estado Amebão que os devora. Uma ignorância capitalizada em busca do abismo...

Montar uma comitiva presidencial, ministerial e empresarial com meio milhar de pessoas, para uma viagem supostamente de negócios e muito mais de comilanças regadas a promessas ideológicas do que qualquer outra coisa, não ultrapassa em seriedade qualquer tentativa lusitana em abocanhar o mercado das especiarias asiáticas, no Século XVI.

Na China, a corrupção é grande mas não é publicada. As discordâncias são fuziladas. Os estudantes são assassinados em plena Praça da Paz Celestial. As minorias são perseguidas e um país pacífico, soberano limítrofe, como o Tibete, pode ser anexado, transformado em província politicamente dócil pela violência policial e militar, sem qualquer alarde ou protestos populares no mundo ocidental. A Internet é a do Estado. Os meios de comunicação são absolutamente controlados - um inferno para os jornalistas de vocação. Um paraíso para os estatocratas.

O milagre chinês, com seus 10% de crescimento econômico anual, não é nada em face dos atrasos promovidos pela "Revolução Cultural" do companheiro Mao à população de um bilhão de pessoas, de todas as idades, encarceradas nas jaulas de produção sob controle da brutalidade estatal.

A companheirada e os idiotas do séquito oficial, não devem deixar de anotar nos relatórios da tão esperançosa viagem, que para chegar àqueles 10%, o socialismo chinês teve que pisar nos direitos humanos, na adesão ao trabalho escravo, na criação de áreas liberadas ao investimento capitalista estrangeiro e na prática comunista de perseguição implacável à qualquer oposição. Se, por acaso, concordarem com tudo isso, já terão feito um negócio da China. Certamente, não para o Brasil.

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