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Puppio:
vítima da burocracia brasileira, o empresário não conseguiu
financiar a expansão do seu negócio.
Domínio
Feminino vê nesse exemplo, a melhor definição
para o melhor do Brasil: é o brasileiro que conseguiu
ver além dos horizontes verde-esmeralda e o trocou
pelo azul-piscina de países com mais oportunidades,
que reconhecem o esforço de quem deseja produzir
e facilitam ações inteligentes.
Desde o início deste ano, 40 pessoas ganharam emprego numa
nova fábrica de máscaras respiratórias instalada na pequena
Campbellsville, cidade de 24 000 habitantes localizada no
interior do estado americano do Kentucky. São funcionários
da Air Safety, uma empresa que, apesar do nome em inglês,
pertence a um brasileiro. Seu dono é José Puppio, engenheiro
que fez carreira em empresas como a Embraer e a Mercedes-Benz,
e fundou a Air Safety em São Paulo há dez anos. Com 180 funcionários
no Brasil, a Air Safety faturou 15 milhões de reais em 2003.
Com a filial americana recém-inaugurada, Puppio espera dobrar
sua receita total neste ano.
A
história da Air Safety é um exemplo acabado das diferenças
brutais de ambiente encontradas no Brasil e nos Estados Unidos
quando o assunto é fazer negócios. Desde 1997, Puppio tenta
implementar um projeto de ampliação de sua operação brasileira
com a construção de uma nova fábrica. Sem conseguir financiamento,
ele até agora ergueu com recursos próprios apenas o esqueleto
de um dos prédios planejados. "O Brasil é um país que oferece
muitas oportunidades, mas estrangula o empreendedor", afirma
Marco Gregori, professor de empreendedorismo e inovação da
Business School São Paulo, escola de pós-graduação em negócios.
Em contraste com a dificuldade de ampliar o negócio por aqui,
em me nos de três anos Puppio partiu do zero nos Estados Unidos
e montou uma fábrica -- com estímulo e crédito do governo
americano. Recentemente, ele recebeu, inclusive, uma carta-padrão
assinada pelo presidente George W. Bush agradecendo pela geração
de empregos.
Puppio
começou a pedir financiamento no Brasil quando sua empresa
tinha apenas três anos. Suas vendas cresciam rapidamente porque
o mercado era abastecido basicamente com produtos importados.
Ele solicitou ao Banco do Brasil 7 milhões de reais de uma
linha fornecida pelo BNDES. O objetivo era levar a Air Safety
da área apertada que ocupava no bairro paulistano de Santo
Amaro para uma fábrica maior a ser construída em Pindamonhangaba,
no Vale do Paraíba. O pedido foi recusado. "Recebi como resposta
que o projeto era muito grande para o porte da minha empresa",
diz.
Sem
o crédito, Puppio começou a tocar o plano conforme podia.
Em 2000 terminou de pagar o terreno. No ano seguinte, tentou
novamente o financiamento, dessa vez com um projeto de 4 milhões
de reais. Outra negativa. "Disseram que com meu faturamento
não conseguiria pagar a prestação", afirma ele. "Para o dinheiro
sair, eu teria de apresentar como garantia um patrimônio de
cinco vezes o valor do empréstimo."
Enquanto
tentava superar os obstáculos no Brasil, Puppio atacou em
outra frente: alugou um estande minúsculo numa feira de equipamentos
de segurança em Orlando, na Flórida. Aí ele acertou em cheio.
Seus produtos chamaram a atenção de representantes de um comitê
de desenvolvimento industrial do governo americano. A justificativa:
máscaras respiratórias são consideradas equipamento estratégico
para a segurança nacional. Puppio foi consultado sobre a intenção
de instalar uma filial da Air Safety nos Estados Unidos. "Disse
que não tinha dinheiro", afirma ele. "Responderam que dinheiro
não seria problema."
Nos
dois anos seguintes, Puppio passou por um processo que incluiu
uma visita ao Senado americano e a cidades que oferecem incentivos
para a implantação de fábricas. A escolha acabou recaindo
sobre Campbellsville, por contar com uma universidade, de
onde viria apoio técnico. No final de 2001 ele recebeu um
empréstimo de 3 milhões de dólares para pôr em prática o projeto.
Dois anos depois, estava com tudo pronto, mas não tinha capital
de giro para ativar a produção. Em pouco tempo, mais 2 milhões
de dólares foram liberados. "Não tenho cidadania americana,
nunca tinha feito negócio nos Estados Unidos e recebi 5 milhões
de dólares para produzir", diz Puppio. "Aqui, onde nasci,
tenho família e uma firma que sempre operou no azul, não consigo
nada."
Pelos
critérios do BNDES, a empresa de Puppio é considerada de porte
médio. No ano passado, foram liberados pelo banco 2,6 bilhões
de reais para empresas com faturamento na faixa de 10,5 milhões
a 60 milhões de reais. Não há dados sobre quantos pedidos
foram recusados. "Sabemos que nossos agentes financeiros às
vezes exigem reciprocidade e não estimulam os gerentes a fornecer
o crédito", diz Maurício Borges Lemos, diretor de operações
externas do BNDES. "Mas estamos tentando melhorar as condições
de acesso."
| Estímulo
e desestímulo |
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| As diferenças
nas condições de um empréstimo para pequena empresa no
Brasil e nos Estados Unidos Brasil Estados Unidos |
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| Juros anuais |
15% |
5% |
| Prazo de pagamento |
5 anos |
30
anos |
| Garantias exigidas |
Patrimônio equivalente
a cinco vezes o valor do crédito |
A
própria construção é hipotecada |
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| Fontes:
BNDES, Banco do Brasil, empresa |
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Sobe
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