Oportunidades,
Negócios nacionais e internacionais e Serviços
AMEX
SE ATRAPALHA
NA
COMUNICAÇÃO
Roberto
de Castro Neves
Publicado
no Domínio Feminino
19,
Fevereiro /2002
American
Express vai demitir 6500 funcionários, informam
os jornais. A AMEX – primeira agência de viagens
e quarta maior empresa de cartões de crédito
nos Estados Unidos – não agüentou o tranco dado
na economia mundial pelos atentados terroristas ao World
Trade Center, em 11 de setembro último. Nos negócios
da agência, as vendas caíram 46% em outubro e
38% em novembro em comparação aos mesmos meses
no ano anterior. Os usuários de cartões de crédito
também se retraíram. Não há quem
agüente um tranco desses. E a sangria não vai
parar por aí. A situação dos que ficarão
na empresa não será nenhum mar de rosas. Kenneth
Chenault, CEO da empresa, anuncia redução
de salários de seus gerentes no próximo ano,
incluindo o próprio. "Este foi um ano para a American
Express esquecer" – declara um importante analista financeiro
em Nova Iorque. Em suma, três meses depois, os atentados
terroristas continuam fazendo vítimas. Só nesse
passaralho, vão se lá mais 6500, por sinal um
número bem superior ao dos desaparecidos naquela trágica
manhã de terça-feira.
Até
aí, tudo bem, quer dizer, tudo mal, tudo péssimo.
Mas fazer o quê? Empresa privada é assim mesmo.
A economia desaba, caem as vendas, os resultados vão
pro brejo, acaba sobrando para os empregados e acionistas,
nessa ordem. É bala com bala. Não há
o dinheiro do contribuinte para salvar os empregos e manter
os salários como se nada tivesse acontecido no mundo.
É assim que a banda toca para quem vive fora da ilha
da fantasia. Aliás, a esmagadora maioria dos mortais.
Mas
falar de crises econômicas e suas conseqüências
não é o motivo deste artigo. O que queremos
analisar é a frase que os comunicadores da AMEX
escolheram para estampar nos promocionais enviados aos associados
do cartão: "FIM DE ANO COM A AMERICAN EXPRESS
É SÓ ALEGRIA".
Fico
aliviado em saber que você, leitor(a), também
achou esquisito. A gente até entende, tá certo,
a vida continua, águas passadas, etc. E "fim de
ano" pode ser um bom gancho para virar o jogo. Mas péra
lá. Ponha-se na posição de funcionário
da AMEX, também usuário do cartão
(espero!), recebendo esta mensagem junto com a notícia
de que pode sambar antes do carnaval chegar. Pois é.
Este
choque entre a comunicação interna e
a comunicação externa acontece nas melhores
famílias sempre produzindo belas esquizofrenias.
Nessas horas, a rádio-corredor
dá picos de audiência. Por que esses choques
acontecem? Porque, em nove entre dez empresas, os responsáveis
por estas comunicações não trabalham
de forma integrada. Noutras palavras, quem fala com os chamados
públicos externos (clientes, acionistas, mídia,
etc) não fala com quem fala com o público interno.
O fenômeno, quando não resulta em coisa pior,
dá nisso. Samba do crioulo doido. Não tenho
elementos para garantir que essa explicação
se aplica ao caso em questão. Mas, prefiro achar que
foi isso para rejeitar de saída a hipótese do
sadismo explícito, parente próximo do terrorismo
psicológico.
Roberto de Castro Neves, www.imagemempresarial.com
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