Muito
das " crises " que pensamos estar enfrentado, algumas
delas são causadas, não raro, pela insatisfação
pessoal de um do par. Insatisfações e frustrações
que acabam por serem projetadas no outro. Cabe pensar o que é
"meu", o que é " dele" e o que é
"nosso". Quando se encontra a resposta no que é
"nosso" aí sim, há o risco de se estar
vivendo uma crise conjugal. Mas, o que é "meu"
e o que é "dele" se não for cuidado, sem
dúvida acabará por transformar em " nosso"
problema.
A
noção de companheirismo está mais para amenizar
essas individualidades; ao repartir o que é de um com o
outro exerce-se o companheirismo que ameniza o sentimento de solidão
com determinado peso de responsabilidade individual. Dividindo
com o marido certa carga de frustrações e instatisfações
decorrentes da vida profissional, ou que seja até com insatisfação
de desenvolver determinadas tarefas que diz respeito ao lar e
à casa o caminho para não acumular essas frustrações
já garantem que se evite uma crise. O marido por sua vez,
encontrando o mesmo respaldo não travará os sentimentos
dele.
O que
acontece quando se trava os sentimentos por muito tempo seguido
é que acaba-se por se ter mais vontade de falar, de desabafar.
Assim o silêncio será uma incômoda tônica
na vida de um casal. Depois, tudo é uma grande solidão,
uma grande mágoa. Imensa. Continuando, o bolo vai crescendo
com o fermento da mágoa e do silêncio. " Eu
não falo com ele porque não vai adiantar, ele não
vai ouvir" . O inverso acontecendo paralelamente. Abalada
a noção e o sentimento do que seja companheirismo,
só resta a solidão. Um vaga pela casa evitando o
outro. Os projetos não incluem o outro, os desejos não
incluem o outro.
O casal
ao agir de forma desrespeitosa, individualmente. ofende o conceito
de conjugação de vida íntima. O desrespeito
não acontece apenas com atitude ou comportamento; ela acontece
a partir do momento em que o outro não foi participado,
ou convidado a participar quando poderia ter sido. E a pergunta
é por que fui esquecido, ou esquecida?
Se prestarmos
bem atenção, os filhos têm um peso muito importante
nessas crises. A carga de cobrança feita à mãe
que por sua vez, devidamente, a divida com o pai. Não raro
as posições se polarizam de acordo com a situação
do casal naquele momento. A mãe muitas vezes entendem com
mais facilidade as situações dos filhos. E quando
acontece de o pai não concordar, há sempre a tentativa
de um prevaler sobre o outro e o ( ou os ) filho ( os ) sem querer,
colaborar com a instauração de uma marola conjugal.
É claro que em circunstâncias normais, em não
havendo outros tipos de conflitos vividos, mesmo que individualmente,
o casal tira de letra. Mas quando jã existe um processo
subterrâneo. A gota d' água faz barulho.
Qualquer
crise tem sempre a característica de passageira, enquanto
se tome providências para esmiuçar suas causas.
Thereza G. Guedes
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Texto extraído do livro O homem nosso de cada dia,
a ser publicado.