.
                                   
                        
 
     
                                                   
       Lutando       
                         

 

 

Separação
  Papeando
  Artigos
  Crise
  Chegou a hora?
  Violência
  Entrevistas
  Hora das Contas
Separação

 

 

 

 

Dia do
Consumidor
 

Maria José Loredo Moreira de Souza, mulher, mãe, vítima.
Qual o tamanho da solidariedade feminina? Ela existe mesmo ?

 
Seja ditadora
da sua moda

Incremente a moda de inverno, começando desde já a preparar peças de roupas e acessório em tricô. Um pulover personalizado ou uma suéter com estilo.

 
Como estão as cortinas da sua casa?
 

Mesmo com dinheiro suficiente, sobrando, nós mulheres brasileiras precisamos aprender o que já sabem as mulheres dos países ricos: economizar, gastar menos e ter qualidade e durabilidade.
Durabilidade é a palavra-chave. Se um bem tem durabilidade isto significa economia. Essa máxima deveria ser utilizada para vestuário, roupas de toda a ordem, cama, mesa, banho e o mais.

 

Portal www DominioFeminino com

 

 

 

Dra. Tania Almeida

 

Entrevista com Dra. Tania Almeida

 

Médica; psicoterapeuta individual  e de família; Conciliadora e Mediadora; Docente e Supervisora do ITF-RJ - Instituto de Terapia de Família do Rio de Janeiro; Consultora, Docente e Supervisora em Mediação, Mediação Familiar, Comunitária e em Organizações; Sócia Fundadora do MEDIARE - Centro de Mediação e Resolução Ética de Conflitos do Rio de Janeiro; Coordenadora do Setor de Mediação e outros Instrumentos de Resolução Alternativa de Disputas (RAD) do NOOS - Instituto de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimento de Redes Sociais - RJ; coordena a comissão de Ética do CONIMA - Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem e integrou os grupos de trabalho para elaboração do Código de Ética e Regulamento Modelo para Mediadores, do Currículo-Padrão para Capacitação Básica em Mediação no Brasil e do Anteprojeto de Lei de Mediação; Integra a Junta Diretora do Forum Internacional de Mediação.

E-mail para: mediare@mediare.com.br

DomínioFeminino — Há alguma coisa que sinalize o momento da separação?

Dra. Tania Almeida — O momento da separação não acontece de repente. Ele é construído ao longo do tempo, em um passo a passo de insatisfações, mágoas e ressentimentos. É um processo mais ou menos longo que assinala o seu ápice através do nosso limite de suportar a dor ou o desconforto por estarmos naquela relação.

DomínioFeminino — Como se pode saber que chegou a hora de decidir pela separação?

Dra. Tania Almeida — Os cuidados com a relação devem ser diários o que, tal  qual ocorre com nossa saúde física, não elimina a possibilidade de adoecimentos. Os adoecimentos  da relação, geralmente, acontecem aos poucos e merecem atenção redobrada para que a saúde possa “ser” recobrada.
Raramente as pessoas se casam com a intenção de chegarem à uma separação. Ela surge como uma solução entendida como possível na vigência de muito sofrimento frente ao diagnóstico da morte ou agonia da relação conjugal. Quando identificamos que todos os esforços e “tratamentos” foram feitos para evitar a morte ou a sobrevida sem qualidade da relação, vivemos a sensação nítida que sua dissolução é o melhor remédio.

DomínioFeminino — Quais as possíveis manifestações de separação iminente?

Dra. Tania Almeida — Quando o dia a dia vai mostrando que a convivência traz mais dor do que prazer, mais desentendimentos que cumplicidade, mais evitação do que desejo de estar junto a manutenção da vida em comum traz consigo o risco de transformar o que era cuidado em maltrato, o que era compreensão em briga, o que era carinho em agressão. Sinal vermelho. É preciso fazer alguma coisa. A convivência está mostrando que a relação está descumprindo todos os seus propósitos.

DomínioFemininoAcontece de a mulher por medo, fingir não reconhecer essas manifestações sintomáticas?

Dra. Tania Almeida — Tenho convicção que sim. Evitar é um mecanismo de defesa saudável, até determinada dosagem, para aliviar-nos do sofrimento. A sobredosagem da evitação, como em todo “medicamento”, começa a trazer danos pessoais; de moderados a grandes que, acrescidos àqueles oriundos da insatisfação proporcionada pelas graves dificuldades relacionais, podem colocar em risco a saúde física e mental do seu usuário. Como é um momento de muita fragilidade, devemos ter cuidado com os recursos que usarmos; muitas vezes a voz dos amigos ou dos especialistas nos ajudam a identificar condutas e posturas também adequadas à situação e menos danosas para nós mesmos.

DomínioFeminino — Como distinguir a premência de uma separação de uma “crise” conjugal?

Dra. Tania Almeida — As crises conjugais, maiores ou menores, fazem parte do dia a dia, do mês a mês, do ano a ano da convivência. Elas podem ser comparadas com outras crises da nossa saúde, não emocional mas física. Existem as crises da saúde física que tratamos em casa, as que recorremos ao médico para auxiliar no tratamento, as que nos levam ao hospital, ao CTI e aquelas que nos levam à morte. As crises da saúde emocional não são diferentes e, necessitam semelhante cuidado; sabemos quando tratá-las em casa ou não e, quando não sabemos fazer esta distinção, os especialistas sabem.

DomínioFeminino — Uma mulher sem situação financeira ou familiares que lhe possam oferecer acolhida temporária, como deve proceder para superar esses entraves que a impedem, muitas vezes, a decisão de desfazer a relação conjugal?

Dra. Tania Almeida —  Relação é algo que estabelecemos com  outra pessoa, em comum acordo. Desfazer uma relação implica, em primeira instância, em um descompromisso de ambos. Neste caso, as soluções e providências cabem a ambos. Ambos têm que administrar as perdas e os exigênciais, os ganhos e os benefícios deste descontrato. A impossibilidade da separação física por ausência de condições financeiras, tem sido questão para muitos casais na atualidade. Nesses casos é necessário negociar regras mínimas de convivência que garantam a coabitação com um mínimo de prejuízos emocionais para ambos e os filhos. Quando estes prejuízos se avolumam ou fazem adoecer física ou psicologicamente as pessoas da convivência ou ainda, somam-se prejuízos físicos e emocionais por agressões, com dinheiro ou sem ele, a separação de corpos precisa ocorrer. Nestas situações, a rede de recursos que todos nós possuímos pode transcender à rede familiar e incluir os amigos, as instituições, organizações e até mesmo setores governamentais afins.
De qualquer forma vale lembrar que, nestes casos,  a atuação preventiva reduz custos emocionais, físicos e financeiros.

 

DomínioFeminino — Como se sentem as mulheres em vias de separação ao pensar em ter que enfrentar as perguntas dos amigos e familiares sobre os motivos da separação?

Dra. Tania Almeida —  As perguntas podem, quase sempre, ser respondidas levando-se em conta nossas possibilidades de responder com as necessidades do outro de saber a respeito. Esta é uma ótima regrinha de bem-estar. Há coisas que se sabe mas que não interessa ao outro ter conhecimento; há coisas que o outro quer saber que não são possíveis de serem respondidas. Às vezes as impossibilidades de responder são daquele momento ou daquelas circunstâncias. Deixar o outro que pergunta saber disso, pode ser útil. Se ele está interessado em “ajudar” , vai entender;  se não, vai precisar suportar o nosso limite. De qualquer forma, é bom não se esquecer de identificar aqueles com quem podemos ampliar a conversa e encontrar ajuda em outro momento.

DomínioFeminino — Quais são as etapas que se seguem, no plano pessoal, após a decisão pela separação?
 

Dra. Tania Almeida —  Raramente esta é uma decisão a ser tomada sem a ajuda de um interlocutor. Os próprios parceiros, alguns familiares, certos amigos, grupos de pertinência  —  de trabalho, religiosos —, terceiros imparciais como terapeutas, mediadores de conflitos e/ou advogados, podem nos auxiliar a compor o nosso próprio diálogo e com os outros envolvidos na separação. Sem dúvida, os interlocutores são úteis desde a construção da decisão até sua participação a quem de direito e de desejo, com todos os cuidados que se fazem necessários. A identificação da rede de pessoas e de instituições que podem trazer suporte auxiliando em qualquer etapa da separação é fundamental. O cuidado com nós mesmos é imprescindível e por vezes vital; neste momento as pessoas da nossa rede de suporte podem estar nos ajudando, como suplentes,  a cuidar daquilo que, por direito, desejo ou dever, necessitaríamos estar cuidando dos  filhos, casa, trabalho.


Os estudiosos do assunto acreditam que quanto mais esgotarmos as possibilidades para “salvar” a relação conjugal, melhor poderemos sobreviver à sua perda; os especialistas no trabalho com filhos de casais divorciados acreditam que quanto mais funcional puder se manter o casal parental (pai e mãe), menores as repercussões disfuncionais na vida dos filhos. Para cuidar dos filhos é necessário cuidar do casal parental. Cuidar de não transformá-los em moeda relacional e cuidar de pôr legenda no filme, mudo ou sonoro, que estão assistindo sobre o desentendimento dos pais; conversar com os filhos sobre o que eles estão vendo e/ou percebendo, numa linguagem própria à idade deles, é fundamental.


As separações são muitas: do parceiro, de alguns de seus familiares, de alguns amigos comuns, de alguns itens do patrimônio, de um determinado status  financeiro, da forma como a convivência com os filhos estava organizada, da estrutura familiar então vigente, de alguns valores, algumas crenças, de muitos projetos.

É bom identificar estes e outros elementos contidos na separação para administrá-los um a um, cada qual a seu tempo, evitando colocá-los inadvertida e custosamente no mesmo nível de prioridades e/ou necessidades ou esquecer alguns deles como integrantes do processo de separação.


Seja qual for a seqüência de eventos de uma separação em particular, devemos incluir, dentro do possível, para todos os envolvidos, cuidados que auxiliem a bem administrar e suportar, seus custos para todos os envolvidos.

DomínioFeminino — E os filhos? Como ficam os filhos na relação pós-separação?

Dra. Tania Almeida —  Eles ficarão tão menos entristecidos e comprometidos quanto maior for o entendimento entre seus pais. A manutenção do diálogo entre os pais evita que se ofereçam ou sejam solicitados como veículo de comunicação entre eles; a manutenção do diálogo entre os pais e do respeito aos filhos evitam que eles se transformem em moeda de negociação entre o ex-casal.

Morando com seus pais ou com suas mães, os filhos precisam ter garantidos os direitos de ir e vir a um e a outro, aos amigos destes e às suas famílias de origem. O divórcio é, restrito a instância do ex-casal; jamais a instância pais, família dos pais ou, com muito maior razão, a instância dos irmãos.

DomínioFeminino — A sra. concordaria que em muitos casos os pais separados deixam pesar certas cobranças sobre os  filhos?

Dra. Tania Almeida —  Pais separados conferem aos filhos o direito à dupla cidadania, duplo passaporte, contato com duas constituições

diferentes que merecem ser apreendidas e respeitadas. Se estes dois "países"  entrarem em guerra, conferem aos seus cidadãos, os filhos, uma carteirinha de traidor com valor de 24 horas por dia; seja qual for o território em que os filhos se encontrem em determinado momento, seja qual for com qual dos dois governantes  estiver falando ou qual das duas constituições estiver seguindo, estarão traindo o outro.

DomínioFeminino — O que fazer para superar as perdas e a sensação de culpa?

Dra. Tania Almeida —  A perda é real. Precisa ser vivida como tal para que não passe a atriz principal das incontáveis cenas que teremos ainda para viver. O luto, com todos os seus ingredientes  — tristeza, choro, raiva, sentimentos de culpa, frustração e dor — precisa ter lugar, para que não passe a colorir o muito que ainda haverá para ser vivido.
Muito raramente a contribuição para o término de uma relação é unilateral. Não somos culpados pelo término das relações: somos sim, co-responsáveis. Seremos no entanto, responsáveis únicos, pelo curso que imprimirmos à nossa própria vida após a separação.

DomínioFeminino — Quais as etapas a seguir na forma jurídica e legal?

Dra. Tania Almeida —  Ocorrida a separação, faz-se necessário cuidar do seu passo a passo emocional, e do seu passo a passo legal. As uniões conjugais são legitimadas pelo Estado que lhes atribui direitos e deveres; ele precisa ser comunicado a respeito do seu término. É necessário construir acordos a respeito deste descontrato para que se tenha claro como proceder com as antigas “cláusulas contratuais”, ao término de sua vigência.
Questões como a continuidade da manutenção financeira, reorganização da convivência dos filhos com os pais e sobre como farão os pais para se manterem cuidadores, educadores e responsáveis por seus filhos na não-existência da relação conjugal demandam acordos.

DomínioFeminino — Como esses acordos são construídos e quais os instrumentos disponíveis que auxiliam na elaboração dos mesmos?

Dra. Tania Almeida —  Estes acordos podem ser construídos pelos parceiros de forma independente; podem ainda ser construídos por eles e terceiros imparciais que os auxiliem — terapeutas de casais, mediadores, advogados; por seus representantes legais ou, em última instância, a construção de cláusulas do novo acordo podem ser delegadas aos juízes das Varas de Família, no caso de não haver consenso a respeito delas, entre ex-marido e ex-mulher. Cada uma destas abordagens possui características próprias e auxiliam a construir  contextos e recontratos de diversas naturezas. Nas futuras relações de parceria e na futura relação dos pais envolvidos na separação conjugal, estes novos contextos e recontratos criados, estarão contribuindo com seu tom, cor e sabor.
Os acordos realizados em espaços de terapia de casal que se dedicam especificamente ao divórcio, são passíveis para aqueles casais que conseguem manter um diálogo minimamente amistoso e capaz de produzir consenso a respeito de coisas comuns — são espaços que estarão cuidando da manutenção de uma relação parental de qualidade e relembrando que esta é uma relação que permanecerá e está referida ao filho, ou aos filhos, e à mãe ou pai deles, não ao ex-cônjuge.


Os acordos realizados através da Mediação podem ocorrer antes, durante ou após a separação, tendo no Mediador um terceiro imparcial escolhido voluntariamente pelas partes (ex-casal) e comum a ambas; um facilitador da comunicação — ou da restauração da comunicação se a mesma se apresenta interrompida —  e da negociação entre o casal. Pode ser utilizada na vigência da separação consensual ou litigiosa e trabalha no sentido de manter com as partes as decisões sobre as próprias vidas, apesar do desentendimento. A Mediação foca nos interesses comuns, lembrando permanentemente que os filhos são um deles.


A Mediação cuida também de ajudar a transformar uma relação adversarial em colaborativa e a manter viva a possibilidade e capacidade de negociação dos pais a respeito dos filhos, independente do nível de desentendimento mantido entre eles. 

Os advogados de cada um podem atuar como conciliadores e facilitar o diálogo e a construção de acordos pelo ex-casal, ajudando a manter a harmonização proposta pela conciliação e a permanecer com os ex-cônjuges, as decisões sobre o futuro de suas vidas e a de seus filhos.


Independentemente do caminho eleito, a homologação judicial é que selará e validará juridicamente estes acordos co-construídos pelos ex-cônjuges. 

É consenso que as pessoas cuidam e respeitam aquilo que criam e, os acordos co-construídos pelo par da separação ganham em legitimidade e efetividade na medida em que sua co-autoria amplia o respeito ao seu cumprimento.
 

 

Leia Entrevista

DF
Interativas

Amizade

ClubeDF

CtrlQualidade

Participe
Expatriates

Onça

Amor

Seguros

Socorro

Trabalho&

Negócios

Serviços

Separação

Moda

ElesPorEles

Viagem

Cultura

NetColun@

NetHumor

Brechando

Entrevistas

Mulher

JovensElas

Noivas/Noivos

Perfumes

Lar&Casa

Lojas

Saudável

Internacional

Lazer

Lojas

Temáticos

Editorial
Opinião
Editora
DF

Domínio Feminino © 1998 -2003. Todos os direitos reservados. ] Brasil - Brazil, we speak brazilian portuguese