Desde
os primeiros dias de recém-casados, quando o par conjugal
passa a conviver com as imperfeições um do outro,
descobre o quanto vai necessitar ceder e trabalhar para conseguir
ocupar seu espaço em nome da harmonia. Desde este momento,
tão primeiro na vida de um casal, as pequenas crises,
mesmo as momentâneas passarão a fazer parte do
cotidiano. Impossível uma relação tão
próxima como a vida em comum não gerar desconfortos
mas, com tato e bom senso, sabe-se que nunca se deve chegar
as vias de um impasse. Ou seja, deve-se deixar uma janela, ou
mesmo uma seteira aberta, para a recondução do
diálogo.
Muito
das " crises conjugais " que pensamos estar enfrentado,
algumas delas são causadas, não raro, pela insatisfação
pessoal de um do par. Insatisfações e frustrações
que acabam por serem projetadas no outro. Cabe pensar o que
é "meu", o que é " dele" e
o que é "nosso". Quando se encontra a resposta
no que é "nosso" aí sim, há o
risco de se estar vivendo uma crise conjugal. Mas, o que é
"meu" e o que é "dele" se não
for cuidado, sem dúvida acabará por transformar
em " nosso" problema.
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A
noção de companheirismo está mais para
amenizar essas individualidades; ao repartir o que é
de um com o outro exerce-se o companheirismo que ameniza o sentimento
de solidão com determinado peso de responsabilidade individual.
Dividindo com o marido certa carga de frustrações
e instatisfações decorrentes da vida profissional,
ou que seja até com insatisfação de desenvolver
determinadas tarefas que diz respeito ao lar e à casa
o caminho para não acumular essas frustrações
já garantem que se evite uma crise. O marido por sua
vez, encontrando o mesmo respaldo não travará
os sentimentos dele.
O que
acontece quando se trava os sentimentos por muito tempo seguido
é que acaba-se por se ter mais vontade de falar, de desabafar.
Assim o silêncio será uma incômoda tônica
na vida de um casal. Depois, tudo é uma grande solidão,
uma grande mágoa. Imensa. Continuando, o bolo vai crescendo
com o fermento da mágoa e do silêncio. " Eu
não falo com ele porque não vai adiantar, ele
não vai ouvir" . O inverso acontecendo paralelamente.
Abalada a noção e o sentimento do que seja companheirismo,
só resta a solidão. Um vaga pela casa evitando
o outro. Os projetos não incluem o outro, os desejos
não incluem o outro.
O casal
ao agir de forma desrespeitosa, individualmente. ofende o conceito
de conjugação de vida íntima. O desrespeito
entre um casal, não acontece apenas com atitude ou comportamento;
ela acontece a partir do momento em que o outro não foi
participado, ou convidado a participar quando poderia ter sido.
E a pergunta é por que fui esquecido, ou esquecida?
Se
prestarmos bem atenção, os filhos têm um
peso muito importante nessas crises. A carga de cobrança
feita à mãe que por sua vez, devidamente, a divida
com o pai. Não raro as posições se polarizam
de acordo com a situação do casal naquele momento.
A mãe muitas vezes entendem com mais facilidade as situações
dos filhos. E quando acontece de o pai não concordar,
há sempre a tentativa de um prevalecer sobre o outro
e o ( ou os ) filho ( os ) sem querer, colaborar com a instauração
de uma marola conjugal. É claro que em circunstâncias
normais, em não havendo outros tipos de conflitos vividos,
mesmo que individualmente, o casal tira de letra. Mas quando
jã existe um processo subterrâneo. A gota d' água
faz barulho.
Qualquer crise tem
sempre a característica de passageira, enquanto se tome
providências para esmiuçar suas causas.