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Por que o vinho?

 
Por: Marcelo Copello

 

 

 

"Procura ser feliz ainda hoje, pois não sabes o que te reserva o dia de amanhã. Toma urna taça cheia de vinho, senta-te ao clarão do luar e monologa: "Talvez amanhã a lua me procure em vão"

Omar Khayyam

O Vinho é um dos mais antigos assuntos da literatura. Nela ocupou lugar de destaque em todas as eras. Porém, como disse L.F. Veríssimo: "já se disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer outro assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna". Não quero engrossar estas fileiras. Vou me ater ao essencial.

O vinho pode ser visto sob diversos ângulos: como um poderoso e saudável alimento; como um produto comercial, que tem um preço e deve dar lucro; como uma mera bebida alcoólica que se bebe para se ficar bêbado; como símbolo de status, sofisticação e esnobismo; como história líquida que acompanha a espécie humana desde os primórdios da civilização; e como fonte inesgotável de prazer e descobertas. O vinho é tudo isto, e pretendo abordar todos estes aspectos.

Quero transmitir uma idéia, uma maneira de pensar e ver o mundo e não apenas ser mais um acadêmico impingindo um monte de regras ao leitor. Não falo de enologia, mas de filosofia, ou devo dizer enosofia! Alguém ainda duvida de que a alimentação afeta o comportamento? A escolha do alimento é uma escolha existencial pela qual se chega a construção de si mesmo. O problema dietético é apolíneo (e logosófico): é a arte do escultor de si mesmo.

"Pensamos , sonhamos e agimos segundo o que bebemos e comemos" Marinetti.

"O homem não é mais artista, ele é a própria obra de arte" Nietzche.

O regime é toda uma arte de viver. Também maneira de sonhar, de fantasiar. A dietética informa sobre o que gostaríamos de ser. O papo está muito cabeça? Não se preocupe serei bem direto e prático quando assunto exigir, por enquanto estou tentando convencer você da importância do mesmo.

Aviso : Não pretendo formar snobs. Se você já é um snob amador poderá aqui se profissionalizar. Mas este não é o meu objetivo, pelo contrário, o objetivo é dismistificar e disseminar conhecimentos, e não ditar sabedoria nem impor gostos. Pretendo mostrar a lógica do vinho, o porquê das regras, para que você pense, e conscientemente desenvolva seu paladar e chegue as suas próprias conclusões.

Não serei técnico, mas voltado para o leigo. O leigo que deseja continuar leigo, mas agora com estilo. Vamos, com bom humor e joie de vivre colocar a sofisticação do vinho ao alcance de todos. Vamos tira-lo do pedestal e colocá-lo na taça e na goela. Devemos lembrar que o objetivo final do vinho é emocionar quem está bebendo. Portanto não dê atenção aos bebedores de rótulos e deixe que o vinho cumpra a sua função. Para tal, no entanto, existem algumas regras básicas que veremos aqui e que farão com que você se emocione ainda mais ou descubra novas emoções !

Não faço apologia das bebidas, mas sim do bem beber, que é uma arte. Não pretendo formar artistas pois estes já nascem formados, mas como para qualquer arte existe uma técnica e, esta não pode ser ignorada pelos artistas que querem se tonar virtuoses. Tornar-se um virtuose na arte de beber vinhos é encher sua vida de saúde, gostos, aromas e alegrias que certamente serão compartilhados com muitos amigos.

Como identificar o "vinho bom"

Vinho é simplesmente o suco de uva fermentado, nada além disso. Vinho de outras frutas não é vinho, vinho é do fruto da videira. Dêem portanto outros nomes a outros fermentados de outras frutas, mas não vinho.

Como surgiu o vinho? Dizem que foi por acaso. Para que o vinho surja basta espremer as uvas e esperar. Deve ter surgido espontaneamente em algum recipiente aonde as uvas tenham sido amassadas e deixadas ao acaso.

O vinho é uma bebida de congregação. Motiva a reunião de pessoas em torno de uma garrafa. Faça isto regularmente com seus amigos e verá o poder de aglutinação que só o vinho proporciona.

Respondo desde já uma pergunta que me fazem com freqüência. "Que vinho você recomenda?". Três fatores identificam o "vinho bom".

 

1 - O que melhor se adapta a seu gosto pessoal (espero que você desenvolva este gosto a partir destes artigos).
2 - O que melhor se adapta ao seu bolso. O vinho tem um preço, impossível esquecer disso nos dias de hoje.
3 - O que melhor se adapta a ocasião (temperatura, companhia, comida, estado de espirito etc).

Vinho pede contexto. E é possível classifica-los quanto ao mesmo.

Os vinhos de visita, precisam apenas do pretexto, dispensam a reputação. São pura diversão.

Os vinhos de conversação são para a confraternização dos companheiros. São gregários, bebidos ao sabor de histórias e risadas. Como disse o jornalista Mário de Almeida Lima, Deus só criou o homem pois Ele estava a beber sozinho e vinho exige companhia!

Os vinhos de meditação pedem o silêncio e concentração. São as obras de arte líquida, uma epifania! Para se beber de joelhos.

Desenvolva seu gosto, eleja seu "vinho bom" e compartilhe-o com seus amigos.

"Por mais raro que seja, ou mais antigo
Só um vinho é deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho e silencioso amigo"
Mário Quintana.
 

 

 

 

 

 

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