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Técnicas de psicanálise: cinematerapia


      Cinematerapia


        Maria Luiza é psicóloga ( Cuiabá )
        e escreve para o Diário de Cuiabá.
        mlcurti@uol.com.br

 

Os irmãos Lumière não foram os inventores do cinema. Na verdade o cinema tem a idade do homem pois cada um de nós possuímos nosso cinema interno onde projetamos nossos filmes, que são os nossos sonhos.

Há muito que psicanalistas utilizam filmes como material de estudo da psicanálise. Alguns psicólogos no processo de terapia, nos EUA e há algum tempo aqui em nosso país, têm recomendado filmes a seus pacientes.

Os filmes funcionam como ferramenta de apoio à terapia. Mas que ninguém pense que irá assistir a um filme e todos seus problemas estarão resolvidos, não é isso.

A cinematerapia entra como apoio às consultas, pois o filme toca direto no inconsciente, principalmente se ele for visto no cinema porque com sua sala escura, a tela grande, o volume alto, cria um ambiente propício para que a pessoa mergulhe intensamente na história e reconheça dilemas e emoções, que nem sempre têm raízes conscientes. De uma maneira indireta leva à reflexão sobre seus próprios conflitos. É fundamental que posteriormente o paciente discuta com o terapeuta os conteúdos afetivos mexidos pelo filme pois se não o fizer corre o risco de esquecer (como se esquece dos sonhos) o que assimilou.

Conni Sharp, professor de terapia e psicologia da Universidade Estadual do Kansas em Pittsburg, diz que: "os filmes têm poder educativo para clientes que tentam compreender as questões que afetam suas vidas". Há 10 anos ele faz conferências em que fala sobre o uso que faz da cinematerapia.

Certos filmes para certas pessoas têm o poder de catarse. Todos nós já ouvimos alguma pessoa, quando assistiu determinado filme, dizendo: "Chorei durante o filme todo" ou que: "Saí com o rosto inchado de tanto chorar". Certamente que o filme estimulou conteúdos internos que estavam adormecidos fazendo-os aflorar. Os filmes também mexem em conteúdos alegres, por isso, durante certos filmes pessoas se pegam rindo alto e saem contentes e leves do cinema.

Os terapeutas acham que é um método fácil de ser implementado e que não prejudica a ninguém se adotado, percebendo isso, é com entusiasmo que observam os elementos valiosos que os filmes têm a oferecer.

Alguns exemplos dos filmes mais indicados por terapeutas: "O Clube da Felicidade e da Sorte" – para pessoas com dificuldades para entender e se relacionar com a mãe. "As Pontes de Madison" – para quem traiu ou foi traída e não consegue esquecer o que passou.

Não importa qual seja a idade, o uso dos filmes geralmente dá bons resultados e é algo especialmente favorável para pessoas com dificuldades para expressar suas emoções.

Maria Luiza Curti

mlcurti@uol.com.br

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