Há
muito que psicanalistas utilizam filmes como material
de estudo da psicanálise. Alguns psicólogos
no processo de terapia, nos EUA e há algum
tempo aqui em nosso país, têm recomendado
filmes a seus pacientes.
Os
filmes funcionam como ferramenta de apoio à
terapia. Mas que ninguém pense que irá
assistir a um filme e todos seus problemas estarão
resolvidos, não é isso.
A
cinematerapia entra como apoio às consultas,
pois o filme toca direto no inconsciente, principalmente
se ele for visto no cinema porque com sua sala escura,
a tela grande, o volume alto, cria um ambiente propício
para que a pessoa mergulhe intensamente na história
e reconheça dilemas e emoções,
que nem sempre têm raízes conscientes.
De uma maneira indireta leva à reflexão
sobre seus próprios conflitos. É fundamental
que posteriormente o paciente discuta com o terapeuta
os conteúdos afetivos mexidos pelo filme pois
se não o fizer corre o risco de esquecer (como
se esquece dos sonhos) o que assimilou.
Conni
Sharp, professor de terapia e psicologia da Universidade
Estadual do Kansas em Pittsburg, diz que: "os
filmes têm poder educativo para clientes que
tentam compreender as questões que afetam suas
vidas". Há 10 anos ele faz conferências
em que fala sobre o uso que faz da cinematerapia.
Certos
filmes para certas pessoas têm o poder de catarse.
Todos nós já ouvimos alguma pessoa,
quando assistiu determinado filme, dizendo: "Chorei
durante o filme todo" ou que: "Saí
com o rosto inchado de tanto chorar". Certamente
que o filme estimulou conteúdos internos que
estavam adormecidos fazendo-os aflorar. Os filmes
também mexem em conteúdos alegres, por
isso, durante certos filmes pessoas se pegam rindo
alto e saem contentes e leves do cinema.
Os
terapeutas acham que é um método fácil
de ser implementado e que não prejudica a ninguém
se adotado, percebendo isso, é com entusiasmo
que observam os elementos valiosos que os filmes têm
a oferecer.
Alguns
exemplos dos filmes mais indicados por terapeutas:
"O Clube da Felicidade e da Sorte"
– para pessoas com dificuldades para entender e se
relacionar com a mãe. "As Pontes de
Madison" – para quem traiu ou foi traída
e não consegue esquecer o que passou.
Não
importa qual seja a idade, o uso dos filmes geralmente
dá bons resultados e é algo especialmente
favorável para pessoas com dificuldades para
expressar suas emoções.
Maria
Luiza Curti
mlcurti@uol.com.br
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