Domínio Feminino
não publica delírios, não fala de delírios. Falamos daquilo
que é informativo, falamos de situações comezinhas, comuns
no cotidiano de mulheres e homens, sejam jovens ou adultos
maduros. Falamos de sonhos e vendemos sonhos, porque os
sonhos, enquanto desejos conscientes, são realizáveis. Com,
ou sem ajuda. Quando se pede ajuda é para que se consiga
realizar o impossível. O possível não precisa de ajuda.
Dizer que raramente
precisa-se de ajuda para realizar sonhos não corresponde
ao que se vê acontecer com pessoas a nossa volta nem com
nós mesmos. O mesmo serve, incrivelmente, neste caso,
para ver um brasileiro fazer valer seus direitos, os direitos
mais banais, em país civilizado.
Sonho meu é que
um dia nenhum brasileiro, para fazer valer seus direitos,
venha a fazer uso de influência política, do tipo, sou amiga
do Ministro Fulano, mesmo sendo amiga do Ministro Fulano
e bom mesmo é ter coragem para não recorrer
ao Fulano.
Recentemente ouvi,
imperiosamente, que eu teria que engolir um determinado
sapo. Até aqui nada demais. Engolimos, todos tantos sapos,
quem não?
Mas sabem aquele
dia em que você não está disposta a engolir nada de desagradável?
Em um desses dias, eu não estava disposta.
Após cinco dias
engolindo sapos, cobras e lagartos, resolvi ver qual era
o odor deles quando saíssem do meu estômago. Engolir o sapo
não significa que a digestão ocorra. Fica-se sentindo o
estômago dando voltas. Não tem antiácido que resolva. Nem
se comer gengibre adianta.
Como ia dizendo,
cinco dias com o sapo dando voltas no estômago resolvi cuspir
o anuro. A secretária da presidência de uma empresa, daquelas
bem grandes, havia me dado um bufo para de presente para
o jantar.
Explicando melhor,
a empresa onde trabalha a referida secretária obrigou-me
ao sapo. Na hora de expulsá-lo telefonei diretamente à presidência
da empresa "bem grande" . Falando com a secretária da presidência,
para minha surpresa, no meio do assunto, ela exclama:
Não sei
como essas pessoas descobrem o telefone daqui!
O sapo vivo no
meu estômago sentiu que iria ter folga, afinal. Comuniquei-me
de maneira breve, mas, deixei claro para aquela senhora
que dentro de 30 minutos ela ouviria meu nome outra vez.
Ato contínuo telefonei
diretamente para Brasília e identifiquei-me apenas com o
número da minha carteira de identidade, pois, o CPF, nunca
consegui decorar. Nome endereço etc.
Pé atrás por causa
dessa história de ser ou não petista adiantei-me em dizer
que não era petista e não havia votado no Presidente Lula.
Disse-o com todas as letras para evitar mal-entendidos e
não prejudicar a profissional que entre séria e meiga,
me ouvia.
Passei diretamente
pelo Gabinete da Ministra Dilma Rousseff e fui sendo encaminhada,
sem nenhuma via cruxis, para o lugar apropriado até que
parei na Secretaria Nacional de Energia Elétrica. Lá, eu
queria falar com o Secretário. Não houve resistência, mas
por fim, a Secretária Executiva, a Sra. Patrícia S. Mergulhão
encarregou-se de tomar as devidas providências, se assim
eu o desejasse. Claro que eu desejava uma solução
e não falar com o Secretário Nacional de Energia
Elétrica.
O mais incrível
foi que, nem por um segundo me passou pela cabeça que as
coisas não fossem andar nos devidos trilhos, que aquela
senhora não fosse assumir as responsabilidades de uma funcionária
pública, ainda tão jovem, nos seus 35 anos, mas tão decidida.
Ah, quero acrescentar
que ainda disse para a Sra. Patrícia que eu já havia feito
dois interurbanos e que o Gabinete do Secretário é que deveria
arcar com o custo do telefonema para o retorno. Eu não podia
me dar ao luxo de fazer um terceiro telefonema. Penso que
aquela senhora jamais havia vivido situação tão inusitada.
Acreditem no que
se segue. Não apenas dois telefonemas consecutivos vieram
para que eu fornecesse dados, como a Secretaria Nacional
de Energia Elétrica, em menos dos 30 minutos sibilinados,
caiu na cabeça da empresa "bem grande" e tudo se resolveu
como deveria ter acontecido desde o início das tentativas
de contatos com a empresa em questão, sem necessidade de
tanto desgaste.
Não citei nem vou
dar-me ao trabalho de citar nome de empresa nem da secretária
que ainda não descobriu o que é ser Secretária, porque não
é um ato de vingança nem o fato foi do conhecimento público.
Basta que ela me leia.
Senhoras Secretárias,
fica esta citação de como deve ser a postura de uma verdadeira
profissional que sabe que deve exigir um mínimo de autonomia
de vôo, por respeito à profissão e ao cliente, nesse caso
era uma cidadã, contribuinte. Respeito pelo atendimento
externo é imprescindível ao exercício
da profissão. Do contrário estará trabalhando contra
a própria empresa e manchando a imagem da profissão.
Ao falar com alguém
mesmo que este alguém lhe soe anônimo e sem poder
algum, o melhor é dar tratamento igual para todos que estão
do outro lado da linha.
Engolir sapos,
lagartos e cobras não é problema. Problema é quando se resolve
pô-los para fora do estômago. Esse foi o dia em que resolvi
que não queria engolir nada à força. Já não suportava
mais conviver com eles dentro das minhas entranhas. Não
apenas os expulsei como deixei um dever de casa para aquela
senhora secretária da "grande empresa" que abomina
a massa ignóbil desconhecida.
Aproveito para
sugerir as Associações de Classe que promovam cursos que
as preparem para situações de conflitos que bem podem ser
evitadas. Na vida profissional de uma secretária executiva
as ocasiões da necessidade de mediar conflitos são constantes
e diárias. Conhecendo os instrumentos adequados no manejo
dos conflitos, em muito facilitará o exercício da digna
profissão.
À
Classe empresarial :
Mas uma coisa pode
ser percebida no olhar de muitos empregadores: há quem ainda
pense e veja sua secretária como uma funcionária braçal
que vai no automático da ordem dada.
A Sra. Gerarda
Ribeiro Freitas, presidente do SINSERJ
Sindicato das Secretárias Executivas
do Rio de Janeiro, como todos os Sindicatos são abrigados
na Confederação das Secretárias Executivas,
ligado ao MT reconhece que fora do Brasil,
não existe sindicado para a Classe e que a existência
de um Órgão Federal como a Confederação,
órgão tutelar, deve-se ao fato de que os empresários
brasileiros não se pautam pelo devido reconhecimento
à categoria e, nestas cicunstâncias o MT
é responsável pela fiscalização.
Sobe
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