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Equipe
Executiva : Maria da Penha Veira
Editora: MPV
Rel. Externas : Berta Ataíde
Comercial:
Suzana Bertioga
Animação Flash: Alexandre Canário
Estagiárias: Ana Louvado
Fotografia: Juliana Marafon
Colaboração Especial
Caio Martins/SP
Maria Luiza Curti/MT

 

 

Sapos Secretos

 

Maria da Penha Vieira
25, Setembro/2003

 

É sempre bom ter coisas boas para dizer sobre alguém, sobre mulheres sérias e profissionais que mereçam nosso respeito e admiração. Desde o final do mês de Agosto, já estávamos recebendo mensagens de visitantes nos lembrando o Dia da Secretária. Precisávamos de duas secretárias: uma que representasse o Poder Público e outra da iniciativa privada. Já tínhamos pensado em telefonar para empresas, aleatoriamente, para descobrir a quem homenagearíamos. Não foi necessário, pois que a oportunidade de fazer homenagem por justiça se apresentou de forma verdadeira. A boa surpresa vai para o funcionalismo público. O ponto lastimável deste artigo é que, para conferir o lado positivo tenhamos nos valido de um fato negativo mas que em nada ofusca o valor dessas profissionais do Segredo. Uma flor amarelada não vale o buquet lindo e imenso que encontramos para homenagear! Veja em homenagens.

Domínio Feminino não publica delírios, não fala de delírios. Falamos daquilo que é informativo, falamos de situações comezinhas, comuns no cotidiano de mulheres e homens, sejam jovens ou adultos maduros. Falamos de sonhos e vendemos sonhos, porque os sonhos, enquanto desejos conscientes, são realizáveis. Com, ou sem ajuda. Quando se pede ajuda é para que se consiga realizar o impossível. O possível não precisa de ajuda.

Dizer que raramente precisa-se de ajuda para realizar sonhos não corresponde ao que se vê acontecer com pessoas a nossa volta nem com nós mesmos. O mesmo serve, incrivelmente, neste caso, para ver um brasileiro fazer valer seus direitos, os direitos mais banais, em país civilizado.

Sonho meu é que um dia nenhum brasileiro, para fazer valer seus direitos, venha a fazer uso de influência política, do tipo, sou amiga do Ministro Fulano, mesmo sendo amiga do Ministro Fulano e bom mesmo é ter coragem para não recorrer ao Fulano.

Recentemente ouvi, imperiosamente, que eu teria que engolir um determinado sapo. Até aqui nada demais. Engolimos, todos tantos sapos, quem não?

Mas sabem aquele dia em que você não está disposta a engolir nada de desagradável? Em um desses dias, eu não estava disposta.

Após cinco dias engolindo sapos, cobras e lagartos, resolvi ver qual era o odor deles quando saíssem do meu estômago. Engolir o sapo não significa que a digestão ocorra. Fica-se sentindo o estômago dando voltas. Não tem antiácido que resolva. Nem se comer gengibre adianta.

Como ia dizendo, cinco dias com o sapo dando voltas no estômago resolvi cuspir o anuro. A secretária da presidência de uma empresa, daquelas bem grandes, havia me dado um bufo para de presente para o jantar.

Explicando melhor, a empresa onde trabalha a referida secretária obrigou-me ao sapo. Na hora de expulsá-lo telefonei diretamente à presidência da empresa "bem grande" . Falando com a secretária da presidência, para minha surpresa, no meio do assunto, ela exclama:

— Não sei como essas pessoas descobrem o telefone daqui!

O sapo vivo no meu estômago sentiu que iria ter folga, afinal. Comuniquei-me de maneira breve, mas, deixei claro para aquela senhora que dentro de 30 minutos ela ouviria meu nome outra vez.

Ato contínuo telefonei diretamente para Brasília e identifiquei-me apenas com o número da minha carteira de identidade, pois, o CPF, nunca consegui decorar. Nome endereço etc.

Pé atrás por causa dessa história de ser ou não petista adiantei-me em dizer que não era petista e não havia votado no Presidente Lula. Disse-o com todas as letras para evitar mal-entendidos e não prejudicar a profissional que entre séria e meiga, me ouvia.

Passei diretamente pelo Gabinete da Ministra Dilma Rousseff e fui sendo encaminhada, sem nenhuma via cruxis, para o lugar apropriado até que parei na Secretaria Nacional de Energia Elétrica. Lá, eu queria falar com o Secretário. Não houve resistência, mas por fim, a Secretária Executiva, a Sra. Patrícia S. Mergulhão encarregou-se de tomar as devidas providências, se assim eu o desejasse. Claro que eu desejava uma solução e não falar com o Secretário Nacional de Energia Elétrica.

O mais incrível foi que, nem por um segundo me passou pela cabeça que as coisas não fossem andar nos devidos trilhos, que aquela senhora não fosse assumir as responsabilidades de uma funcionária pública, ainda tão jovem, nos seus 35 anos, mas tão decidida.

Ah, quero acrescentar que ainda disse para a Sra. Patrícia que eu já havia feito dois interurbanos e que o Gabinete do Secretário é que deveria arcar com o custo do telefonema para o retorno. Eu não podia me dar ao luxo de fazer um terceiro telefonema. Penso que aquela senhora jamais havia vivido situação tão inusitada.

Acreditem no que se segue. Não apenas dois telefonemas consecutivos vieram para que eu fornecesse dados, como a Secretaria Nacional de Energia Elétrica, em menos dos 30 minutos sibilinados, caiu na cabeça da empresa "bem grande" e tudo se resolveu como deveria ter acontecido desde o início das tentativas de contatos com a empresa em questão, sem necessidade de tanto desgaste.

Não citei nem vou dar-me ao trabalho de citar nome de empresa nem da secretária que ainda não descobriu o que é ser Secretária, porque não é um ato de vingança nem o fato foi do conhecimento público. Basta que ela me leia.

Senhoras Secretárias, fica esta citação de como deve ser a postura de uma verdadeira profissional que sabe que deve exigir um mínimo de autonomia de vôo, por respeito à profissão e ao cliente, nesse caso era uma cidadã, contribuinte. Respeito pelo atendimento externo é imprescindível ao exercício da profissão. Do contrário estará trabalhando contra a própria empresa e manchando a imagem da profissão.

Ao falar com alguém mesmo que este alguém lhe soe anônimo e sem poder algum, o melhor é dar tratamento igual para todos que estão do outro lado da linha.

Engolir sapos, lagartos e cobras não é problema. Problema é quando se resolve pô-los para fora do estômago. Esse foi o dia em que resolvi que não queria engolir nada à força. Já não suportava mais conviver com eles dentro das minhas entranhas. Não apenas os expulsei como deixei um dever de casa para aquela senhora secretária da "grande empresa" que abomina a massa ignóbil desconhecida.

Aproveito para sugerir as Associações de Classe que promovam cursos que as preparem para situações de conflitos que bem podem ser evitadas. Na vida profissional de uma secretária executiva as ocasiões da necessidade de mediar conflitos são constantes e diárias. Conhecendo os instrumentos adequados no manejo dos conflitos, em muito facilitará o exercício da digna profissão.

À Classe empresarial :

Mas uma coisa pode ser percebida no olhar de muitos empregadores: há quem ainda pense e veja sua secretária como uma funcionária braçal que vai no automático da ordem dada.

A Sra. Gerarda Ribeiro Freitas, presidente do SINSERJSindicato das Secretárias Executivas do Rio de Janeiro, como todos os Sindicatos são abrigados na Confederação das Secretárias Executivas, ligado ao MT — reconhece que fora do Brasil, não existe sindicado para a Classe e que a existência de um Órgão Federal como a Confederação, órgão tutelar, deve-se ao fato de que os empresários brasileiros não se pautam pelo devido reconhecimento à categoria e, nestas cicunstâncias o MT é responsável pela fiscalização.

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