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Equipe
Executiva : Maria da Penha Veira
Editora: MPV
Rel. Externas : Berta Ataíde
Comercial:
Suzana Bertioga
Animação Flash: Alexandre Canário
Estagiárias: Ana Louvado
Fotografia: Juliana Marafon
Colaboração Especial
Caio Martins/SP
Maria Luiza Curti/MT

 

 

Tempos áridos, aqueles tempos
ou

Domínio Feminino antes
dos tempos conhecidos

Maria da Penha Vieira

23, Maio//2002

 

 

 

Quando dei partida para pesquisar o universo da Internet brasileira, fiquei decepcionadíssima. O deserto era mesmo sem oásis.

Inicialmente as pesquisas passaram pelas salas de papo e fóruns de discussão. A vivência, nestes, foi assustadora. Nas salas de bate-papo a coisa ficava complicada porque eu não estava ali buscando parceiros, não tinha disponibilidade afetiva. Pensava ingenuamente que poderia se fazer amizades, simplesmente. Quando descobriam que eu estava fazendo pesquisa a animação da conversa arrefecia e se tornava enfadonha e sem graça para meu interlocutor ou minha interlocutora ( sem a certeza de saber ao certo se era ele ou ela ).

Nesta fase, o mais curioso foi rastrear o possível motivo pelo qual as pessoas escolhiam seus nicks e como processavam suas vivências dentro "daquele corpo" que lhes conferia "identidade". ( Só para registro: daqui a pouco vai surgir um livro sobre o assunto que, antes, ninguém havia pensado ).

O mais proveitoso desses chats foi conhecer um hacker, que aqui não posso revelar sequer o nick, claro. Ele era arroba de um canal bem conhecido e freqüentado. Acabou que ele me deu o celular dele e nós nos falamos. Pedi que ele me ajudasse a vivenciar mais a internet e ele apontou-me um canal só de hackers. Eu, sequer sabia "mandar" um script esperto de chat, que eu achava o máximo! Vejam só!

O caminho para chegar lá parecia uma viela de favela das brabas. Era preciso ser hacker conhecido ou no mínimo receber o honroso convite que me foi feito para entrar no Canal. Dei um duro imenso para chegar ao endereço. Na verdade levei algumas horas e quando chegava tinha o acesso bloqueado. Quando consegui chegar lá ( depois de identificado meu IP) , fiquei observando a sala e depois perguntei se ele estava lá. Tive que perguntar pois não via o nick pelo qual eu o conhecia. Muito silêncio enquanto eu via a tela do salão rolar, o único som era vinha do meu cd tocando Wall Flowers e os sons dos pings.

Finalmente me apareceu o fulano. Assustada perguntei-lhe o porquê daqueles códigos, se eles estavam traficando drogas. Ele riu muito e mandou um aviso para a sala: pessoal, tem gente pensando que estamos traficando drogas. Havia gente querendo trocar senhas de cartão de crédito por outras coisas. Gente que chegava e anunciava o que havia conseguido na Rede.

Depois veio a vez de participar de lista de discussões onde conheci gente com as quais, até hoje, mantenho contato. Foi aqui que descobri o quanto a palavra escrita e lida na tela do computador pode ser perigosa, dura, desalmada e áspera. Ela provoca equívocos difíceis de serem esclarecidos depois de cometidos. Já havia os Ícones das emoções digitáveis, mas deixava o texto muito sujo para leitura. Melhor era usá-los nos fóruns.

HP`s femininas quase inexistiam ( exceções sempre há e uma dessas poucas, era a HP Casa da Frô, com poesias amigos e fotos ) e a dos homens era só de gifs animados e besteiradas. Isso no Brasil. Lá fora na França, Alemanha, Estados Unidos e Alemanha era uma festa. Minha tristeza crescia cada vez mais, por não ver uma robusta população brasileira na Rede. Foi através de sites comerciais e HP`s pessoais femininas, do exterior, que comecei a desenhar o Domínio Feminino.

Do quê a mulher brasileira precisaria e desejaria encontrar, no futuro, quando a Rede brasileira começasse a se interessar por internet, quando estivesse mais habitada por mulheres? O target já estava definido: mulheres conscientes politicamente, empresárias, profissionais autônomas, profissionais liberais, enfim, mulheres inteligentes.

No Brasil, nada havia que pudesse me servir para encontrar respostas. Eram noites e noites insones, com o marido irritado, os filhos reclamando e pior, pensando que eu estava "viciada" em computador, em internet. Resolvi organizar o tempo para meu marido e para meus filhos e só assim todos me deram sossego, claro. Mas aqui, o capítulo será outro.

Estávamos falando da pobreza geral da Internet brasileira lá pelo ano de 1998. Tínhamos um único espaço decente que era o WMulher. Graficamente agradável e com bom conteúdo. Mas não era nada do que eu pensava em fazer.

Pensei em conteúdo mais robustos, reportagens, entrevistas generosas, longas e onde as informações permanecessem e nenhuma baixaria, nada de apelos medíocres. O que eu sentia ao ler artigos na internet, mundo afora, era uma sensação de curteza, preguiça de escrever, de aprofundar. Depois, muita coisa assinada por profissionais das áreas sobre as quais versavam o texto. Faltava a fala da mulher e do homem comum, do navegante, do ordinary people.

Isso! Principalmente, a presença do navegante. Afinal era para esses navegantes que o Domínio Feminino estava sendo pensado. Por que não feito por navegantes para navegantes?. Bingo!

A mistura de jornal, revista, fórum, enfim, de uma interatividade com todo mundo dando palpite, opinando, colaborando.

Pelo ano ( 1998) em que começamos a conceber o Domínio Feminino, você navegante, meu leitor, verá que essa sua Casa foi a primeiríssima a pensar assim. Pensar Editorias como Amizade, um exemplo. Amor e Cartas de Amor e Perfumes, esses exemplos então ...chega a ser descarado. Você pode conferir na Rede, via instrumento de busca que, irá encontrar trocentos sites saídos, nascidos das idéias do Domínio Feminino. É só conferir quem veio primeiro, indo ao Registro.br . A diferença é que, muitos tiveram "bala" para investir.

Foi exatamente pela diversidade e abragência de Editorias, qualidade de conteúdo e gráfico ( diagramação das páginas com ilustrações ), que o Cadê nos conferiu a primeira classificação de Portal para um site feminino brasileiro. Aliás, em mais isto Domínio Feminino é pioneiro: ilustrar seus artigos e matérias.

Importante dizer que, o problema desde o início era que, pessoalmente, não queria uma cara de plástico, extremamente gráfica, clean. Arrisquei umas pitadas de carinho, arrisquei ser vista como over, naquelas ondas de profusão de visuais, styles, visuais à base de polímeros. ( Virou, mexeu, chega um papa do visual gráfico e diz como um site deve apresentar-se graficamente. Onda, onda e quem se emprenha, vai atrás, fica como maluco, batendo cabeça, pensando que o visual é tudo ).

Para o Domínio Feminino, pensei numa interface com cara de "impresso em papel", cores suaves, delicado, embora a entrada seja agressiva ( como covém ser a capa de um livro, diferenciando-se da diagramação do miolo ). Cara de internet, era o que não eu não queria. Nem cara de portal de entretenimento. Pensei num site, grande, com muito conteúdo e sério, mas com cara de HP.

Houve até quem torcesse o nariz e, incrivelmente, quem torceu o nariz, já se foi da Rede enquanto o Domínio Feminino, persistente, vai ficando, crescendo e se tornando um referencial de Portal Feminino para a Internet brasileira, fonte de pesquisas até da imprensa internacional e de utilidade pública, sem deixar de lado a vocação comercial.

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