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Equipe
Executiva : Maria da Penha Veira
Editora: MPV
Rel. Externas : Berta Ataíde
Comercial:
Suzana Bertioga
Animação Flash: Alexandre Canário
Estagiárias: Ana Louvado
Fotografia: Juliana Marafon
Colaboração Especial
Caio Martins/SP
Maria Luiza Curti/MT

 

 

Se a chapinha permitir

 

Maria da Penha Vieira
01, Dezembro/2004

arrepiando

 

Domínio Feminino teria muitas e longas histórias a contar. Tem sido uma trajetória íngreme em todos os passos como acontece em qualquer outra trajetória desde a idealização e concretização de um projeto de qualquer natureza.

Como nosso visitante poderá ler em Antes dos tempos conhecidos, de lá até os dias de hoje não esmorecemos um instante sequer na missão de incentivar a mulher brasileira a dedicar-se a compreender melhor a dinâmica política tal como vivemos em nosso cotidiano sem que nos passe pela cabeça que cada um dos nossos segundos diários são movidos por intenções políticas, ora partidárias ora ideologógicas.

Mesmo a mulher já tendo seu espaço na vida profissional, negocial e até política, ainda que nesta área sejamos um número incipiente, ainda assim e mesmo assim, pensamos estar fora do que é "político". Ao contrário estamos como qualquer indivíduo está, bem no olho do furacão.

Tudo que nos impele é motivação política. Assim é que se fabricam os manipulados e os atentos. Diante disso é muito importante que as mulheres encontrem um tempo para adquirir informação. Essa informação não se adquire, somente, na leitura de jornais diários. É preciso coragem e disposição para sair atrás de várias fontes e complementar os dados que faltam. É como se lêssemos um romance e ao pular uma página deixa-se de ter subsídios para ir-se antecipando aos acontecimentos até onde autor tenta levar seu leitor.

Completar a informação ouvindo pessoas, as mais diversas, ouvir e ler os contrários, vai fazer você saber aonde a política quer levar você. Vai descobrindo os caroços que estão por debaixo do angu. Uma boa maneira de ir entendendo os engôdos é ir perguntando a você mesma. E isso? E aquilo? Mas, por que isso? Como? Por quê? De onde essa idéia nasceu ? A ordem dessas perguntas não tem a menor importância contanto que você busque as respostas.

Queira saber, por exemplo, por qual motivo a lei que obriga o uso de códigos de barras nos produtos não funcionam. Pergunte para que elas serviriam? E siga perguntando. Vai assustar-se com o tanto de coisas que você nem se dava conta e achava que era tão inúti. Vai descobrir que seu cotidiano poderia ser bem melhor do que é. E se não é bom de forma alguma, você não vai querer apenas respostas. Você vai querer participar das mudanças. Não mudanças tapa-buracos, mas mudanças mais duradouras que protejam seu marido, seus filhos, seus familiares e seu vizinho contra alterações das regras do jogo da tão propalada "cidadania".

O código de barras serviria para informar o preço de fábrica do produto e quanto de impostos seria "comido" pelo Estado. Abaixo um exemplo.

'Pouca gente sabe que a cada R$ 1,00 pago por uma caixa de sabão em pó, por exemplo, R$ 0,42 correspondem a impostos e contribuições que vão para os cofres dos governos federal, estadual e municipal. No caso do frango, do arroz e do feijão, a cada R$ 1,00 do preço, R$ 0,18 são impostos. Na compra de açúcar, essa mordida é de R$ 0,40. Do macarrão, R$ 0,35 e nos biscoitos, R$ 0,38. Para que os consumidores saibam quanto estão pagando em impostos, tributos e contribuições sempre que compram um produto ou pagam a tarifa de um serviço, um grupo de entidades lideradas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lançou recentemente um movimento que pretende abranger todo o país'.

Se a idéia acima não deixou você entusiasmada, vamos lá e pergunte por que precisamos de tantos ministros, de tantas comissões de tudo para tudo. Quanto isso custa? De onde sai o dinheiro para pagar tanta gente? E como esses políticos viajam tanto em comissões e missões ao exterior: De onde sai tanto dinheiro ?

— Do meu bolso?

É meu bem, do seu bolso. Daquilo que você deixa de oferecer aos seus filhos e a sua família. Do que seu marido poderia oferecer de melhor e não pode.

É só isso. Chore não, viu, que você ainda tem que pagar a farra dos anistiados, você não soube? Não, não é anistia das suas dívidas, não!

OBS: Se você fez sua chapinha hoje, mas, não estiver com receio de encaracolar seu cabelinho, leia o artigo abaixo. Economia, Financas, Tributação são assuntos "secos" mas aos poucos você vai entendendo. Coragem que o artigo foi escrito em Português!

 

Sobe

     

 

 

Tributos na Prateleira

J. Bandeira

 

Pouca gente sabe que a cada R$ 1,00 pago por uma caixa de sabão em pó, por exemplo, R$ 0,42 correspondem a impostos e contribuições que vão para os cofres dos governos federal, estadual e municipal. No caso do frango, do arroz e do feijão, a cada R$ 1,00 do preço, R$ 0,18 são impostos. Na compra de açúcar, essa mordida é de R$ 0,40. Do macarrão, R$ 0,35 e nos biscoitos, R$ 0,38. Para que os consumidores saibam quanto estão pagando em impostos, tributos e contribuições sempre que compram um produto ou pagam a tarifa de um serviço, um grupo de entidades lideradas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lançou recentemente um movimento que pretende abranger todo o país.

Não somos contra os impostos, nem vamos afirmar se a carga tributária no país é alta ou baixa. Queremos apenas conscientizar o consumidor de que ele é um grande contribuinte e que, como tal, tem o direito de exigir melhores condições de ensino, saúde e transportes - disse o presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos, diante do "Feirão de Impostos", um mini-supermercado em que os produtos nas gôndolas estampavam o preço e o valor dos tributos.

Um emaranhado de 61 impostos.

Nas contas do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que se juntou ao movimento, toda a estrutura tributária nacional - um emaranhado que reúne 61 impostos, taxas e contribuições - gera uma arrecadação mensal da ordem de R$ 54 bilhões, ou R$ 1,85 bilhão ao dia, que vão para os cofres das diferentes instâncias do poder público.

De acordo com o IBPT, a carga dos tributos nos preços varia de 18% em itens como o arroz, a até 83% dos valores cobrados pelas bebidas. Tarifas de serviços como luz e telefone, ainda, carregam respectivamente 45,81% e 46,65% em impostos.

A estrutura tributária vem asfixiando o contribuinte e as empresas, mas justamente quando a economia dá sinais de recuperação, vem o governo com novo aumento da carga - disse o presidente do IBPT, Gilberto do Amaral, referindo-se à intenção do governo de elevar as contribuições previdenciárias das empresas para pagar dívidas aos aposentados.

O movimento, que conta com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado (Facesp), pretende atrair o apoio de entidades de outros estados para que seja aprovada a regulamentação do parágrafo 5 do Artigo 150 da Constituição, que determina que o consumidor seja informado sobre os impostos cobrados sobre os produtos.

Especialistas em tributação aplaudiram a proposta, mas a consideraram de difícil execução. O sistema tributário brasileiro é complexo demais, disse Gilberto Braga, professor do Ibmec Business School e membro da Comissão Consultiva Contábil da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim, uma lei que obrigasse o varejo a especificar nos comprovantes de venda o peso dos impostos correria o risco de onerar mais as empresas.

É uma idéia excelente do ponto de vista da cidadania, porque os países com sistemas mais transparentes têm uma população mais sensível às elevações de impostos - disse.

Para o advogado da área tributária Roberto Haddad, há tantos impostos e contribuições incidindo nas várias etapas da cadeia produtiva que a tarefa de determinar a carga tributária de cada produto seria complexa.

Na gestão Everardo Maciel, a Receita Federal foi transformada num órgão com a preocupação de somente coletar impostos (imposição do FMI), do que fazer administração tributária e respeitar a sua missão institucional. Defendeu a manutenção do congelamento da Tabela do Imposto de Renda, durante 6 anos, na CPI dos bancos, ante o espanto dos Senadores. Everardo denunciou que a maioria dos bancos e as grandes empresas não pagavam impostos. Atônitos, os Senadores exigiram explicações. Celérrimo, Maciel não tergiversou em barbarizar o Código Tributário Nacional, com a criação do IMPOSTO DE RENDA MÍNIMO , em anteprojeto de Lei Complementar, imposto que simplesmente sepultava o artigo 43 do CTN (fato gerador = aquisição de riquezas), passando a tributação da Pessoa Jurídica, a incidir sobre todas as suas receitas, não se considerando a dedutibilidade das despesas operacionais e, muito menos, eventual prejuízo verificado.

Everardo foi mais além. O art. 195 do CTN reza "que não tem aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito do fisco examinar livros e documentos...". Pois bem, opondo- se a essa salvaguarda, Everardo implantou o MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, instrumento que retirava do Auditor Fiscal, o direito de fiscalizar e exigir o crédito tributário, passando toda essa tarefa para o seu Gabinete. Continuando com o seu despautério fiscal, sempre regrado no facilitário das manipulações normativas, fragilizou o controle aduaneiro e engessou a ação do Fisco na conferência e desembaraço das mercadorias no portos, além de afrontar, por Ato Declaratório, a legalidade tributária, autorizando a Antártica e Brahma, a recolherem o IPI, em valor único de R$ 1,72 por dúzia de garrafas de 600 ml, contrariando a regra mandamental do item II a, do artigo 47 do CTN, que diz ser a base de cálculo o valor da operação. Tal desvario fiscal ensejou ao Ministério Público Federal, ingressar com ação na 20º Vara da Justiça -Brasília (DF)-, pedindo a condenação de Everardo Maciel por perdas na arrecadação do IPI em mais de R$ 20 bilhões. De certa feita, o doutor Aldenor Ferreira de Souza, Procurador da República, intimou Everardo para um depoimento num inquérito administrativo. Não deu bola.

Prestes a perpetrar o esvaziamento da função de Estado da Receita Federal, tornando-a um órgão de Governo, de partido, de grupos do poder, ambiente propiciador para politização e corrupção, a UNAFISCO SINDICAL, em mobilização nacional, expungiu os avanços excêntricos do senhor Everardo.

O PULO DO GATO

Vamos agora, ao pulo-do-gato, gestão JORGE ANTONIO DEHER RACHID. Sabemos que a cervejaria belga INTERBREW assumiu o controle da brasileira AMBEV, daí resultando a INTERBEWAMBEV, que se tornou, em produção, a maior cervejaria do mundo. Enquanto o presidente da AMBEV, Victorio Machi, anunciava, pessoalmente, ao Presidente Lula a referida aliança, a Schincariol denunciava uma "engenhoca tributária", ocorrida na calada da noite 29/01/04 (quinta-feira), com as edições extras-noturnas, da IN-SRF nº 388 e 389, além do Decreto nº 4.956, na interinidade do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva (este reduziu a alíquota da COFINS, em 45%), tudo publicado, em 29/01/04 (quinta-feira), mecanismos tributários que beneficiaram quase que exclusivamente a AMBEV, no recolhimento da COFINS.

Vamos aos atos e fatos. A Lei 10.833, de 29/12/03 (DOU-30/12/03), diz que as cervejarias recolherão a COFINS (6,6%), com base no faturamento; no art. 52, do mesmo diploma, oferece uma opção para a mudança de base de cálculo: tributação por unidade de litro do produto, ao invés de ser sobre o faturamento; o parágrafo 4º do art. 52, delimita o prazo para referida opção, irretratavelmente, para o dia 31/01/04 (sábado). Por fim, o art. 53 autoriza o Poder Executivo a fixar coeficiente para a redução da COFINS. Em edição extra, foi editado o citado decreto nº 4.956, que fixou o coeficiente de redução em 0,45 da alíquota da COFINS, com base na unidade do litro do produto, sobre R$ 0,0935, como incidência, prescrita na IN-389. Aconteceu, como já frisamos, que o dia 29/01/04 caiu numa quinta- feira, sobrando portanto, a quem se interessasse pela opção, apenas 1 dia útil, sexta-feira, COM O CONHECIMENTO DA REDUÇÃO DE 45% da alíquota. Aí, está o pulo-do-gato. Somente a AMBEV optou por esse regime especial.

O atento leitor, entretanto, pode argüir: não restou aos fabricantes de cerveja todo o mês de janeiro de 04, para a opção oferecida? Sim, realmente. Todavia esse regime especial de tributação por unidade de litro do produto só interessaria aos produtores com o conhecimento da redução de 45%, que só a AMBEV se beneficiou.

O que deixa a agente pasmado é saber que o ex-secretário Everardo é, hoje, Conselheiro da AMBEV e o atual Chefe da Receita, Jorge Rachid, foi indicado para o Palocci, no começo do Governo petista.

Como diz ALFRED KORZYBSKY: "existem duas maneiras de viver tranquilamente: uma é crer em tudo; a outra é duvidar de tudo. Ambas nos dispensam de pensar";. Ou, então, de qualquer forma passar a palavra para os iconoclastas de plantão.

* J. Bandeira é auditor fiscal da Receita Federal aposentado e ex-vereador em Campo Grande-MS - Correio do Estado
(Fonte: Unafisco São Paulo)

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