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Antropologia social do perfume

Por Maria da Penha Vieira

 

Perfumes
Alquimia e segredos: no caldeirão do perfume
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Marilyn e o Pau-rosa

Maria Luiza Curti
luizacurti@dominiofeminino.com.br
mlcurti@uol.com.br

26, Julho/2002

 

         O que Marilyn Monroe, ex-atriz de Hollywood, tem a ver com a árvore amazônica Pau-Rosa ( Aniba roseaedora Ducke ) ?

         Particularmente, não fazia a menor idéia, até que uma amiga, através de um e-mail, enviou-me uma notícia: “Pau Rosa, um doce aroma que pode morrer.

         Durante uma entrevista coletiva, um jornalista perguntou o que a atriz vestia para dormir. Ela respondeu: “Uma gota de Chanel nº 5”. Em 1962 Marilyn morreu, mas deixou imortalizado o perfume que a estilista francesa, Coco Chanel, pediu para o perfumista Ernest Beaux criar.

         Acontece que esse perfume francês e outros levam na sua composição um óleo essencial, o linalol, fixador extraído do nosso Pau Rosa amazônico que, não por acaso, está em extinção.

         Imediatamente embarquei na minha nave e saí pelo ciberespaço tentando recolher informações. Nas minhas explorações cibernéticas colhi coisas interessantes. Passando pelo Amapá fiquei sabendo que esse, hoje Estado, já atraiu a cobiça de ingleses, holandeses e, depois dois franceses aventureiros (Jules Gross e Adolph Brezet) tentaram fundar ali a caricata República do Cunani (1885).

         Os estrangeiros cobiçavam a borracha, o ouro e pasmem... o Pau Rosa. Dessas riquezas saíram toneladas, desde 1637.

         A nave passou também pelo mercado do Ver-o-Peso em Belém do Pará e encontramos o Pau Rosa nas barracas de cheiro. Encontrei-o também na Aromaterapia: para ansiedade, insônia, humor oscilante, cólicas menstruais e incensos. Como remédio é indicado para fortalecer o sistema imunológico abatido pelo estresse, em inalações para a tosse seca e na pele tem efeito tonificante.

          Madeira nobre é usada também para fabricar finos móveis, teclas de piano, gaitas de fole, violão, em artesanatos em Nampula na África e até nos eixos do carro de boi.

          Árvore que alcança até 30 metros é também conhecida como pau-de-rosas, pau-rosa-do-oiapoque ou macacapuranga. No Brasil é encontrada no Amazonas, Pará e Amapá e em outras regiões como Peru, Colômbia, Equador, Suriname e Guiana Francesa.

         Para encontrar essa árvore, hoje, rara, os mateiros têm cada vez mais que se aprofundar na floresta.

         Depois da extração do óleo é levado para Manaus e de lá segue para a Europa, Japão e Estados Unidos, movimentando um mercado milionário do qual nosso país sempre esteve fora.

          Nilson Borlina Maia desenvolveu uma pesquisa para criar alternativas à extração do Pau Rosa e constatou que pode extrair linalol do manjericão. Seu trabalho foi um dos 4 escolhidos entre 500 em todo mundo para ser apresentado em agosto, no 26º Congresso da Sociedade de Horticultura Cientifica do Canadá.

         Ótimo que agora se criem alternativas e inicie o plantio e corte ordenados do Pau Rosa, mas o que deixa alguns indignados é constatar quantas riquezas já foram extintas ou estão em via de extinção e tudo isso se passou nas nossas barbas por tanto tempo.

         Dormimos em berço esplêndido embalados pela cantilena mítica de rios caudalosos, jazidas minerais, flora e fauna inesgotáveis, como dar valor àquela profusão de mato que brotava como praga pelos quintais e por todo lugar? Como não deixar de torcer o nariz para aqueles chazinhos e “garrafadas” de ervas ultrapassadas que os antigos usavam se o progresso nos proporcionava uma alopatia sintética moderníssima?

         Simplesmente, nós não conhecíamos e ainda não conhecemos nossas riquezas. Como dar valor ao ignorado?

         Muitos estrangeiros não só sabem o exato valor do que possuímos aqui como já levaram e continuam levando o que temos de melhor, nosso patrimônio natural.

         Quem, aqui, se importa com a extinção de um perfume que a maioria de nós não podemos usar pelo preço proibitivo?

         Marilyn e Coco Chanel que nos desculpem de onde estiverem, mas o elemento essencial do Chanel nº 5 é nosso e, agora precisamos acordar e cuidar melhor da nossa Andiroba, Copaíba, Sucuriju, Erva de jaboti e tantas outras ervas medicinais. Perfumarmo-nos com Patchuli, Priprioca, Cantiga de mulata, Pau Rosa, etc.. e até fazer “simpatias” com Amor crescido, Carrapatinho, Vai-e-volta, Japana...

Desde a Antiguidade

Estações cibernéticas visitadas:

www.amapa.gov.br

www.biosapiens.com.br;

www.genamaz.org.br; www.jangadabrasil.com.br;

www.marilynmonroe.com; www.oestadao.com.br;

www.pedromartinelli.com.br ;

www.prometeu.com.br ;

www.radiobras.gov.br  

 

 

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