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Perfume
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Por Maria da Penha Vieira

 

Saúde Sanitária Era do Terror
O nariz é liberado Perfume e literatura
Perfume por engano Engajamento olfativo
Banimento do almíscar Política de enquadramento da mulher
A confusão A indústria - Uma partitura

Política de enquadramento da mulher

- ..." o certo é que vivemos muito enganados; todos dissemos que as mulheres são muito coitadas, são muito medrosas; não há no mundo quem tenha menos medo para o mal do que as mulheres.

Pe. Antonio Silva, em 1763

Todas as formas de sedução: uso de cheiros de lascívia e de apelo aos desejos da carne, cartas de amor, frase apaixonada, troca de presente e mimos e promessas de casamento, .

A luxuriosa do Antigo Regime, "olhos de serpente", de acordo com o discurso médico-teológico dos séculos XVIII e XIX, ao modelo da "devassadora de homens", Mme. Pompadour.

Possível que, para driblar o zelo a à atenção dos teólogos, os nomes dos perfumes tenham aparecido sob nos singelos nomes de ´"Águas" - como fonte de vida e purificação - seguindo o caminho da "Água de Colônia" - séc. XVIII - , usado como medicamento ( seguindo a fórmula da Água de Colônia, o produto deveria ser submetido á Universidade de Colônia, para ganhar o certificado ). Essas águas, acalmavam, nas mulheres, o furor da madre, a lascívia, infecta, poço de vícios, gastadora, fétida, concupiscente da mesma forma, assim foi a mulher pintada pela literatura clássica de época como o juízo da Antiga Saxonia.

Esta mulher, emblema masculino, ela já era vista como " consumidora ritual dos bens que o marido produz ". Acha-se investida, como é sabido, da missão de significar a posição e a riqueza do pai ou do esposo ". Todo consumir daquela mulher gastadora, nunca adviria do próprio trabalho.

 

As águas tinham importante valor terapêuticos no Brasil e esse reflexo veio de Minas Gerais:

Doentes, sobretudo mulheres, banhavam-se numa prodigiosa lagoa que operava cura e milagres: Alguém, um certo Antonio Cialli, graduado em medicina, após fazer experiências químicas, reconheceu que a água da lagoa continha dois altíssimos utilíssimos minerais: vitríolo e aço.

( Minas de Sabará )

As normas..doutrinárias. eram gestadas nos concílios, nos tratados organizados pelos teólogos e de acordo com todas as elocubrações religiosas em cujos objetivos incluía a normatização dos costumes, ou enquadramento da mulher; os perfumes trilhavam diferentes caminhos, em função do alvo: a mulher. Se a medicina, reconhecida nos discursos médicos através de associações e identificações, chegasse a alguma conclusão que esse ou aquele bouquet, essa ou aquela nota acalmasse a lascívia feminina e a afastasse do pecado e da concupiscência, era aprovada pelo alto-clero. Em não havendo aprovação haveria a perseguição até o banimento. E para isso todo artifício era usado como instrumento: a moda, o estímulo à santificação, aos bons costumes, o terror não importando o preço.

A toda força era preciso construir uma fisiologia moral nas mulheres, para que se mantivessem dentro dos limites do privado, da pureza e do lar. Alguma coisa estava sendo arquitetada agora e o conhecimento disto estaria no futuro.

Nas colônias portuguesas, a atenção foi redobrada, possivelmente daí, entre nós brasileiros, vigiados pelos jesuítas, não tenha florescido a indústria da perfumaria e cosméticos, para que não se visse repetido os acontecimentos da Corte Francesa; principalmente das cortes reformistas protestantes, para que não viessem atrapalhar as atividades da implantação do catolicismo nas colônias, como no caso do Brasil.

Séc. XVIII — Por estar inscrita dentro da concepção quase mecânica, no século das Luzes, de que a riqueza de uma nação residia na população numerosa dentro de suas fronteiras, a preocupação com o ordenamento demográfico deu um grande impulso às ciências e nelas à medicina, donde a fecundidade do discurso médico descobrindo nos corpos femininos uma fisiologia moral que justificasse e que suprisse as demandas de um Estado que relacionava aumento de produção com aumento de braços. A esta altura, ele ultrapassa o quadro redutor de uma história biológica da condição feminina e a retira da dialética circular eu vê em todo homem um dominador, e, em toda mulher uma submissa.

A maternidade seria o instrumento. Para tanto seria necessário que as uniões se dessem segundo o modelo religioso, vigente. Pela logística e estratégia, se fazia necessário redesenhar o perfil da fisiologia-moral para transformá-la em santa reprodutora. Mantê-la dentro dos domínios privados ( o lar ). Esse deveria ser o perfil de "mãe dos seus filhos" que os homens iriam buscar.

Uma mulher que "cheire a santidade", tenha o perfume da pureza espiritual. Hora dos sachês e de todo cheiro que é simples e santificante, usando-os apenas dentro dos quartos.

Possível que, para driblar a tenção e o zelo atenção dos teólogos, os nomes dos perfumes tenham aparecido, curiosamente sob nos singelos nomes de ´"Águas" — como fonte de vida e purificação — seguindo o caminho da "Água de Colônia" — séc. XVIII —, usado como medicamento ( seguindo a fórmula da Água de Colônia, o produto deveria ser submetido á Universidade de Colônia, para ganhar o certificado ). Essas águas, acalmavam, nas mulheres, o furor da madre, a lascívia, infecta, poço de vícios, gastadora, fétida, concupiscente da mesma forma, assim foi a mulher pintada pela literatura clássica de época bem como do juízo da Antiga Saxonia.

 

 

 

 

 

 

 

Por Maria da Penha Vieira

 

Engajamento olfativo

Ao longo desta História, a política revelou opções na sua escolha de odores e suas denominações tornavam-se sinal de adesão, partidarismos. Na época do Terror, a preferência por essência de lírio ou água da Rainha podia custar uma guilhotina ou à prescrição. Usar a Pomada de Samson era arriscar-se, expondo suas convicções patrióticas. A Revolução de 1830 suscitou o mesmo tipo de engajamento olfativo, garantindo o sucesso do Sabão constitucional e do Sabão dos três dias.

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