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Por Maria
da Penha Vieira
A indústria
floresce
Por
volta de 1840, o leque de aromas fica complicado; o tabaco
não briga mais com a flor e, enquanto isso amadurece
a moda masculina que emerge muito timidamente, ainda, como
uma nova estética do olfato. Treze anos mais tarde,
quando os perfumes triunfam na corte de Napoleão III,
assim como outrora no círculo próximo a seu
tio; mas não são exatamente os mesmos. É
imperativo recusar as essências do âmbar e do
almíscar na corte imperial: a recusa atesta o bom gosto
e a moralidade. A esse respeito a composição
do Bouquet de l’impératrice que Guerlain preparou
para a soberana é reveladora. Apesar de ser de grande
classe, o perfume utilizado pela rainha Vitória quando
de sua visita oficial à França, em 1855, não
deixou de conter alguma nota de "desqualificante"
do almíscar.
Desde
1855, a linguística dos bouquês são influenciadas
pelos odores campestres. Violeta, rosa e lavanda reinam. Alguns
perfumistas escrevem partituras olfativas harmonicas de concordâncias
de notas perfeitas: heliotrópio / baunilha
/ flor de laranjeira. Dissonâncias: benjoim / cravo
/ tomilho.
Só
a partir de 1860, os perfumistas encontram caminho para desenvolver
novos produtos usando seis bases : rosa, jasmim, flores de
laranjeira, cássia, violeta e tuberosa. Cabia aos perfumistas
inventar novos buquês apenas com essas seis bases odorantes.
Para as pomadas, acrescentavam o junquilho, o narciso, o resedá,
o lilás, o pilriteiro, a silindra. A esta altura, os
mestre da perfumaria seguiram os incentivos e só ofereciam
perfumes inocentes.
1860,
neste século de luzes, o trabalho da Igreja estava
frutificando.. Floresce a indústria da perfumaria,
demandando mão-de-obra para a produção.
A comercialização dos produtos dá-se,
acentuando o crescimento. A química, a descoberta do
vaporizador e do hidrófero que permite dissover os
preparados na água do banho, tudo está trabalhando
a favor. Exceto pela Água de Colônia, a fabricação
concentrou-se em Paris e Londres. Os tratados comerciais dá
fim às imitações vindas de fora do Reno.
Em
1858 a casa Gellé instala uma fábrica em Neuilly
e sucursais fora do País. É a independência
de Paris que não mais ficará sujeita as importações
únicas do Oriente. Talvez se deva toda essa reviravolta
ao retorno de Bonaparte às Tulherias ou aos apaixonados
pelos perfumes ao gosto Luiz XV, e seguiu por etapas velozes
em direção à modernidade e vinte anos
após, a Coty criava "Origan" ( orénago
).
A
literatura que influencia na direção dos odores
do Oriente: o fascínio pelos haréns, viagens
pelo Egito, passa por Flaubert. Por Flaubert também
passa o cheiro salitrado do mar. Por Balzac, passa as paixões
dos perfumes da Natureza: flores e feno cortado. Abrem-se
os campos da afetividade da memória, das lembranças
do já vivido.
Enquanto
isso, a criatividade e os esforços dos perfumistas
atingiam ápices. Três ou mais anos de pesquisas
para compor uma fragrância.
E
dia chegou em que os frascos de perfumes, do mais puro cristal,
começaram a enfeitar as mesinhas dos médicos
e dos notários de província.
E
um dia chegou que os pobres entraram em guerra contra os odores
pútridos das secreções dos seus corpos.
Era a democratização do perfume ou como preferiram
alguns: a banalização do perfume.
Le
miasme et la jonquille
L’odorat
et l’imaginaire social XVIII-XVX siècles
Autor:
Alain Corbain
Les
Fleurs du Mal
Autor:
Charles Baudelaire
Descobertas
acidentais em Ciências
Autor:
Royston M. Roberts
Anotações
de Ao sul do corpo:
Mary
Del Priore
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