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Perfume
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Por Maria da Penha Vieira

 

Saúde Sanitária Era do Terror
O nariz é liberado Perfume e literatura
Perfume por engano Engajamento olfativo
Banimento do almíscar Política de enquadramento da mulher
A confusão A indústria - Uma partitura

A confusão

O principal era a época em que tomou-se consciência da necessidade da saúde sanitária. A medicina engajada na luta pela saúde sanitária, tinha dificuldades em estabelecer o que era importante: padrões de higiene, ou melhor, o que estaria na esfera da ciência médica ou farmacológica. Neste ponto a confusão foi muito grande, dado a falta de suporte científico.

De fato, os arômatas eram tolerados, mais suaves, na forma de alcoolatos compostos e vendidos sob nomes de elixires. De certa forma a utilização do perfume foi encorajada nas preparações farmacêuticas e assim passam à condição de subprodutos alterando as substâncias genuinamente odorantes. Nesta situação forma-se a dificuldade de delimitação das competências.

Os manuais de perfumaria tomavam ares de livros de História e o autor de um deles, Claye, confessava-se bem consciente da confusão que se estabelecia entre a paixão dos odores e a vertigem das profundezas históricas. Os médicos prescreviam banhos, ablução de mãos e pés. A Igreja condenava. Isso tudo sem contar com a cultura do excremento, do cascão ( teria sido o cascão, a primeira máscara cosmética ? ) ainda arraigado entre o povo ( camada de sujeira sobre a pele que protegia contra doenças de pele, evitando o contato da pele do rosto com os raios solares, com isso, mantendo a alvura da cútis, principalmente das camponesas ) mesmo tendo Lavoisier provado sobre a perspiração cutânea.

Os argumentos que trabalhavam contra os arômatas vinham de forças potentes: falta de conhecimento científico, cultura dos excrementos, religião e correntes filosóficas e política. Esta última dizia respeito ao que interessava economicamente ao velho regime, especialmente no que dizia à política comercial externa. A igreja Católica em luta perene que havia começado no séc. XVI constrói sua Reforma, com rigor implacável, da qual mais tarde, nem os inocentes narizes e cheiros escaparam. E havia um novo inimigo: as ciências, principalmente, a ciência médica que incentivou esse inimigo chamado perfume.

 

 

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