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Entre tapas
e beijos

Maria Luiza Curti
mlcurti@uol.com.br

29, Novembro//2001

  

Para quem já constatou o grau de educação e respeito com que os namorados de antigamente se tratavam, alguns namoros atuais, causam arrepios. Vão da simples falta de educação à literal agressão física e psicológica.

Se bem que, certos jovens e educados mancebos de antes, somente esperavam o casamento para começar a pancadaria. Mas, cadê a coragem de encostar um dedinho, antes de assinar a "escritura" da mocinha, que ainda estava sob a guarda do pai?

O dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher ( 25 de novembro), deveria lembrar a essas mocinhas que, apanhar de namorado (e de marido), não é normal nem moderno.

Há pelo menos duas situações porque essas jovens, hoje, estão apanhando dos namorados.

Uma, quando há um encontro de duas histórias de vida mal resolvidas. Ele, pelo seu passado que o determina como espancador, vai usar de qualquer argumento, como ciúme, por exemplo, para justificar a violência.

Ela, também, devido a circunstâncias passadas, que estabeleceram uma baixa auto-estima, o que, geralmente, leva a jovem a se culpar e a imaginar que merece ser castigada. Também, ela pode colocar as agressões sofridas, na conta do “grande amor” que o namorado lhe dedica, portanto, o descontrole dele é perfeitamente justificável (na imaginação dela), desculpando-o. Claro que em casos como esse ou semelhantes, os dois precisam é de tratamento.

A outra situação, é de má educação explícita, falta de respeito e de limites mesmo. Há relacionamentos em que os dois se agridem verbalmente, o que caracteriza agressão psicológica e não raro chegam a vias de fato, e a mulher que, fisicamente, é a mais fraca, sempre leva a pior.

Pais que se agridem estão dando parâmetros aos filhos de como pode ser um relacionamento futuro.

Há pais que não se agridem nem agridem seus filhos, porém, não têm a mínima autoridade sobre eles. Quem já não viu e ouviu, crianças xingando, dando tapas e pontapés nos pais ou mesmo em outras crianças e os pais, mergulhados em crise de autoridade, nem aí... ou quando esboçam uma reação, é tão débil, que não é levada a sério por elas.

O que esses pais têm que entender é que a autoridade paterna e materna, não tem prazo de validade e não gasta, pode e deve ser exercida efetivamente, não com violência, mas com firmeza e amor.

Os jovens, na sua sofreguidão e ansiedade que também é uma marca característica da atualidade, estão queimando etapas.

E o namoro, que era para ser um tempo de conquista, de conhecimento mútuo, de seduzir, desejar, galantear, atrair, cativar, encantar e encantar-se, está perdendo sua antiga finalidade, pois os “enamorados” já entram para um relacionamento pesado e desprovido de base estrutural para resolver as diferenças que naturalmente aparecem.

O Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher (e nos outros dias também), é favorável à reflexão feminina, principalmente às jovens namorantes que estão iniciando um relacionamento amoroso.

Quem deve dar o “tom” do relacionamento é a mulher, tratando o namorado com respeito e consideração, impondo, também, a recíproca com que merece ser tratada. Nunca se acomodar num namoro que se desenvolve “entre tapas e beijos”.

Se apesar de tudo, ainda assim, for tratada com desrespeito físico e psicológico, vire fera e denuncie, de preferência na Delegacia da Mulher.

Porém, se ela se sentir um bife que deve ser amaciado, é necessário procurar tratamento urgente e também, denunciar, denunciar, denunciar...

E-mensagem para : dominiofeminino@dominiofeminino.com.br

 

 

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