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Da fantasia
à
necessidade
Ignez L. O. Alves
26, Junho//2002
Com
a "invenção" dos filmes eróticos ( na maioria é
pornô mesmo, de baixíssima qualidade ), o que não
passava de fantasia, de apenas um desejo não realizado,
passou a emprestar os padrões performáticos das
"atrizes" e transpô-los para a realidade sexual,
exigindo, os homens, o mesmo de suas parceiras.
Na
outra ponta, as "mulheres famintas de elogios performáticos",
desejosas não do prazer, mas como objeto de prazer,
numa postura de realizar as fantasias masculinas
ou devido suas inseguranças édipicas? Aceita o papel
do "impressionar" pelas habilidades adquiridas e
"assumidas" na liberdade sexual, mostram que outro
tipo de mulher, de poder feminino, tomou lugar da
mãe zelosa, mas continua sexualmente submissa, da
mesma maneira.
Deep
Throat foi o marco e por pouco não virou cult,
mas deixou muitos homens acreditando que as mulheres
poderiam ter orgasmos através da garganta. O Cult
mesmo ficou por conta do filme Império dos Sentidos,
dirigido por Nagisha Oshima. Depois disso, na verdade,
deixa de existir o filme erótico, porque todos os
filmes dão prioridade ao erotismo, de uma forma ou
de outra. Ludibriam aqui e ali, mas acabam todos nas
cenas de sexo explícito. Se não são vistos assim,
muito mais pela arte da iluminação e efeitos especiais
responsabilizados pela ausência de vulgaridade. Inúmeros
filmes poderiam ser chamados de pornôs e se não o
são é porque são mascarados pelas fictícias cenas
realísticas.
Há
uma distinção entre Erotismo com pornografia devido
suas diferenciações: erotismo vai de encontro com
sensualidade e pornografia se carecteriza pelo obsceno.
As relações sexuais passaram mais a contar com um
enchimento, banalizando as fantasias. Os homens passaram
a achar absolutamente normal, aplicar os filmes pornográficos
em suas vivências sexuais. As fantasias, a criatividade
deixou de existir como original do momento e por conta
dos pares. "a cena como naquele filme...". Mais ainda,
inverteu-se a célebre frase: com a mãe dos meus filhos
não posso fazer isso! Se por um lado isso é quebrar
tabus bestas, por outro, cria mais um nó górdio na
questão das relações íntimas. Um dos parceiros, o
homem quase sempre, gosta e quer a parceira "atriz".
Em geral, a mulher mesmo não gostando nem querendo,
acaba por realizar a fantasia do homem porque ela
ainda se pensa obrigada a satisfazer, por imposição,
a vontade do dele.
Perigosamente
a banazalização da erotização dos filmes pornös, pode
ultrapassar o limitrófe entre a perversão sexual e
generalizar-se como sociopatia. Se ouver, digamos
assim, maiores investimentos direcionados para a indústria
dos filmes sadomasoquistas, a possibilidade de que
o sexo anal não seja feita apenas pela introdução
do pênis, mas, também, de objetos e como é prática
no sadomasô, a introdução do punho cerrado, uma mão
fechada através do ânus, com certeza, passará a ser
aceita como normalíssima.
Com
a banalização atual, o sexo anal e oral foram reduzidos
à anormalidade em quem não curte ou tem dificuldades
de aceitação. Consultados, alguns ginecologistas revelam
que `a maioria das mulheres não só gostam da prática
da penetração anal como em muitos casos, mais do que
se imagina, só chegam ao orgasmo neste tipo de relação.`
Pelo
tanto que conversei com homens e mulheres, diria que
muitas mulheres se satisfazem na relação anal, mas
daí "a maioria" não foi o que pude observar ao longo
de algumas décadas, até agora, com adolescentes, homens
e mulheres. Muitas mulheres chegam a ter verdadeiro
pavor de manter relação sexual com aqueles parceiros
que fazem da relação anal, o prato principal, ou que,
solicitam com certa freqüência. Há quem prefira falar
até em "doação".
Dita
como normal e comum, a prática de sexo anal, fabrica
muitas mulheres "frígidas". Essa nova conceituação
de frigidez representa mais um artifício para forjar
mulheres "anormais" e ruins de cama. A mulher que
não compartilha. Acontece que a na maioria dos casos,
a imperícia e o desconhecimento do parceiro e/ou do
casal, agrava.
Hoje,
todo homem exige que as mulheres tenham a garganta
profunda para caber todo o pênis dele e um ânus disponibilizado
para uso imediato. Ora, as mulheres que aparecem nos
filmes, são profissionais, que treinam com disciplina
para ganhar dinheiro. Na relação anal, com aquelas
caras e bocas, elas não estão ali carregando o dia
atribulado da vida doméstica, ou mesmo para as solteiras,
que deixaram seus escritórios, de cabeça quente, frustradas
e cansadas. As profissionais dos filmes pornôs estão
"atrizes" preocupadas com o rosto e a pose, com o
diretor e com as luzes e câmeras. Abstraídas, quase
sempre, de envolvimento afetivo ou sexual.
Mas
há um dado que nunca é devidamente esclarecido, e
pela verificação de buscas na Rede,
esclarecimentos sobre este assunto, por desconhecimento,
deixam de oferecer uma informação importante. O desconhecimento
da importância do nervo Pudendus ( não tem origem
etimológica no latim potere, mas em pudendus [ a,
um ] ) é generalizada.
O
nervo Pudendus tem grande importância na formação
nervosa das ligações da área genital. Ele recebe os
estímulos enviados e os distribui. Pela proximidade,
por estar localizado entre a parede vaginal ( ou à
próstata, localizada na parte inferior da bexiga )e
a parede do reto, à penetração do pênis, provoca no
nervo Pudendus, uma espécie de massagem que ele se
encarrega de retransmitir a toda área genital. O conjunto
de retransmissões atingindo toda área genital provoca
a sinalização do prazer.
Embora
alguns ginecologistas não atribuam total importância
ao nervo Pudendus, em relação ao prazer anal, outros
afirmam que ele é o responsável. A famosa "dedada"
que os homens recebem nos consultórios dos urologistas
durante o exame da próstata é prova disso, dizem aqueles.
Ao receber a introdução do dedo do médico para a verificação
da próstata, o nervo Pudendus é massageado e repassa
as sensações ao pênis que entra em ereção.
Em tradução livre, do
Francês.
O
que é nervo Pudendus
o
nervo pudendus ou "nervo da vergonha" (
pudico, pudor, pudícia ), é um nervo
interno que constitui o ramo terminal do plexo vergonhoso.
É um nervo misto (motor e sensitivo) formado,
de três ramificações que se fundem
acima do ligamento sacroespinhal. O nervo pudendus
assim formado, passa detrás deste ligamento
antes de comprometer-se na pequena incisura ciática.
Seguindo numa direção oblíqua
inferior vai até o canal pudendal (ou canal
de Alcock) propriamente dito; neste canal, o nervo
pudendal dá formação ao nervo
retal inferior que enerva o puboretal e o esfíncter
externo do ânus e termina em dois ramos: o nervo
dorsal do clitóris e o nervo perineal. Estes
dois ramos terminais enervam o clitóris, os
músculos superficiais e profundos dos períneos
bem como do esfíncter da uretra.
DF(
Você poderá testar — lembrando que o
pudendus é um nervo misto de poder motor e
sensitivo —, contraindo o ânus ( musculatura
perianal ) verá que a contração
se estende, passando pelo espaço perineal (
espaço entre o ânus e os órgãos
genitais ), pela entrada da vagina, clitóris
e seguindo até a entrada da uretra ).
O
nervo da ereção
o
nervo pudendus é por conseguinte responsável
no plano motor pela tonicidade da correia puboretal
e o esfíncter uretral e anal bem como a atividade
dos músculos transversos, isquiocavernoso,
bulbocavernosos e constrictor vulvar. No plano sensitivo,
veicula as sensibilidades vulvar, perineal
espaço entre o ânus e os órgãos
sexuais e perianal musculatura circundante
do ânus.
DF(
O mesmo teste que você fez em você mesma
pode ser aplicado no seu marido ou parceiro. No homem,
quando ele contrai o esfíncter anal, os testículos
tanto quanto o pênis têm movimentos elevatórios
e prazeroso)
De
fato, os relatos de orgasmo através da relação anal
são favoráveis ao entusiasmo masculino e satisfação
para muitas mulheres, principalmente, em termos de
intensidade e duração. São orgasmos mais longos e
intensos, ainda segundo alguns relatos, a intensidade
se assemelha ao orgasmo múltiplo ou o famoso ponto
G (?) — nome dado ao ponto que deve variar para cada
pessoa, ou a cada dia, como migram as zonas erógenas.
Ocorre
que antes que se possa atingir essa plenitude, a passagem
do pênis pelo esfíncter é dolorosa na maioria das
vezes; mais dolorosa ainda, quando não há preparação,
e, quando o parceiro perde por inabilidade. A dor
provocada pela passagem do pênis através do esfíncter,
pode tornar-se mais desesperadora, pois no momento
da dor, a primeira reação é acontecer a contração
do ânus. Aqui, para quem não está preparada é bom
parar pois pode acontecer rompimentos de vasos acompanhados,
naturalmente, de sangramento.
Existem
outros aspectos exemplo disto, caso de pessoas portadoras
de fissura anal, hemorróidas internas e externas,
para as pessoas com estas sintomatologia a relação
anal se torna algo insuportável , já que a área anal
é uma região das mais irrigada por enervação e de
musculatura extremamente rígida.
Aqui vai uma dica para
estes casos:
Alimentação
à base de bastante fibra e líquido.
É contra indicado ingestão de alimentação condimentada.
Para estas pessoas, a relação anal é absolutamente
desaconselhável.
O
conselho de que é preciso relaxar é sempre o mesmo.
Mas não se diz como. Nem é explicado o porquê de a
relação anal ter tudo para ser imensamente prazerosa.
Contudo, para nós mulheres, aí, a destreza do parceiro
é particularmente importante. A manipulação do pênis
que ele deverá fazer se assemelha ao movimento que
alguns dentistas fazem nos lábios do paciente, enquanto
introduz a agulha para anestesiar o dente. Esse movimento
visa o relaxamento da musculatura
No caso em discussão, o homem, com a mão, deve fazer
movimentos rápidos tanto para desfocar a atenção quando
para provocar a sensação de afrouxamento dos músculos
que cercam o esfíncter ( perianal ), enquanto a glande
faz a ultrapassagem. Nisso reside mais resultados
psicológicos do que qualquer coisa. Enquanto a parceira
concentra atenção aos movimentos que estão sendo feitos,
vai descontraindo e o homem, com os mesmos movimentos
vai continuando a penetração até a ultrapassagem da
glande pelo esfíncter.
Cabe
não se esquecer da posição do pênis na hora da penetração.
O homem não tem a preocupação de cuidar disso e, atabalhoadamente
não se dá conta da altura em que está em relação à
mulher. Nestas circunstâncias, o pênis poderá ficar
em posição acima, abaixo ou vertical, e a penetração
se dá com o pênis forçando uma posição anatomicamente
inadequada ( dolorida, por conseguinte ) e perigosa
no que tange a rompimento de tecido além da possibilidade,
mais grave, de rompimentos da musculatura perianal
indo atingir a região perineal. Ou seja, pode sair
rasgando tudo.
Essa
oportunidade de falarmos sobre este assunto, traz
também, uma outra, que é o fato de que muitos homens
sentem prazer em ter o ânus manipulado pela mulher.
Mesmo com os filmes pornôs comendo à solta, literalmente,
mulheres e homens ainda se escandalizam com a prática
perigosa do puro preconceito. Em se conhecendo o poder
do nervo Pudendus que opera em nossa anatomia, deixa
entendido que esse mesmo nervo tem a mesma função
na genitália masculina. Isso não faz do seu parceiro
um homossexual. Ele é um homem que gosta do prazer
sexual anal, ainda que não saiba de onde vem. Nem
está interessado. Mas sempre é bom ter uma noção da
"origem" para evitar confusões psicológicas sérias
e, às vezes, até trágicas, no caso de adolescentes.
Se um homem pede que uma mulher que ele não conheça
muito, para manipular o ânus dele, ela provavelmente
vai pensar que o sujeito é homossexual enrustido.
Pode até acontecer, mas não será por que ele gosta
do prazer anal. No máximo pode-se dizer que ele é
um bom sacana.
Essa
interpretação tem o mesmo conteúdo da prática do sexo
oral. As mulheres, em geral, tem imenso prazer, até
mais do que o vaginal, através do clitóris. Isso também
poderia ser motivo para Dr. Foide dizer que, toda
mulher que gosta de sexo oral é homossexual enrustida,
muito embora, quase sempre, as mulheres na hora do
orgasmo, peçam para que os homens introduzam o dedo
na vagina . Os homens também gostam do sexo oral acompanhado
da manipulação anal.
Afinal, se o Pudendus
pode na mulher, por que não pode no homem?
Mas, mas... para aquelas
que relutarem, dois bons argumentos:
1 Quem tem, tem
medo
2 Foi feito para
expulsar e não para agasalhar
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