Ninho Vazio
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Mãe e pai, começam
a sentir uma vastidão de espaço afetivo.
Podem até tornar-se figuras carentes na visão
dos filhos. As ocasiões engatilhadoras
dessa sensação que é conhecida por
" síndrome de ninho vazio" variam de
pessoa para pessoa, de família para família.
É uma receita de bolo: os ingredientes estão
ali e alguma coisa faz variar o resultado da aparência
do bolo, exceto o sabor resultante dos ingredientes.
A
primeira namorada, a primeira relação sexual.
Já aí, a sensação de perda
provoca um baque. Descobrimos que os nossos bebês
se foram. Há mesmo mulheres que entram em princípio
de tristeza profunda ou até depressão, propriamente,
dependendo da coincidência com a faixa etária,
por conta do climatério.
O trabalho, os estudos, viagens, fins de
semana longe de casa. O quase não-se-ver o pouco-se-ver. E os espaços
físicos vão aumentando na mesma proporção. Exceto
pelas festas esporádicas, vez por outra, onde sequer, quase sempre, somos
convidadas. De fato, para algumas mulheres a coisa é vivida meio que por
esse caminho.
Para
outras mulheres, dependendo de como foi a relação
com os filhos o fato tem menor extensão. Mas a
sensação de inutilidade bate e bate feio,
ainda que a mulher tenha sua profissão, seu marido,
seu porto afetivo. Ainda que ele tenha seus próprios
projetos de vida.
Para
a mulher que trabalha fora de casa, esse processo pode
ser suavizado pelo distanciamento do cotidiano. Mas para
a mulher que convive com muita proximidade com os filhos,
sabe o que é essa dorzinha incômoda
Pior
é para algumas mulheres que sentem exatamente o
dia e a hora em que perderam "suas crianças"
e ficaram com o colo vazio. Esses casos aparecem quando
o filho ou a filha conta para a mãe sobre onde
e com quem tiveram sua primeira relação
sexual - não unica e exatamente esse fato. Quando
o fato acontece ainda no início da adolescência
o prejuízo afetivo e psicológico é
sentido mais fortemente pelas mães, mais do que
pelos pais.
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Basta
um pouco de atenção mesmo sem informações
sobre resultados estatísticos,
para se chegar à conclusão, de que
a maioria dos casais quando se separam têm,
quase sempre, um filho ou uma filha adolescendo.
Basta dar uma olhada à volta. Ou seria mera
coincidência?
Não vai nisso
nenhuma afirmação absoluta, resultado
de dados científicos. Sem dúvida,
um casamento não se desfaz por apenas um
ingrediente.
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Ainda ontem, nossos filhos
bebês tinham o cheirinho de urina entranhado nos
cabelinhos ralos. Perderam o cheiro. O cheirinho das fraldas
passou mas ficou o cheirinho de leite. Esse foi-se também.
Adiante, o cheiro do distanciamento do banho misturado
com colônias. Agora, cheiro de gente bem grande,
capazes de se bastarem.
Aí vem a quela sensação
de esvaziameno e o que é pior, um sentimento de inutilidade. A mulher-mãe
dá-se conta de que tudo que fazia era em função "das
crianças": armar a árvore de Natal para ver os olhinhos deles
brilhando de expectativas, preparar as festas de aniversários, jantar para
os amigos. Quase sempre essa vivência vem acompanhanda de desânimo
e falta de objetivos. O marido e a casa sofrem um certo abandono durante esse
perídodo. Afinal os educar filhos foi desafio vivido por anos e anos.
Tudo
bem acompanhando de perda, também, de poder.
Será?
Aguardar a hora de eles virem correndo chamar a avó dos filhos deles! Ou
virão atrás das mães mesmo? Ou
as duas coisas?
E-mensagem
para : dominiofeminino@dominiofeminino.com.br