Cadê mulher na política?
Maria
da Penha Vieira
03, Setembro/2001
Preparando-se
com calma
Não
basta o calhamaço de conhecimento para iniciar-se
na vida política. Comece desenhando o perfil do
tipo de cidadão para o qual você gostaria
de trabalhar e representar. Desenhando um projeto simples
de onde você possa formar sua base de militância.
Você pode treinar junto aos seus amigos ( mas, jamais
conte com eles, pelo menos, não todos, quando a
coisa tomar um rumo ). Forme seu grupo com jovens, donas
de casa, empregados domésticos, colegas de escritório,
jornaleiros etc, para criar sua base eleitoral. Nunca
grupos homogêneos, no início, não.
Pense as pessoas como brasileiros, cidadãos, indivíduos,
sem entrar em defesa de interesses específicos.
Se você for por aí vai topar com cachorro
maior do que você. Essa heterogeneidade de base
é melhor para ser trabalhada.
Fuja dos
revoltados e aproxime-se daqueles que demonstram capacidade
para a indignação. Revolta e indignação
são sentimentos diferentes. Prefira uma base pequena
mas consciente. O revoltado tende a ser destrutivo além
de inseguro. Ou seja, ele estará mais propenso
ao que se chama de "traíra". Se alguém
aparecer para resolver o único problema que ele
tem, o voto foi-se. O voto do revoltado tem preço,
e dos altos.
O que se
precisa hoje é de candidatos que se neguem a pagar
pelo voto. Para peitar isso você precisa não
estar com fome de poder e saber que tem tudo para perder
a eleição. Diga que não paga, em
alto e bom som. Trabalhe por aí. Se alguém
que estiver lendo esta matéria e tiver vontade
de rir, nós podemos citar pelo menos um único
exemplo, um deputado estadual que trabalhou assim e foi
o mais votado no seu estado. Se deu certo com um político
dará certo com outros.
Com
isto não estamos dizendo que você não
vai precisar de dinheiro. Vai e não é pouco.
Se você tem uma militância consciente, ela
vai saber que precisa trabalhar com a mesma filosofia
que você: não comprar votos com nenhuma moeda.