Cadê mulher na política?
Maria
da Penha Vieira
03,
Setembro/2001
Dos 30% de
vagas reservados para as mulheres, dentro dos partidos
políticos, não chega a 10% de preenchimento.
Demonstração de que a mulher ainda não
absorveu a idéia de ocupação deste
espaço, assim como a sociedade.
Desde a criação
da lei nº 9504 – de 30.09.96, ainda recente, mas
que já deveria ter inspirado alguma demonstração
de disposição das mulheres para assumir
expressão dentro dos partidos e consequentemente
no panorama político brasileiro.
Veja o demonstrativo
da participação feminina em cargos públicos
eletivos em cargos de comando.
|
(2001) -Parlamentares no Congresso Nacional Representação
por sexo
|
|
Parlamentares
|
Mulheres
|
(%)
|
Homens
|
(%)
|
Total
|
Total (%)
|
|
Deputados Federais
|
34
|
6,63
|
479
|
93,37
|
513
|
100,0
|
|
Senadores
|
5
|
6,17
|
76
|
93,83
|
81
|
100,0
|
|
Total
|
39
|
6,57
|
555
|
93,43
|
594
|
100,0
|
Se é
você é uma pessoa que consegue articular
bem seu pensamento, demonstrar com fundamentos de raciocínio
e sabe que este é uma espaço ainda quase
que vazio; se você fica por aí defendendo
bandeiras alheias, porque ainda não pensou em ingressar
na política e defender a sua própria bandeira?
A resposta
de que tudo na política cheira mal, é podre
e corrompida, só dá ladrão etc. é
tola demais para ser usada. Está aqui uma boa hora
de repensar. Vamos deixar tudo fedendo, tudo podre? E
os narizes dos seus filhos e netos? Que se danem?
Quantas de
vocês não já ouviram alguém
dizer
— Você
fala tão bem, é tão articulada para
falar que poderia entrar para a política! — Isto
é dito como se para fazer política, falar
bem fosse o único requesito. No entanto, muitas
vezes, quando as pessoas reconhecem uma fala bem articulada
pode significar que você tem carisma e poder de
argumentação. Saber argumentar e contra
argumentar é importante pois daí surge a
possibilidade de convencimento. É um instrumento,
a mais, de facilitação na defesa de suas
teses para fundamentar futuros projetos.
Na política
não vale fundamentar seus argumentos na base do
eu "acho", até porque as pessoas se emprenham
quando você oferece dados estatísticos, faz
citações eruditas por pura exibição.
Mesmo que você nunca tenha lido a obra do autor
citado. Decorou somente aquela frase. É preciso
citar resultados estatísticos como se eles fossem
exatos e/ou verdadeiros. Citar a fonte e tudo o mais.
Outra, no fundo, no Brasil tudo é feito mesmo na
base do "se não der certo a gente quebra tudo
e faz de novo" ( empiricamente constrói-se
um ralo sem fundo ). Pensar cientificamente ( estatisticamente
) não é comum a nós brasileiros.
Ainda não.
As especulações
sobre o porquê de as mulheres ainda não estarem
muito entusiasmadas pelo ingresso na vida política
são muitas. Muitos estudos em andamento. Tem gente
séria buscando estas respostas. As respostas envolvem
medo, falta de recursos financeiros próprios (
independência financeira ) e falta de interesse,
mesmo. O despreparo sobre assuntos de ordem política,
econômica e social do país, pode ser rapidamente
ajustado, se você for uma pessoa que assimile com
facilidade e tenha capacidade de reflexão. Já
existe até curso especializado para preparar futuros
políticos.
Para
a deputada estadual Heloneida Studart ( PT — Rio de Janeiro
), casada e mãe de sete filhos, — as
mulheres apresentam baixa auto-estima. São excelentes
militantes para os outros; para o irmão, pai, cunhado
e amigos. No entanto nunca pensam em aproveitar o potencial
para si mesmas. Heloneida não acredita que a falta
de dinheiro seja motivo dessa auto-exclusão. Eu
mesma, você sabe, como jornalista, com o salário
que ganhava, não teria nunca condições
para isso. Fico tentando convencer mulheres que têm
atividade em sindicatos ou em suas comunidades, para que
se candidatem a um cargo eletivo. Não tem jeito,
elas não se animam. O que realmente é uma
grande pena.
Então,
se você tem um trabalho social, mesmo pequeno, pense
que não apenas o seu, mas o trabalhos e outras
pessoas poderá crescer com uma sua participação
política direta.