|
A guerra das mulheres
X
as mulheres
Tania Nienkotter
Rocha
Escritora
01, Junho//2002
Lodi,
Itália Os homens são muito
unidos, como se pertencessem ao mesmo time de futebol
ou sindicato. As mulheres não possuem 10% da
união dos homens. E fazem uma guerra silenciosa
que travam em todos os momentos de sua vida, seja
no trabalho, no grupo de amigos, na família,
na escola, na discoteca.
Quantas
mães são as piores inimigas da própria
filha? Quantas irmãs disputam a atenção
e o amor do pai de maneira patológica? Quantas
sogras não aceitam as noras? Mas as batalhas
entre as mulheres não são travadas só
no âmbito familiar. Acontecem em muitos escritórios,
nos quais elas preferem receber ordens de um homem
que de uma mulher.
A
falsidade é a tônica do processo e, não
raras vezes, uma coloca a outra em situação
desagradável, boicotando ações,
impedindo promoções e até mesmo
providenciando algum deslize para que a concorrente
seja demitida. Essa guerra se torna verdadeiramente
séria, quando a mulher sente-se ameaçada
por outra mulher, no campo amoroso. É normal
ouvir uma mulher acusar outra de ter roubado o marido.
Normalmente as mulheres não conquistam um homem,
elas disputam um homem, competem e guerreiam entre
si pelo macho usando todas as armas para conquistá-lo.
As
mulheres casadas olham as solteiras como verdadeiros
inimigos da sua felicidade. O grupo das senhoras casadas
se unem contra uma possível ameaça de
perder o status que 'possuir' um homem lhes dá.
Vivem em eterno stress para mantê-lo ao seu
lado. São amigas somente de mulheres casadas,
como se fizessem parte de um clube de defesa da felicidade
conjugal. A beleza de uma mulher também incomoda
muito. Elas normalmente fazem comentários atacando
a sua inteligência, a sua moral ou seu extrato
social, enfim, encontram algum motivo para denegrir
aquela que é considerada bela. Um homem quando
tem uma vida sexual muito ativa, é visto pelas
mulheres de forma positiva, um conquistador. Já
quando a mulher tem a mesma conduta, são as
mulheres as primeiras a criticá-la, a denegri-la
moralmente e socialmente.
É
muito comum as mulheres serem extremamente complacentes
com os erros masculinos e implacáveis com o
mínimo erro feminino. Julgam as mulheres mais
duramente que os homens. Analisando a situação
da mulher nos últimos 5 mil anos, esse sentimento
de inferioridade e de competição são
frutos do poder masculino. A mulher só era
considerada se possuísse alguma beleza ou se
era interessante para a família casá-la
com alguém importante na conquista de laços
de ordem política, militar ou econômica.
Desde
então a função das mulheres é
basicamente gerar filhos, dar prazer ao macho e obedecer
às suas ordens, sejam eles pais, irmãos
ou maridos. A condição da mulher neste
planeta é totalmente caótica, sem nexo.
Ela faz parte, participa, mas não é
determinante e esse sentimento de pertencer e não
contar, gerou nas mulheres uma batalha entre si. E
continuam a batalha entre elas, uma verdadeira guerra
para ser a mais bela, a mais eficiente, a mais amada,
a mais inteligente, e por incrível que pareça,
a mais condizente com a sociedade na qual vive.
O
sentimento de inferioridade que as mulheres sentem
desde a infância, faz com que a menina canalize
sua inveja e seu sentimento de castração
para o seu relacionamento com as outras mulheres.
Ela não pode lutar contra todos os homens,
contra todo um planeta. Ela quer ser amada, aceita
e não reconhece no homem o objeto de impedimento,
e sim nas mulheres, que como ela buscam a aceitação
e serão sempre alvo de suspeitas.
A
amiga, a irmã, a nora, a colega de trabalho,
a sogra, todas estão lutando pelo que ela esta
lutando e isso as transformam em inimigas. As mulheres
comportam-se desta forma no relacionamento com as
outras por sentirem-se impotentes perante a sociedade
em que vivem. Por terem sido condicionadas por milhares
de anos a viverem na sombra, à disputarem entre
si um pouco de atenção, um pouco de
respeito e dignidade. Tentam criar uma identidade
própria atacando as outras e não os
homens, impedindo assim, a sua liberação
deste circulo vicioso. Ela não consegue identificar
o homem como o causador de suas frustrações
e limitações, mas se solidariza com
o homem, já que ele lhe permite a aceitação
na sociedade em que vive.
É
hora das mulheres mudarem os alvos de sua agressividade
e pararem de lutar contra as outras mulheres. A luta
entre mulheres deve ter o seu fim decretado, para
extinguir o condicionamento, a opressão e a
violência que sofremos. Para que as mulheres
caminhem lado a lado como aliadas. Como vitimas que
todas somos deste planeta machista e violento.
[
Alto ]
[ Volta ]
|