
01, Setembro/2001
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A
relação entre homens e mulheres em nossa sociedade
atual, talvez a grande revolução do comportamento
social do século vinte, foi sem sombra de dúvida
à independência econômica da mulher.
Em
nenhuma outra etapa da história da humanidade assistimos
a um processo tão determinado de busca de espaço
e principalmente necessidade de escolha própria.
Digo que esse processo foi o mais revolucionário,
pois ao contrário de outros, é nítido notar que
jamais haverá um retrocesso, dada a dimensão que
o mesmo tomou.
Embora
milhares de estudos tenham sido efetuados com o
assunto citado, há uma lacuna no que tange ao psiquismo
tanto de homens e mulheres em nosso contexto atual,
após dita independência econômica. E apesar de diariamente
estarmos convivendo com um tipo de ser psicologicamente
diferente do de nossos antepassados, pouco paramos
para refletir sobre o assunto.
Não
cabe neste breve estudo medir as conseqüências da
tomada de espaço pelo universo feminino, mas, sobretudo
analisar como homens e mulheres têm reagido
a tal processo.
Os
tipos psicológicos que citarei abaixo jamais devem
ser generalizados, pois apenas se tratam de atitudes
e comportamentos existentes no contexto social,
o que não implica que sejam regras, mas tão somente
aspectos humanos observados.
Gostaria
de ressaltar ainda que os tipos abaixo descritos
não são constitucionais, mas, sobretudo formas de
comportamento que visam o poder no sentido da conquista
de espaço no mundo pelo ego da pessoa, elemento
fundamental para o equilíbrio e estima pessoal.
No âmbito feminino ressalto os seguintes tipos psicológicos:
| 1) A
mulher infantilizada |
|
Qualquer
que seja sua condição econômica, este tipo psicológico
se caracteriza por uma dependência excessiva no
plano afetivo e emocional, sendo que acaba quase
sempre reproduzindo suas vivências familiares na
atual relação amorosa, não rompendo os laços pretéritos,
e descobre estar reproduzindo literalmente os mesmos,
acarretando intenso sofrimento psíquico.
A
culpa é um elemento sempre presente, que tem como
mensagem básica coibir não apenas sua auto estima,
mas, sobretudo lhe negar o acesso ao prazer tanto
no sentido sexual como no plano do desenvolvimento
de sua personalidade. O ciúme, posse e insegurança
sempre estão presentes, e o resultado é a eterna
comparação e sentimento de inferioridade.
É
desnecessário salientar que tal mulher não elaborou
seu condicionamento passado que visava a passividade,
submissão e principalmente desejo de ser cuidada,
acarretando-lhe ódio ao descobrir que tal universo
simplesmente é inexistente. Sente-se presa nessa
esfera de relacionamento, sendo que não obteve êxito
na conciliação do desejo de segurança e autonomia
própria.
Enfim,
seu sonho é a segurança de um modelo passado em
que se condicionou, e seu pesadelo é a realidade
presente onde sente toda a frustração, inferioridade
e revolta por saber que tal modelo não pode mais
ser aplicado, embora não consiga superar o mesmo.
Anseia pela independência, embora muitas vezes veja
na mesma um sinônimo da solidão, abandono e sentimento
de rejeição.
Herdeira
da revolução dos costumes das últimas décadas, obviamente
este tipo tem total autonomia econômica, sendo o
seu grande desafio integrar a parte afetiva. Talvez
a maior armadilha para esta mulher seja a relação
de poder decorrente de sua condição, pois sua emancipação
social pode provocar sentimentos de superioridade,
tornando-a tão exigente nas outras esferas da vida,
que o resultado será que ninguém preencherá sua
enorme lista de exigências, arruinando dessa forma
seu potencial para a entrega e troca amorosa.
Está
claro que nesse determinado ponto se tornou absolutamente
igual ao elemento masculino, que infelizmente quase
sempre almeja a perfeição, por se achar extremamente
narcisista, devendo o outro se render perante seus
dotes especiais; alimentando diariamente a competição
e disputa, atributos que só levam a solidão extremada.
O
pior de tudo é que este tipo de mulher embora seja
objeto da cobiça no plano consumista de nossa sociedade,
não encontra quase nenhum apoio do elemento masculino,
que a enxerga com desconfiança e determinada frieza
por receio de disputar com o mesma a ascensão econômica.
Em
relação ao aspecto masculino seria desnecessário
descrever determinados tipos psíquicos, simplesmente
pelo fato do homem permanecer quase que inalterado
em sua postura afetiva e social, embora algumas
pessoas argumentem o contrário.
Em
defesa de minha tese cito como exemplo minha própria
profissão, onde a quase totalidade das pessoas é
do sexo feminino; e em terapia observamos uma defasagem
da presença do elemento masculino. A sensibilidade
que deveria ser mais do que obrigatória passa a
ser elemento de barganha e objeto raríssimo manipulado
pelo homem. Aliás, este último se quiser preservar
sua saúde psíquica deveria se perguntar constantemente
qual é a sua máxima prioridade?
O
elemento amoroso continua perdendo de longe se compararmos
com o aspecto financeiro e prestígio social. É incrivelmente
curioso como se desenvolvem mecanismos de compensação
dos elementos acima citados. Não estou pretendendo
dizer que homens ou mulheres devessem ser submissos,
mas que ambos tem uma necessidade de entrega amorosa,
coisa ausente nas relações atuais.
Diversos
relatos de garotas de programa corroboram
o fato de que a grande maioria dos homens procura
dito serviço visando a sodomização e submissão sexual,
ao contrário de sua postura social de controle e
poder. Sem dúvida isso é a prova da compensação
citada anteriormente, sendo que infelizmente o elemento
masculino se utiliza de mecanismos extremamente
velados para vivenciar seus afetos não apenas recalcados,
mas à parte que lhe cabe da entrega.
Como
isto não é efetuado no plano diário, recorre-se
a determinados expedientes que embora possam minimizar
a angústia do elemento masculino em sempre ter de
agir de acordo com o poder, não o ajudam a se desenvolver
plenamente no tocante a igualdade afetiva, que deveria
ser o objetivo máximo de um relacionamento. A busca
frenética pela beleza acaba se inserindo nesse contexto,
pois se torna uma fuga ou ilusão no sentido de evitar
o reconhecimento dos aspectos mais dolorosos de
uma relação afetiva. É muito mais cômodo idolatrar
uma pessoa ao invés de se deparar com possíveis
sentimentos de tédio e insatisfação.
A
conclusão dramática de todo esse processo é o acirramento
da disputa de poder entre ambas as partes, onde
a arma central é negar ao seu par toda a satisfação,
prazer e companheirismo de que uma relação necessita,
restando apenas os elementos sombrios e neuróticos
que acabam se tornando um complemento macabro da
personalidade do indivíduo, não se conscientizando
que está destruindo toda a sua esperança de real
prazer e sentido da vida.
ANTONIO
CARLOS ALVES DE ARAÚJO- PSICÓLOGO C.R.P. 31341/5
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