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Para examinar a questão porque os homens
se comportam de maneira diferente das mulheres com
relação ao uso dos computadores e ao seu interesse
nessas máquinas, é necessário começar observando quais
são as diferenças essenciais entre os sexos. Como
não sou psicólogo, não vou cobrir as várias teorias
psicológicas tradicionais sobre o assunto, como por
exemplo a teoria de Jung que leva em consideração
as diferenças entre "animus" e "anima". Ao invés disso,
vou basear-me nas minhas próprias observações, nas
da minha esposa (que é médica) e no bom senso. As
considerações escritas abaixo aplicam-se às diferenças
em geral; elas não podem ser aplicadas a indivíduos
em particular a menos como uma base para mais observações:
1. Corpo físico
Existe uma belíssima gravura de Albrecht
Dürer, de 1504, chamada "Adão e Eva" (que está no
Museum of Fine Arts, em Boston), que mostra muito
bem as conhecidas diferenças como altura, músculos
(Eva é mostrada sem músculos aparentes na coxa e nas
pernas enquanto que Adão tem uma figura atlética mostrando
mais poder), etc. L. Vogel, em seu livro "Der Dreigliedrige
Mensch", "O homem trimembrado", (2ª edição, Dornach
1979) trocou as figuras de Dürer por esqueletos, exatamente
na mesma postura do desenho original. Assim pode-se
ver as impressionantes diferenças na curvatura do
crânio, na formação do peito e nas proporções da pelvis.
As articulações na figura feminina são mais soltas.
O esqueleto feminino dá a impressão de ser mais arredondado,
e o masculino mais angular e retilíneo. A constituição
física diferente se manifesta na forma diferente de
caminhar: homens caminham de uma forma mais ereta,
as mulheres movimentam os quadris de forma mais arredondada.
Tem-se a impressão de que a figura masculina é mais
direcionada para o seu exterior, e a feminina mais
para o interior. Se alguém faz um gesto de arredondar
os braços à frente do corpo, tocando uma mão na outra,
tem-se o gesto tipicamente feminino de unir, coletar,
embalar (o que lembra a bela Madonna Sistina de Rafael,
que está em Dresden).
2. Vontade, ações
Os homens tendem a ser mais ativos e
agressivos vivendo mais na esfera motora, com um maior
senso prático relacionado às coisas concretas. As
mulheres tendem a ser mais passivas, com maior atividade
interna. Elas são bastante práticas com relação a
coisas subjetivas (por exemplo, comida, que envolve
gosto).
3. Sentimentos
Os homens são tipicamente movidos por
desafios aos seus limites individuais. As mulheres
tendem a ser mais sociais e orientadas à família.
É um fato típico que as últimas sabem como seus filhos
dormem e o que eles gostam de comer, algo que em geral
é estranho para os indivíduos do sexo masculino. Os
homens tendem a dominar mais as ações que executam
baseadas em sentimentos, mantendo mais distância dos
seus sentimentos.
4. Pensamento
Aqui pode-se resumir as principais diferenças
com duas palavras: os homens tem uma tendência a um
pensamento mais analítico e as mulheres a um pensamento
mais sintético. (Enquanto eu estava discutindo essas
idéias com minha esposa, ela disse: "Está vendo? Você
já está classificando tudo!" ) Assim como com relação
aos sentimentos, o pensamento dos homens tende a ser
mais objetivo, abstrato, simbólico-formal, mantendo
distância. As mulheres tendem mais ao subjetivo, integrador,
e a tomar parte da coisa sendo pensada. Os homens
tendem a tirar conclusões muito rapidamente, as mulheres
gostam de ficar mais tempo nas suas observações.
5. Sistemas
Rudolf Steiner expandiu a classificação
sistêmica comum, que inclui os sistemas neuro-sensorial
e circulatório-respiratório, adicionando o sistema
metabólico-motor. Podemos também caracterizar as diferenças
de sexo dizendo que os homens tendem para as partes
neurológica, respiratória e motor, e as mulheres para
as outras três. De fato, as mulheres em geral têm
mais consciência dos seus sentidos, como notar o que
uma outra pessoa está vestindo, se há uma bela flor
na sala, etc. O sistema circulatório é mais interno
que o respiratório, que está permanentemente em troca
com o exterior: o sistema metabólico, tão conectado
ao circulatório; é tão forte nas mulheres que elas
têm a força de gerar internamente, manter e alimentar
outro ser. (Uma observação interessante é que os homens
são mais sujeitos a doenças circulatórias - a partir
disso pode-se deduzir que o seu sistema correspondente
não é tão forte). B. Lievegoed, em seu livro "Alte
Mysterien und soziale Evolution", "Mistérios da Antigüidade
e Evolução Social", (Stuttgart, 1991), resume todas
essas diferenças dizendo que os homens têm as suas
forças voltadas para o mundo exterior, enquanto que
as mulheres as tem voltadas para o interior. Talvez
os homens não seriam capazes de agüentar as dores
do parto…
6. Relações com máquinas
Usando as seções anteriores para formar
uma imagem de cada sexo, pode-se entender porque os
homens são muito mais ligados às máquinas do que as
mulheres. Os homens estão interessados nos seus aspectos
mentais, isto é, porque e como elas funcionam. As
mulheres estão em geral mais interessadas em usá-las
como ferramentas, e não se preocupam em entendê-las.
(Proponho uma experiência: pergunte a qualquer grupo
de pessoas quantos homens e quantas mulheres sabem
como um motor de combustão interna funciona, quais
são os propósitos dos cilindros, carburadores, etc...)
Os homens estão interessados em explorar agressivamente
os limites das máquinas; as mulheres em geral estão
satisfeitas se as máquinas fazem as tarefas necessárias
e não mostram curiosidade em explorar outras formas
mais eficientes de fazer as mesmas coisas. (Uma vez
eu observei minha esposa fazendo geléia de morango
e eu notei que ela deixava as frutas fervendo até
que o líquido tivesse quase que completamente evaporado.
Imediatamente tive a idéia de extrair o líquido usando
uma peneira para separar as frutas, e daí ferver a
mistura mais rapidamente, preservando os nutrientes;
o líquido extraído é usado como concentrado para sucos
e iogurte. (E nunca mais tivemos geléia de morango
de verdade, apenas compota [esta frase foi datilografada
por minha esposa enquanto ela lia este ensaio no micro]).
7. Computadores
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Computadores são máquinas abstratasque
continuamente simulam um tipo bem restrito de pensamento
lógico-simbólico e matemático, o chamado pensamento
algorítmico. Deste modo pode-se entender porque a
revista Newsweek diz que, de acordo com a National
Science Foundation, Fundação Nacional de Ciências
dos Estados Unidos, "existem três vezes mais homens
recebendo títulos em Ciências da Computação do que
mulheres, e essa diferença está aumentando". Claro,
isto significa que as diferenças gerais que eu apontei
acima ainda não foram pervertidas. Sherry Turkle,
do MIT, é citada na reportagem como tendo dito sobre
os computadores que estes vieram para criar "um mundo
sem emoções" uma imagem que parece assustar
mais à garotas do que aos garotos, adiciona a Newsweek.
Obviamente, pensamento formal e simbólico não contém
emoções, a menos pela excitação de depurar um programa
ou dominar a maldita máquina que se recusa a fazer
o que se tem certeza que ela deveria fazer, etc.
características tipicamente masculinas. Por exemplo,
eu tenho um velho laptop e um notebook moderno. O
primeiro tem Word 4 (não tem disco rígido), e o último
tem Word para Windows. (Atenção, isso foi em 1994.)
Estou cansado de dizer à minha esposa que ela vai
ser capaz de fazer muito mais coisas de forma mais
fácil e mais rápida se ela usar meu notebook. Ela
recusa, dizendo: "Mas eu estou tão satisfeita com
meu velho computador... Ele faz tudo o que eu preciso...
Porque que eu vou usar outro sistema? Eu não quero
aprender tudo de novo!" Ela tentou usar o mouse, mas
como todos, teve problemas de coordenação no começo.
Isso foi o suficiente para ela não tentar outra vez.
A Newsweek cita R. Anderson, autor de "Computers in
American Schools", "Computadores nas Escolas Americanas",
como tendo dito que "Garotos e garotas são igualmente
interessados em computadores até mais ou menos a quinta
série; nesse ponto o uso dos garotos aumenta significativamente
e o das garotas diminui". Isto é uma verificação elaborada
do óbvio: é nessa idade que a diferenças de gêneros
apontadas acima começam a se desenvolver. As garotas
em geral se desenvolvem muito mais rápido do que os
garotos. Acredito que essa diferença com relação ao
interesse em computadores é saudável e corresponde
às diferenças "naturais" entre um sexo e outro. Estar-se-ia
quebrando a evolução individual "natural" se se forçasse
as garotas a ter mais interesse, e os garotos a ter
menos. Bem, é preciso afirmar aqui que eu sou absolutamente
contra o uso de computadores antes do colegial, de
qualquer forma, mas isso é um outro assunto (vejam-se
os inúmeros artigos, ensaios e entrevistas a esse
respeito em meu "site").
A Newsweek menciona que a primeira programadora
foi Lady Ada Lovelace, assistente de Charles Babbage,
e faz o seguinte comentário que, de acordo com as
minhas observações acima, não poderia ser mais estúpido:
"Se [Ada] tivesse se tornado um modelo, talvez centenas
de milhares de garotas teriam passado suas adolescências
trancadas em seus quartos olhando para a tela de um
computador". Felizmente, elas foram mais espertas
e não fizeram isso!!! Continuando, a Newsweek cita
Marcelline Barron, administradora da Academia de Ciências
e Matemática de Illinois, uma escola mista com internato
somente para estudantes excepcionalmente dotados (???).
Barron lamenta que as garotas estejam "fazendo suas
unhas ou preocupando-se com seus cabelos" e diz que
"nós temos esse tipo de expectativa para garotas;
elas devem ser limpas, devem ser quietas". Talvez
as garotas estejam preocupadas com suas unhas porque
seus pais e a escola não lhes deram outros interesses
mais substanciais, como formação artística e amor
à leitura (ambos devem evidentemente também ser dados
aos garotos). Mas o que me preocupa mais nesta afirmação
é acreditar-se que as garotas comportam-se dessa forma
por causa de influências culturais. Na minha opinião,
nós estamos aqui vendo um desenvolvimento "natural",
e não cultural. Obviamente, o ambiente tem um papel
importante, mas eu tentei mostrar que as características
humanas profundas no uso e no interesse em computadores
estão relacionadas às diferenças gerais entre sexos.
Maridos e mulheres não devem ficar impacientes com
seus cônjuges: felizmente, todos estão se comportando
como deveriam com relação à sua natureza.
O ser humano não é um ser puramente
"natural" é por isso que eu usei aspas
nessa palavra. Isso significa que o indivíduo pode
ter certas tendências "naturais" mas superá-las através
da sua própria livre vontade. Nesse sentido, gostaria
de dizer que talvez uma mistura das características
masculinas e femininas seja o ideal. Os homens não
devem deixar que sua fascinação por máquinas e por
um pensamento abstrato-analítico os dominem, ficando
imersos por horas no mundo artificial, virtual, irreal
dos computadores, às vezes fazendo coisas absolutamente
idiotas. Recomendo fortemente ler a crônica cheia
de humor, escrita por George Hackett, que acompanha
o primeiro artigo na revista Newsweek. Uma amostra
desse artigo: "Meu processador de texto, por exemplo,
consegue não apenas pegar a primeira letra de qualquer
parágrafo, colocá-la de cabeça pra baixo e deixá-la
vermelha. Ele faz isso de 42 formas diferentes! Eu
já passei várias noites instalando macros que fazem
coisas como imprimir meu horóscopo na parte de trás
de envelopes. Isto é uma coisa bastante útil!". Por
outro lado, as mulheres devem fazer um esforço em
serem curiosas para entender a tecnologia (apenas
o entendimento torna possível colocá-la no seu devido
lugar) e aprender novidades que podem ser úteis.
O outro artigo que acompanha os dois
anteriores na Newsweek é de Deborah Tannen. Ela chama
a atenção para o fato de que as mulheres amam o correior
eletrônico (apesar de serem submetidas a referências
horríveis com relação a sexo pelos homens; claro,
quem é o agressivo?). Obviamente, essa é uma parte
social maravilhosa da computação! Uma lista de e-mail
junta pessoas com interesses comuns de uma forma que
não era possível antes (lembre-se do gesto feminino
de abraçar). E eu acho que esta lista (Ethics-L) mostrou
por anos que é possível manter o nível, a educação,
o respeito e a boa vontade em sistemas de e-mail.
Mas deve-se evitar tornar o e-mail "muito masculino",
no sentido de uma pessoa deixar de lado a educação,
a etiqueta (não cumprimentar, não despedir-se, não
colocar uma assinatura com seu nome e localidade)
mandando apenas textos telegráficos super-objetivos,
etc.
Proponho que os participantes leiam estes
interessantes artigos da Newsweek e comparem seus
conteúdos com as minhas considerações. Como um representante
masculino tipicamente ambicioso, espero que elas
possam jogar alguma luz no assunto, tornando algumas
poucas pessoas mais conscientes das suas diferenças
naturais de sexo, tornando-as mais tolerantes ao
sexo oposto, e levando-as à auto-educação. Eu apreciaria
quaisquer críticas e adições que possam enriquecer
este ensaio.
Nossos agradecimentos ao Professor
Valdemar W. Setzer, que muito gentilmente nos autorizou
publicar este ensaio.
NOTA
DA EDITORA: este
artigo foi editado pelo Domínio Feminino. O
texto abaixo faz parte do corpo do texto do ensaio,
como se encontra na HP do Professor, no endereço
que segue.
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/Homens-Mulhs-Comps.html
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/
Prefácio
Este artigo foi escrito originalmente
em 1994, em inglês, em resposta a uma pergunta de
Dilma Menezes, que então fazia seu doutorado no Georgia
Institute of Technology. Escrevi-o também para enviá-lo
para a lista eletrônica Ethics-L, sobre ética na computação,
da qual eu fazia parte naquela época. VWS.
Introdução
Na sua edição de 16 de maio de 1994, a
Revista Newsweek traz um artigo de capa intitulado
"Men, Women & Computers - the Gender Gap in High Tech",
"Homens, Mulheres e Computadores – a distância entre
os sexos no campo da alta tecnologia".
Versão revisada deste ensaio
em
"Meios Eletrônicos e Educação:
uma visão alternativa", 2a. ed., São
Paulo: Editora Escrituras, 2002.
15 de Maio de 1994.
Tradução de Adolfo Neto
- Professor de Técnicas de Programação
do CEFET-AL
Digitado por Jacqueline Félix - aluna
do quarto ano do curso de Informática do CEFET-AL.
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