Amante faz bem?
Ou fidelidade conjugal
faz mal?
Coordenação
editorial: Adriana Murin
Colaboraram:
Alessandra
Pereira e Lia Monteiro
01, Setembro/2001
Ainda
que algumas poucas depoentes tenham autorizado a
publicação do nome verdadeiro, optamos
por fazer uso de nomes fictícios. Se alguém
conhecer pessoas com os nomes aqui citados, tenham
certeza de que é a mais absoluta coincidência.
Para
Ana Maria L. Barbosa, 28 anos, divorciada, um filho,
ter um amante dá mais pique à relação
conjugal. Quando perguntada se não se sentia
dividida emocional e afetivamente, Ana Maria diz
que não saberia o porquê de alguém
sentir-se assim; que na maneira como ela vivenciou,
os sentimentos eram diferentes: o amor era para
o marido e só a adrenalina ficava com o amante.
Ter
um amante para Ana Maria foi como se sentir livre
para escolher o cardápio mas, algumas vezes
escolhia dois pratos diferentes. " Tinha dia
que eu me vestia para meu amante e outras vezes
eu me pegava me cuidado pro meu marido. Era a maior
doidera, muita adrenalina.
Ao
contrario, os sentimentos de V., que pede que seja
mantido o nome em sigilo, 34 anos, 12 de casada, são
de culpa e total infidelidade a ela própria
e ao marido. "Pensei, porque, ter um amante por
uma satisfação tão passageira,
e o prazer dura apenas algumas horas e se esse prazer
eu tenho com meu marido ?". Além do que
meu marido é um homem maravilhoso e me ama.
E eu o amo. Não vale essa adrenalina. Cátia
pergunta e responde, ela mesma.
Quando
V. encontrou o ex-amante pela primeira vez, estava
acabando de deixar a segunda filha na escola. A
filha dele estudava na mesma escola que a filha
dela. Papo de filho vai, papo de filho vem e acabaram
indo sentar num barzinho, lá mesmo por perto
pra terminar a conversa já que a filha de
V. estava em período de adaptação.
Houve uma freqüência de encontros que
acabavam no bar que a cada vez ia ficando mais distante
da escola até que acabou num motel mesmo.
No
início nem me tocava para o que estava me
acontecendo e minha relação com meu
marido ficou normal, menos a relação
sexual. Essa não ficou legal, não.
Eu fugia dele. Não achava graça alguma.
Orgasmo, nem pensar.
O
caso durou alguns meses, uns dois e alguma coisa
e depois fui esfriando e passei a me atrasar para
levar minha filha à escola. Em seguida procurei
outra escola para ela. Até hoje me pergunto,
que loucura foi aquela. Bom, pode ter sido coisa
da idade, sabe, assim, coisa de mulher de 30 anos.
Nem sei. V. acha ótimo que o tempo tenha
passado e que ela quase nem mais se lembre do fato.
Desencanou.
Cátia
Luchesse tem 25 anos, sem filhos, trabalha fora,
considera-se uma profissional a caminho da plena
realização. Casou-se há apenas
um ano e conta que "tem nada a ver essa coisa
de culpa, disso ou daquilo". Assim, as coisas
rolam, naturalmente, é muito bom e pronto.
Ela desconfia que o marido, 29 anos, sabe, mas tudo
bem. Não pergunto sobre ele nem ele sobre
o que faço quando viajo a trabalho ou para
algum congresso. O fato de eu ter que viajar algumas
vezes ajuda a deschavar.
Julia
M.M, 43 anos, 04 filhos - uma filha casada - que
também trabalha fora mas que e viaja esporadicamente,
faz questão de ressaltar que não tem
amantes, tem apenas casos "rapinhos" e
"oportunos". Esclarece que pela distância
física e geográfica a que está
do marido, quando isso acontece, ela se sente como
se não fosse casada. "Um limbo de estado
civil", diz Julia. É curioso por que
Julia usa um vocábulo de conotação
religiosa registrando uma dicotomia quando diz que
é católica.
Diana
diverte-se pedindo um nome diferente, tem 44 anos,
um filho adulto, disse ama o marido mas mantém
uma relação extra-conjugal há
12 anos e lida muito bem com a situação
porque também ama o amante. Ama fazer sexo
com o marido e com o amante com a mesma intensidade.
Administra sem nenhum conflito interno e até
guarda em casa mesmo as cartas de amor do amante
que mora em outro estado, também casado.
Ela recebe as cartas em sua própria residência
e nem o marido ou o filho jamais viram uma carta
sequer. Diana não trabalha fora.
Beta
L., 26 anos e Lucia. G., 30 anos, trabalham fora,
têm filhos, duas amigas que sedimentaram a
amizade depois que uma descobriu que a outra também
pulava a cerca. Arquitetam tudo juntas, uma encobrindo
a outra. Caso pouco comum entre mulheres. Os maridos
são superamigos.
Conta
Lucia que por pouco a coisa não deu na maior
confusão. Ela havia telefonado para Beta
querendo saber se ela ia poder dar carona quando
saisse do trabalho e Beta disse que tinha que pegar
a sogra que estava na casa da cunhada . Até
aí foi tudo bem. Aconteceu que Beta telefonou
para outro departamento da empresa onde ela trabalhava
e pediu carona pro amigo e ele disse que tudo bem.
A caminho de casa Beta e o amigo foram conversando
e ela pedia desculpas por fazê-lo ir além
da casa dele. O amigo disse que não iria
para o apartamento que dividia com o irmão
porque o irmão estava acompanhado e ele,
por isso, ia aproveitar para ir ao shopping pegar
uma calça que ele havia comprado mas que
ficou na loja pra acertar a bainha.
Sem
conhecer bem Lucia G., o amigo de Beta começou
a falar e quando Beta começou a desconfiar,
por alguns dados, foi puxando mais até que
sem querer descobriu as coincidências. Ele
não fazia a menor idéia que as duas
eram amigas e que Lucia era casada, sabia menos
ainda.
Beta
contou pra Lucia pra que ela tomasse cuidado. Da
mesma maneira que ela soube alguém mais poderia
acabar sabendo também. O papo foi sincero
e sem medos por isso que Beta resolveu contar o
lance do caso que ela mantinha.
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