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Você está
pedindo...
violência
Suzana Bertioga
28, Novembro/2004
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Como
mães e filhas, todas nós conhecemos essa frase
que antecipa alguma punição por comportamento
ou atitude exasperante de nossos filhos ou, antecipava,
para com nossos pais. As mães e filhas de ontem e de hoje
não escapam da frase do título. Há horas em que o fio da
paciência fica curto. Nem sempre as mães conseguem seguir
as receitas dos psicólogos pelos simples fato de serem humanas
e a frase aflora em algum momento em que o limite está prestes
a ser atingido.
Você
está pedindo...( para que eu mostre que você ultrapassou
seus limites e atingiu os meus )
Pensar
que definir o limite da ação violenta do outro não deva
passar pela punição é negar a necessidade de leis, respeito
ao outro e todas as regras que possibilitam convívio humano
harmônico. Dizer que uma criança não comete ato de violência
contra adulto seria um despropósito. Ainda que a criança
peça para que esses limites lhe sejam mostrados, ela o pede
usando de violência mesmo que não tenha definido o, ou,
os conceitos. A criança apenas desconhece a palavra que
exprime sua ação. Homens e mulheres adultos, muitos, continuam
sem reconhecer esse limites humanos bem como desconhecer
a palavra adequada para a ação incorreta.
Muitos
debates e estatísticas assombrosas sobre violência masculina
cometida contra a mulher no âmbito doméstico
têm sido divulgados. Teses acadêmicas, rodas de tudo
e até de samba.
Uma
coisa, porém, não tem sido levada em consideração como
um dado para reflexão. Quem já pensou que uma mulher pode
cometer violência física contra um homem? Correto. É
o homem que se deixa apanhar. Mas, não é bem assim.
Grande
é o número de mulheres que apelam para toda sorte de violência
contra os homens, inclusive partir para cima dele no tabefe
ou usando panela ou qualquer objeto que esteja à mão. A diferença
é que, pelo fato de o homem ter mais força física ele acaba
por defender-se, mas isso não significa que sempre consegue
livrar-se da agressão física e muitos acabam no hospital.
Ainda que não vá parar no hospital a intenção
de agredir fisicamente existiu.
Se um homem agredido fisicamente for parar em um hospital
e acontece , jamais ele irá contar o fato como
ocorrido, assim como costuma acontecer com as mulheres. O
"agravante" seria dizer que foi espancando por "uma mulher".
Os homens não-violentos são atacados pela mulher, principalmente,
quando alcoolizados, pois ficam sem reflexos precisos. Nesse
grupo, se houver alguma curiosidade estatística de alguma
instituição veremos que esses casos não são raros como se
imagina e que não constam de nenhuma estatística
de violência física da mulher contra o homem.
Você
pediu...
No
grande grupo de mulheres agredidas fisicamente estão as que
perfuraram o limite do homem de suportar a violência do ciúme,
da humilhação através de palavras desonrosas quando todos
os defeitos do próprio, da mãe ( a sogra dela ), da família
toda são jogados no rosto dele. Caem do céu como tempestade,
o fel destilado pela boca. Mulheres que não medem palavras
para cobrir o homem de sentimento de culpa e vergonha. Mulheres
que se comprazem em atormentar o homem até que eles são encostados
no limite.
Para
jogar com palavras e frases fortes, as mulheres são bem mais
competentes que os homens e a maioria daqueles que vivenciam
tal situação ouve calada, somente, porque eles
sabem que não são bons com palavras e não por medo da situação
em si, mas medo de ir ao encontro do seu limite e ao perder
a chamada "estribeira" revidar com a força física. Esses que
suportam calados para não deixar explodir a força física são
chamados de bundões, no mínimo.
Quando
o "paspalhão" não suporta mais, ou ele sai e vai embora ou
perde a paciência e parte para a agressão física. A força
física vai funcionar como uma espécie de substituição à incompetência
de fazer uso das palavras como instrumento de violência, que
ferem muito mais e porque não visíveis, não
fazem mártires.
Nas
delegacias e hospitais as feridas das palavras não aparecem.
Biblicamente, as palavras faladas, o vento leva. Mas a violência
psicológica contida nas palavras não deixou de existir nem
deixou de ferir. Nas delegacias e hospitais só aparecem as
marcas das escoriações e hematomas da violência física contra
a mulher.
Talvez
por isso, em geral, é que os homens não gostam de bate-boca.
O bate-boca é a ante-sala da agressão física e eles sabem
melhor do que nós.
Se
você é mulher e se considera "tipo pavio
curto" lembre-se que todo ser humano, por mais calmo
que possa parecer, por mais civilizado que seja, tem seu momento
de "animal doente". Ninguém vai querer ser
seu saco-de-pancadas. Por que seu marido aceitaria ser ? Em
resumo, não abuse da paciência nem do amor do
seu marido, namorado e, desconfie de alguém com tanta
capacidade de suportar maus tratos, ouvir desacatos e humilhações
por dias, meses e anos.
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