Entrevista
com Bianca JHordão,
líder
da Banda Leela
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A imagem de bad
girl está mais para passado
em tempos de passagem. Passagem da adolescência para a
mulher adulta profissionalizada.
Bianca jHordão
com uma trajetória precoce que lhe deu chão o
suficiente para subir e descer as escarpas do mundo artístico
musical como líder da banda Leela; uma mulher
perseverante, doce e forte. Nenhum desses adjetivos empana a
capacidade de ser "atrevida" no melhor dos sentidos.
Ousada, no mínimo.
BTW, não
falem mal do signo de Leão perto de um leonino, assim
como do de Aquários perto de um aquariano. Esses dois
signos apavoram os astrólogos: a vaidade deles não
permite que eles ouçam alguém dizer como eles
são. Mas, trocentas mil outras qualidades cercam o signo
de Leão, o signo da máquina do rock, que estamos
entrevistando, Bianca Jhordão. Organizados, os leoninos,
são exigentes ( com outras pessoas ), generosos, bons
amigos e líderes natural. Eles ganham todas no Fogo e
no Sol, ou seja no suor. São mulheres de atitude visto
que o signo é masculino ( e machista pelo visto ).
Leonina, nascida no
Rio no dia 4 de agosto de 1977, 24 anos. Aos sete anos seus pais
resolveram morar em Itaipava, Petrópolis e lá ficou
por onze anos.
— Na época, Itaipava
era uma cidade muito pequena e não tinha quase nada. Me senti
um pouco isolada, ainda mais porque minhas amigas estavam todas
aqui no Rio. Hoje em dia percebo que ter passado a adolescências
lá foi maravilhoso: morava num sítio com cachorros,
piscina, pomar, horta, coisas que se eu morasse aqui no Rio não
teria.— Bianca relembra.
DF — Bianca, como aconteceu
sua iniciação na música ?
Bianca jHordão
— Sempre gostei muito de ouvir música. Minha mãe e
meu pai tocam piano muito bem e um dia descobri que minha mãe
também tinha um violão. Tive curiosidade em aprender,
mas o que eu realmente queria tocar era bateria, mas meu pai disse
que não me daria uma. Passei a aprender o violão mas
dormia nas aulas de teoria. Eu sentia dificuldade em começar
a tocar porque sou canhota e meu professor na época disse
que me ensinaria a tocar do lado "normal" (o destro). Na verdade
acho que ele não sabia ensinar a canhotos. Até hoje
toco no lado "certo", mas acho que se tivesse aprendido a tocar
canhota tocaria melhor. Um dia eu aprendo.
DF — O quê deu origem a sua imagem de bad
girl?
Bianca jHordão
— Coisas da adolescência, pode ter sido isso. Quando tinha
15 anos fui chamada para comandar um programa na Rádio Tribuna
FM, em Petrópolis. Trabalhei na rádio durante 2 anos
e depois passei a ter meu próprio programa, o "Alternative
Mind", que tocava música alternativa e novidades do rock.
Eu fazia o programa com um amigo meu, o Sidarta, e nós éramos
muito censurados por parte da rádio.
Parece absurdo, mas
tínhamos que ir durante um dia da semana mostrar todas as
músicas que iríamos tocar no programa, que era aos
sábados das 18 às 19h. Se o programador da rádio
achasse que era um pouco pesada ou não iria combinar com
a rádio, ele não deixava tocar. E isso porque tínhamos
a maior audiência da rádio e patrocinadores bancando
o programa. O diretor da rádio não aceitava que uma
"adolescente que gosta de rock" tivesse o programa mais ouvido e
resolveu acabar com o programa. Fiquei muito revoltada. Alguns meses
depois fui tentar voltar com o programa, mas eles não aceitaram.
DF — E essa coisa de entrar na música de
cabeça, com banda e tudo?
Bianca
jHordão — Aconteceu que mudei para o Rio para fazer a
faculdade de jornalismo e comecei a escrever resenhas de discos
para algumas revistas. Durante um show no Ballroom, conheci a Eva
e, juntas, formamos o Pólux, minha primeira banda. Não
sabíamos tocar direito mas resolvemos cair de cabeça
e aprender a tocar, cantar e compor. Foi tudo muito rápido.
Com um mês de banda gravamos nossa primeira demo com 3 músicas
e começamos a fazer shows pelo Rio. A banda também
contava com a Marcela Gomes na bateria e o Rodrigo Brandão
na outra guitarra.
A banda durou 3 anos.
Nos apresentamos em vários lugares do Brasil, e em importantes
festivais como o Abril Pro Rock de 98 (Recife), Palco do Rock 99
(Salvador), SuperDemo, etc. Tocamos com várias bandas legais,
conhecemos muitas pessoas interessantes e fizemos nossa história
no meio under daquela época. Foi muito divertido. Não
tinham muitas bandas com garotas quando o Pólux surgiu e
senti dois lados muito fortes: ao mesmo tempo que chamava atenção
ter mulher tocando e cantando, a cobrança é bem forte.
As pessoas cobram muito mais de você ter que cantar bem "afinadinho
e bonitinho", tocar bem, Ter presença de palco, ter atitude,
ter visual, etc.
DF — Você já coleciona uma boa lista
de parcerias. Onde isso começou?
Bianca jHordão
— Em 99 conheci o Fausto Fawcett num show do Pólux. Ele nos
viu tocar no MAM, no evento do Chacal, o CEP 20000 e depois do show
me chamou para fazer parte da banda dele. Nos reunimos e fizemos
as musicas para o show "Dallas Melrose" que teve uma temporada no
Rio no mesmo ano.
Fausto deu uma parada
porque tinha que terminar o livro dele Copacabana Lua Cheia mas
continuávamos a nos falar. Em 2001 nos reunimos novamente
(e dessa vez com a participação de Dado Villa Lobos
na outra guitarra) para shows no Free Zone no Rio e em Porto Alegre.
Fausto e eu nos tornamos além de amigos, parceiros de música.
Começamos a compor juntos para o Leela e atualmente no nosso
show tocamos 3 músicas dessa parceria: "Romance Fugitivo",
"Último Jantar" e "Qualquer Um". No fim do ano passado Fausto,
Dado, Marcelo de Alexandre e eu começamos a compor as novas
músicas para o próximo show do Fausto, que irá
estrear em março. Fizemos 19 músicas em pouco mais
de um mês.
DF — A volta à Banda, como é que aconteceu?
Em meados de 2000, o
Pólux terminou e eu e Rodrigo Brandão (que também
tocava guitarra no Pólux) formamos o Leela. Chamamos a Katia
Dotto para o baixo e o Luciano Grossman para a bateria. Juntos gravamos
nossa primeira demo, que tem 3 músicas "Ver O Que Faço",
"De Vez" e "Nenhuma Palavra" em dezembro de 2000. Lançamos
esse material em janeiro de 2001 e começamos a fazer shows
pelo Rio.
DF — Como está sendo a trajetória
da Banda Leela
Em maio de 2001, o Leela
tocou no festival MADA em Natal (RN) e seguiu com uma pequena turnê
pelo Nordeste: shows em João Pessoa, Aracaju e Salvador.
Em junho tocamos na festa "London Burning", em São Paulo
e também nos apresentamos no programa da TV Cultura, "Musikaos"
e no Sesc de São José dos Campos. Em novembro tocamos
no "Goiânia Noise Festival" ao lado de Ratos de Porão
e Wander Wildner. Menos de um mês depois voltamos a cidade
para outra apresentação e ainda tocamos em Brasília
no festival de 10 anos do programa de rádio "Cult22". Em
dezembro fomos para Belo Horizonte e em janeiro vamos tocar no festival
Humaitá Pra Peixe (no próximo dia 15 de janeiro),
no Ballroom junto com o Arnaldo Brandão (no dia 21 de janeiro)
e depois iremos para o Sul tocar no "Festival Senhor F" em Florianópolis
e ainda em Porto Alegre.
DF — E depois da música?
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Bianca jHordão
— Adoro fotografias. Adoro tirar fotos de todos os meus momentos.
Tenho fotos de todos os shows doPólux, do Leela, das minhas
viagens, meus cachorros....Essa minha mania começou quando
um dia minha mãe me mostrou uma caixa enorme aonde ela guardava
várias fotos. Tinham fotos dos amigos dela, das viagens e
o que eu mais gostava era de observar o estilo de roupa das pessoas
nas fotos, dos cabelos, das situações e também
de saber um pouco mais sobre a vida dela. Desde então comecei
a clicar todos os meus momentos e quando revelava as fotos, anotava
o nome das pessoas, o lugar e a data de cada foto. Até hoje
faço isso.
Bolinha rápida:
DF — Bianca, fazendo uma pausa profissional ( risos
) e o sexo? Vale tudo?
Bianca
jHordão — Vale se você estiver a fim. Fazer qualquer
coisa forçada não existe.
DF — Considera que na hora da vingança a
mulher é mais perversa do que o homem?
Bianca jHordão
— Sim. a mulher calcula melhor sua vingança. por exemplo,
a mulher pode simular um orgasmo, o homem não. A partir daí
tudo fica mais fácil se a mulher tiver o controle da situação.
DF — Mulher detona mas a outra quando se sente ameaçada,
mais do que homem ?
Bianca jHordão — Detona.
Perfil:
As bandas
que mais me influenciam são Pixies, Weezer, Smashing
Pumpkins, Bealtes, Portishead.
O filme que mais me marcou foi "A Noviça
Rebelde" que vi quando era pequena. Foi quando percebi que a música
teria que fazer parte da minha vida. Comprei o disco, o filme e quero
comprar o DVD....
Meu diretor preferido é o
Buñuel. Vi quase todos os filmes dele, são surpreendentes,
maravilhosos. Recentemente, os filmes de que mais gostei foram "Clube
da Luta", que critica o "american way of life" recente e "Cecil
Bem Demente", que faz uma crítica literalmente violenta a
Hollywood (e essa crítica pode ser estendida à indústria
fonográfica também). É uma crítica ao
mainstream, ou seja, a megas-produções patrocinadas
por corporações feitas só com o intuito de
gerar lucros utilizando-se de clichês bem manjados.
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