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Dia do
Consumidor
 

Maria José Loredo Moreira de Souza, mulher, mãe, vítima.
Qual o tamanho da solidariedade feminina? Ela existe mesmo ?

 
Seja ditadora
da sua moda

Incremente a moda de inverno, começando desde já a preparar peças de roupas e acessório em tricô. Um pulover personalizado ou uma suéter com estilo.

 
Como estão as cortinas da sua casa?
 

Mesmo com dinheiro suficiente, sobrando, nós mulheres brasileiras precisamos aprender o que já sabem as mulheres dos países ricos: economizar, gastar menos e ter qualidade e durabilidade.
Durabilidade é a palavra-chave. Se um bem tem durabilidade isto significa economia. Essa máxima deveria ser utilizada para vestuário, roupas de toda a ordem, cama, mesa, banho e o mais.

 

Portal www DominioFeminino com

 

 

  Opinião:

Para Patricia Rocha, as mulheres são invejosas e perversas, por insegurança. "Mulher não é solidária com outra mulher".

Patrícia é chefe de redação do www.expresso2222.com.br

 



Espelho, espelho meu
existe Atena mais perversa
do que eu?

 

 

É voz corrente entre as mulheres, que a inveja e o ciúme da possibilidade de sucesso da outra é sempre uma ameaça. Para as mulheres, quase em geral, votar praguejamento é mais fácil que votar um elogio às qualidades da outra, ou tecer um comentário de louvor, força e união. Todas dizem que trata-se de insegurança das mulheres. Aliadas?! Nem pensar.

Rita Louvado
01, Junho/2002

Medusa, a única mortal das três irmãs Górgonas, portanto a mais frágil. Uma versão dá conta de que Medusa tinha uma cabeleira invejável, belíssima que seria objeto da cobiça da imortal Atena. Medusa teria sido violentada por Perseu dentro do Templo sendo mais um fator que alimentava a inveja de Atena. Fico com essa versão, sem falar em Mirina ou nas Amazonas, para passear sobre o assunto. ( Quem desejar refrescar a memória dê um pulinho rápido no Dicionário de Mitologia Grega e Romana, de Pierre Grimal ).

Os fatores beleza e disputa por um homem ( disputas em geral ) teriam levado Atena a descarregar todo o poder sobre a infeliz mortal Medusa, transformando-a, por vingança, numa velha, numa mulher medonhamente feia e má.

Os cabelos de Medusa, objeto da inveja de Atena, foram os punidos com excelência de requinte de maldade pois Atena transformou cada fio de cabelo em cobra peçonhenta. Os restos dos traços do rosto vamos deixar de lado, mas é estranho que o corpo tenha sido poupado. Um corpo feminino, seios, ventre e quadris bem delineados como se pode ver numa escultura em mármore, o momento em que Perseu, segurando Medusa pelas cobras ( cabelos ) decepa-lhe o pescoço. Ainda olhando para a escultura, o rosto assustado e feio de Medusa leva qualquer mulher a identificar-se com aquela agonia, provocando um sentimento, uma espécie e sentimento de confraria, irmandade ou coisa que o valha.

 

Perseu poderia passar pelo inventor do vanity mirror, nosso espelho de beleza. Mas um ponto para a habilidade de Atena, manipulando o homem Perseus — para outros, a própria Atena teria segurado o escudo de Perseu "para que ele se protegesse" do olhar de Medusa — . Isso é o que se pode, de fato, chamar de herança maldita. Não bastasse que outra mulher exercendo o ódio, sendo impelida pela inveja despertada pela cobiça, tenha criado uma imagem repelente para sua rival, punindo-a com todo rigor do poder, ela o perenizou através do espelho, com o significado pertencente ao olhar de outra mulher, ou o julgamento e desapreciação que uma faz da outra.

A covardia de Atena, Deusa imortal abateu-se exatamente contra uma mulher comum, mortal e que a ameaçava pela beleza da cabeleira e pelo grau de sedução a ponto de atrair o homem que ela, Atena, desejava. Pode ser menos, pode apenas ser o gosto de exercer o poder com crueldade. É assim que funciona o poder, não importando na mão deste ou daquele gênero, se nas mãos de homens ou mãos de mulheres. Sempre passa pela ambição que induz à competição.

Tanto o resto desta passagem mitológica ( grega ) com o início e desdobramentos, todas sabemos. O fato aqui considerado é o motivo de as mulheres serem suas maiores inimigas. Disputa-se tudo por ninharia, por vileza de espírito. "Eu não quero ele de volta, mas com ela, ele não fica". Úúúúú, como se ouve essa frase.

Atenas existem, mesmo cheias de qualidades, deusas poderosas, ricas e belas, mas não basta. Elas queren sempre tomar alguma coisa de uma outra mulher ou quer sempre provocar e expor a carência da mulher mais próxima cuja autoestima é ou está baixa. Principalmente quando ela sabe que a outra não terá nenhuma chance de ter o que ela tem. Isso faz o prazer de exibir seu poder ser muito mais emocionante. Humilhar, tentando provocar na outra o sentimento de inveja, para que com esse sentimento a próxima fique mais feia e vil. Mais feia do que a provocadora. Assim ela consegue se sentir superior perante outras.

Se sua amiga Atena nota que você não possui determinado objeto que ela tem e que serviria a você do mesmo modo, ou dando prazer ou sendo uma coisa útil, sua amiga Atena vai esfregar na sua cara o tempo todo aquilo que ela tem e você não. Nunca espere um elogio de Atena e nem que ela venha lhe dizer alguma coisa construtiva, com amor, para ajudar você. Atena não vai elogiar seus cabelos!

Nem seus filhos irão escapar, como não escaparam os filhos de Medusa. Mas Atena pode ser e não parecer maligna, dessa do tipo capaz de se fazer de tola, de tonta e inocente, dissimula o tempo todo. São as Atenas perigosíssimas. Tramam até elogios à Medusa e toda a família. Você se transforma no espelho dela, ou seja, o olhar dela está sempre dirigido na sua direção, como olho de "seca pimenteira".

Esse espelho, o olhar de outro, se pensarmos, não foi inventado por Perseu, a crer na astúcia de Atena que, sendo ela mulher, portanto conhecedora dos sentimentos de outra mulher, instruiu Perseu a usar o escudo reluzente como espelho e assim proteger-se dos possíveis malefícios vindos do poder feminino. Exibir-lhe o a feiura do próprio poder peçonhento. Atena joga e usa e manipula o tempo todo. A criadora do espelho foi o olhar da própria Atena.

Esse espelho tem sido dado aos homens, por nós mesmas, desde os mais remotos e desconhecidos tempos. A convivência com a mãe, irmãs, tias e todas as outras mulheres que o rodeiam não poderia invocar outro olhar e projetá-lo para e por nós mulheres. Somos vistas pelos homens através do olhar deles ( o espelho ) pelo que eles acumularam de experiências no ouvir, no ver e no sentir que lhes oferecemos. Aqui cabe uma reflexão muito séria.

Esse homem é testemunha das pequenas vinganças perpetradas por suas irmãs, por sua mãe. Eles nos ouvem antes mesmo de nascerem. Através desses milênios todo homem, viu e ouviu nossas maquinações, pragas contra outras mulheres e contra eles mesmos. Portanto, eles sabem do que somos capazes. O quanto de perversidade foram impostas aos homens, em sua infância, pela primeira professora?! Gritos e/ou ameaça, as mais simples ( para nós adultas ). Pela mãe "gorila", pela irmã enciumada em dividir o espaço afetivo dos pais?

O que o espelho masculino diz de nós:

"Toda mulher é, em essência, libertina — dito por Pope

"A mulher é eternamente uma coisa mutável e inconstante — dito por Horácio que ainda não sabia da existência dos nossos hormônios e nem que eles todo mês, viram tudo de ponta-cabeça.

"Como acreditar num bicho que todo mês sangra e não morre de anemia ( por causa disso )? " — desconhecido

"Dissimulação é inata na mulher " — Schopenhauer

"Fragilidade, teu nome é mulher" — o inocente do Shakespeare. Quem sabe nós mulheres não criamos essa aparência frágil como um mecanismo que seria esse tipo de poder "surdo" para suprir nossa carência de poder físico?

 

Se não gostamos de como os homens nos vêem em seus espelhos, por qual motivo nós mesmas não nos traduzimos, se isso nos incomoda tanto? Por que não temos outro espelho para oferecer.

( Ler Antropologia social do perfumeMaria da Penha Vieira )

 

Com certeza, é mais cômodo passar o recibo em nome dos homens enquanto deixamos a nossa sujeira debaixo do tapete. Discutir o poder masculino sobre nós mulheres desfoca o principal que seria ver como nos relacionamos, qual ou quais os sentimentos que nutrimos pelo nosso gênero. Se nós mulheres já tivéssemos "nossa casa" mais resolvida, desfazer nossos malfeitos junto aos homens ficaria mais fácil. Mas não, estamos sempre, mesmo sem querer, pelo já cristalizado em nosso olhar, criando Medusas e multiplicando Atenas, para os espelhos masculinos.

A cada segundo uma mulher Atena cria uma mulher Medusa. Toda vez que uma mulher "ocupa" o ouvido da outra para falar mal de uma mulher, o estrago está feito. Contudo, o objetivo de qualquer Atena que se preza é o ouvido masculino. Neste, o denegrir a imagem da rival tem o alcance desejado. O ouvido masculino é o meio mais seguro para efetivar uma Medusa. Atena pode nem estar interessada no Perseu e o faz por cumprimento da missão.

Esse estrago, ao contrário do que pensa a mulher Atena, está também, deixando sua imagem embotada porque o ouvido que foi emprestado vai saber que o mesmo vai acontecer com ela, e vinda da mesma pessoa. Para deixar claro, quando você fala mal de uma colega, amiga ou conhecida ou desconhecida, você está perdendo credibilidade junto àquela para quem você falou. Como? Ora, quem fala de uma fala de todas. "Cesteiro que faz um cesto, faz um cento ".

Se dentro de todas nós existe uma Atena e uma Medusa, vamos precisar trabalhar esse equilíbrio que começa pelo reconhecimento de que elas fazem parte do nosso espelho. A não-aceitaçao dos dois lados poderá ter gerado todo esse profundo descontentamento que procria baixa autoestima. Fato é que precisamos pensar na química que usamos para fabricar nosso espelho.

Penso que culpar, tão-somente os homens pelo espelho através do qual eles nos vêem é muito simples. O que nós mulheres queremos ser, quando crescermos?

 

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