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Rapidinha
da Moda
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Renove seus sapatos
sem gastar quase nada. Isto chama-se criatividade.
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Acessórios
simples, bonitos e baratos, em Sugestões.
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Centro
da cidade, horário de almoço. A multidão
trafega em avalanche. O sinal vermelho para os carros. Um pastor
em seu terno barato anuncia a salvação. Panfleteiros
atrapalham o caminho e contribuem com o monte de papéis
inúteis no chão. Promoções fluorescentes
de comida á quilo captam o olhar. Mendigos estendem as
mãos. Garçons servem ocupados executivos ao celular.
Um palhaço diverte os passantes...
O parágrafo
acima ilustra diversas situações de comunicação
que, nós produzimos e respondemos diariamente. Uma infinidade
de sons, objetos e visões sem os quais a nossa existência
seria impossível. A condição humana depende
deste contato, contágio. Sendo impossível o sustento
de qualquer cultura sem que haja a transmissão de alguma
forma daquilo que se passa dentro de nós. Uma sociedade
não se concretiza sem que os indivíduos se comuniquem
através de quaisquer dos cinco sentidos que conhecemos
cientificamente. O ser humano, simplesmente, não existe
sozinho.
"Consideramos
pois, a condição humana. Veremos que inclui: um
equilíbrio biológico fundamental; um conjunto de
relações dinâmicas entre os homens e seu meio
material – relações estas que se manifestam mediante
o desenvolvimento de técnicas; um conjunto de relações
dos homens entre si, que caracteriza ao mesmo tempo a estática
e a dinâmica da existência social; finalmente,
um conjunto de formas de expressão de que se serve
o homem, ao mesmo tempo, para tratar de dizer o que é e
que faz, ou pelo menos, o que crê ser e fazer, e ipso
facto, para ordenar, obrigar e, finalmente, compelir os outros
e a si próprio.:" ( Cohen-Seat, Gilbert e Fougeyrollas,
Pierre – "Introduction", in L’action sur l’homme: cinemá
et television, Paris)
Dentro
desta necessidade de comunicação está a Moda.
"Com a moda começa o poder social dos signos ínfimos,
o espantoso dispositivo de distinção social conferido
ao porte das novidades sutis" ( Gilles Lipovetsky, O
Império do Efêmero). A moda impera em todos os meios
de comunicação da sociedade moderna. A partir do
momento estamos fazendo uso de certa indumentária, adquirindo
hábitos e nos transformando de diversas formas para se
ajustar a realidade, estamos também produzindo e respondendo
aos estímulos que nos rodeiam, estamos nos comunicando
fazendo uso da moda.
Note
que este fenômeno é exclusivo da civilização
ocidental, pois é nesta que a Moda surge como sistema,
onde as metamorfoses incessantes das formas e ornamentações
transformam-se em valor mundano e a inconstância da indumentária
passa a caminhar de forma oposta à lógica da tradição
se fazendo regra permanente desde o final da Idade Média
até os tempos de hoje. Com a moda, aparece uma primeira
manifestação social que encarna um novo tempo legítimo
e uma nova paixão própria ao Ocidente, a do "moderno".
Além
disso, através da moda os seres passam a observar-se ,
avaliando as diferenças de corte, de cores, de motivos
de indumentária e apreciam as aparências recíprocas.
A moda liga-se ao prazer de ver e de ser visto, favorece o olhar
crítico e estimula observações sobre a elegância
dos outros, sendo assim, um completo investigamento de si.
Nesta
análise a moda é vista, não apenas como meio
de comunicação ativado no vestir, é importante
deixar claro que a moda abrange em velocidades diversas outros
campos como a arquitetura, a linguagem, as maneiras, os gostos
e idéias e obras culturais. Com isso quero reconhecer o
posto da informação visual no surgimento de um futuro
radicalmente novo.
A afirmação
do título "Moda é a Comunicação
século XXI" se baseia nos dias de hoje, onde grande
parte da informações que recebemos através
dos grandes meios ( TV, rádio, jornais , revistas e Internet
) nos oferecem um universo da novidade, do lazer, do esquecimento
e do sonho. A mídia tem o dever de informar, é claro,
mas através do prazer, na renovação, no entretenimento.
Todas as transmissões com vocação cultural
ou informativa devem adotam a perspectiva do lazer, só
assim conseguem "abocanhar" um público mais numeroso.
Para isso a ordem da sedução é prioritária,
e é neste momento que a moda simplesmente se encaixa. No
universo da mídia que constantemente é submetido
aos recursos publicitários, é a forma Moda que organiza
a produção e a difusão dos programas, que
regula a forma, a natureza e os horários das transmissões.
A Comunicação de hoje depende da moda para seguir
seu rumo e a explosão numérica do audio-visual apenas
aumenta tal competição que cada vez mais irá
se firmar sobre o princípio da sedução. Além
disso, é sobre os numéricos novos programas que
será preciso exibir outros encantos, imaginar novas apresentações
e novas fórmulas de prender a atenção. Mais
do que nunca a pequena diferença, lei da moda, fará
a sedução.
"Da
mesma forma que a moda do século XVIII se pôs a brincar
com grandes e pequenas coisas da história, a divertir-se
em fitas e penteados com o sistema de Law, com as revoltas populares,
com a derrota do Sena, hoje a informação não
cessa em adota um estilo descontraído e lúdico em
relação aos fatos do dia, o código humorístico
fez passar o registro da informação para a lógica
desenvolta e fantasiosa da moda". (
Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero)
História
da Moda
Introdução
à Indústria Cultural
Indústria Cultural e a Moda
História da
Moda
É
importante para o melhor entendimento desta análise descrever
em pequena prévia o surgimento e estabelecimento da moda
até os dias atuais:
Como
já foi dito anteriormente, a moda caminha de forma oposta
à lógica da tradição, ou seja há
uma relativa depreciação do passado e a novidade
é vista como algo superior, contrariando à tradição,
onde o conservadorismo rege a lei da imobilidade através
de uma continuidade social. Nas sociedades primitivas, a imposição
de modelos herdados do passado impedem o aparecimento da moda.
"Enquanto
nas eras de costumes reinam o prestígio da antigüidade
e a imitação dos ancestrais, nas eras da moda
dominam o culto das novidades assim como a imitação
dos modelos presentes e estrangeiros. Prefere-se ter semelhanças
com os inovadores contemporâneos do que com os antepassados."
( Gilles Lipovetsky,
O Império do Efêmero)
Contudo,
há um primeiro momento onde acontece um relativo abandono
às normas coletivas que valorizam o legado ancestral, dando
princípio à iniciativa estética, ao devaneio
e à originalidade humana. Com o desuso da longa sobrecota
em forma de blusão em proveito de um traje masculino mais
curto, apertado na cintura, fechado por botões e descobrindo
as pernas, modeladas em calções, e com o ajuste
dos trajes femininos colocando em evidência o busto, os
quadris e a curva das ancas, começa-se um ritmo precipitado
de frivolidades, instalando o "reino das fantasias"
de maneira sistemática e durável que se impõe
durante cinco séculos. Este período que vai da metade
do século XIV à metade do século XIX é
considerado a fase inaugural da moda, momento onde esta revela
seus traços sociais e estéticos mais característicos.
Ou seja, a diferenciação social, a renovação
das formas, o prazer em ornamentar-se, necessidade de ver e ser
visto, apreciação do belo e liberdade individual
na escolha das cores e cortes. Contudo, apenas grupos muito restritos
que monopolizavam o poder de iniciativa e de criação
tiveram acesso a este período. Trata-se do estágio
aristocrático e artesanal da moda.
Porém,
foi ao longo da segunda metade do século XIX que a moda,
no sentido moderno do termo, instalou-se. Com os processos tecnológicos
em todas as áreas, a moda viveu até 1960 um período
que Lipovetsky chama de "moda de cem anos": fase em
que o sistema começa a se fragmentar e a se readaptar parcialmente,
e época do surgimento de grandes costureiros como Mme.
Coco Chanel , Charles Worth e Paul Poiret. Há o surgimento
de duas vertentes, a Alta Costura que se baseia na criação
de luxo e sob medida, considerada o laboratório das novidades
( lançadores de tendências ), e a Confecção
que é a produção em massa a um custo mais
baixo e menor qualidade ( seguidores de tendência ). A moda
agora passava a produzir burocraticamente coleções
sazonais com uma lógica serial industrial e desfiles de
manequins com fins publicitários.
Mas,
o que realmente interessa neste período é que a
moda se torna objeto de desejo, onde o vestuário converte-se
em concretizador de emoções, traços de personalidade
e caráter. Não que desde o princípio, a indumentária
não tenha tido este mesmo efeito, mas no século
XX, a moda moderna, além de suas novas características
estético-burocrática, industrial , democrata e individualista,
também, se torna elemento chave na comunicação
visual em massa. Particularmente, a Alta Costura passou a ser
uma dessas instituições que punham as pessoas (artistas,
grandes costureiros, esportistas de sucesso e gente do "show
bussines") no mais alto patamar, sacralizando seu estilo,
fazendo com que sua individualidade fosse bajulada e desejada
pelas massas. A moda passa a ser protagonista da indústria
cultural.
"A Alta Costura
é uma organização que, sendo burocrática,
emprega não as tecnologias da coação disciplinar,
mas processos inéditos de sedução que
inauguram uma nova lógica do poder. (...)
A imposição
estrita de um corte cedeu lugar a sedução da opção
e da mudança, tendo como réplica subjetiva a sedução
do mito da individualidade , da originalidade, da metamorfose
pessoal, do sonho do acordo efêmero do Eu íntimo
e da aparência exterior."
(
Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero)
Dando
fim a esse período de cem anos, surgiu em 1949 o prêt-a-porter
(expressão desenvolvida por J.C. Weill que quer dizer "pronta
para usar" "ready to wear"), esta que revolucionou
a lógica da produção industrial, pois agora
era possível criar roupas em escala industrial , com maior
qualidade e lançadoras de tendências. Ou seja, um
mistura do glamour da Alta Costura ( que a princípio declinou
com a chegada do prêt-a-porter ), com a eficiência
da produção em série. Sem contar que a era
do prêt-a-porter coincide com o fim da Segunda Guerra, onde
o desejo de moda expandiu-se pelo cinema, através da multiplicação
de revistas femininas, pelo baby boom que findou com poder de
compra dos jovens, e pela vontade de viver o presente estimulada
pela nova cultura de massa e consumo.
Junto
ao prêt-a-porter, acontece outro fenômeno: já
não se imita o superior, pelo contrário, imita-se
o que se vê em torno de si, os trajes simples e divertidos,
os modelos menos caros apresentados cada vez mais nas revistas.
A lei vertical da imitação foi substituída
por uma imitação horizontal, de acordo com uma sociedade
de indivíduos reconhecidamente iguais. A influência
da massa mediana é quem "comanda" a moda do final
de século.
História
da Moda
Introdução
à Indústria Cultural
Indústria Cultural e a Moda
Volta
Introdução
à Indústria Cultural
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Não
há comunicação ou moda ingênua. Os
itens da comunicação, enquanto estímulos,
são produzidos por nós com a finalidade de moldar
ou dirigir o comportamento numa direção específica.
Não nos vestimos apenas para cobrir o corpo, ou nos comportamos
de certa maneira sem qualquer razão aparente. Estamos sempre
fazendo uso de meios – sinais, signos e símbolos – para
atingir certos fins. Sendo relevante lembrar que tais meios de
forma alguma são automáticos, mecânicos. Um
divertido exemplo é a moda brasileira de biquínis
fio-dental. Tal signo, natural e apreciado nas praias brasileiras
seria encarado de forma quase ultrajante em praias dos EUA. Isso
nos mostra que os meios de forma alguma são universais,
podendo nos levar a diferentes fins, dependendo apenas da interpretação
do receptor. As situações de comunicação
e de moda dependem da totalidade de fatores culturais e da personalidade
que cada pessoa leva para a situação, levantando
outra questão: a do individualismo. Ou seja , uma relativa
liberdade deixada ás pessoas para rejeitar, modular ou
aceitar as linguagens impostas. No entanto, tal liberdade individual
de escolha, é indiretamente manipulada pelos diversos veículos
de comunicação existentes no século XX, assunto
abordado logo a seguir.
História
da Moda
Introdução
à Indústria Cultural
Indústria Cultural e a Moda
Volta
Indústria
Cultural e a Moda
Com o
surgimento de novas tecnologias (televisão, rádio)
capazes de fazer com que meios de comunicação atingissem
um público maior (massa), criou-se o termo comunicação
de massa que vem acompanhado do conceito de indústria cultural.
O primeiro tem significado literal, já o segundo quer dizer:
a produção de bens de consumo simbólicos
que são favorecidos pelo interesse da mídia através
dos grandes veículos .
Daí,
surge a "moda" que conhecemos hoje, onde, através
da comunicação de massa, vendem-se costumes pré-fabricados
que acabam por se tornar necessidade de todos. Ou seja a indústria
cultural especula sobre o estado de consciência e inconsciência
de milhões de pessoas, fazendo das massas mero elemento
de cálculo. Hoje, a indústria cultural abusa da
consideração com relação as massas
para reiterar, firmar e reforçar a mentalidade destas,
sendo que as massas não são a mentalidade mas a
ideologia da indústria cultural, ainda que esta última
não possa existir sem a elas se adaptar.
"A
sociedade de consumo é a programação do
cotidiano: ela manipula e quadricula racionalmente a vida individual
e social em todos os seus interstícios; tudo se torna
artifício e ilusão a serviço do lucro capitalista
e das classes dominantes."
(
Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero)
No entanto,
em nossos dias, a autonomia pessoal na indumentária tem
de ser levada em conta. Por mais que sigamos uma maré de
tendências estabelecidas a cada estação, nos
vestimos cada mais para si, em função de nossos
próprios gostos, refletimos apenas a tendência que
nos agrada transformando ,de forma sutil, as imposições
da indústria cultural que não está ausente
a esta mudança. Ora, o imperativo industrial da constante
renovação ( Novo ) se encarna agora numa política
de produtos coerente e sistemática, a da diversificação
e desmassificação da produção. A moda
hoje é despadronizada (diferente da produção
em massa dos anos 50) e oferece através de um amplo leque
de modelos e versões infinitas escolhas.
Longe
de ser equivalente a uniformização dos comportamentos,
dos usos, dos gostos, o império da moda caminha ao lado
da personalização dos indivíduos. Nas eras
de costume, poucos eram os homens imitados , no entanto eram imitados
em tudo. Hoje, copiamos características variadas num universo
de mil, dez mil pessoas. Elementos que em seguida combinamos á
própria natureza acentuando por fim nossa personalidade.
Porém
essa comunicação-moda não nos leva apenas
a feliz idéia de que finalmente somos todos seres livres
expressando nossa convicções pessoais através
do vestuário. A inquietude da comunicação
em nossa sociedade fez com a solidão se torna-se um sentimento
em massa. O número de pessoas que vivem sozinhas aumentou
abruptamente noa últimos anos, o número de anúncios
de encontro aumentou junto com os grupos e associações
de pessoas que se sentem sós, a frustração
pela falta de comunicação tornou-se um fenômeno
dos tempos modernos. Um pouco por toda parte as pessoas se queixam
de não serem ouvidas, de não poder exprimir-se.
A liquefação das identidades sociais, a diversificação
dos gostos, a exigência soberana de ser si próprio
desencadeiam num impasse relacional, uma crise da comunicação.
A troca formal, estereotipada é cada vez mais vez menos
satisfatória. Quer-se uma comunicação livre,
sincera e pessoal e quer-se a renovação em nossas
relações. Não sofremos apenas com o ritmo
e com a organização da vida moderna, sofremos por
nosso apetite insaciável de realização privada,
de comunicação, de exigências sem fim em relação
ao outro. O reino consumado da moda pacifica o conflito social,
mas aprofunda o conflito subjetivo e inter-subjetivo; permite
mais liberdade individual, mas engendra mais dificuldade de viver.
A euforia da moda, tem como complemento o abandono, a depressão,
a perturbação existencial. Há mais estimulações
de todo o gênero, mais inquietude de viver, há mais
autonomia privada, mas mais crise íntimas.
"Tal
é a grandeza da moda, que remete sempre mais o indivíduo
para si mesmo; tal é a miséria da moda que nos
torna cada vez mais problemática para nós mesmos
e para os outros."
( Gilles Lipovetsky,
O Império do Efêmero)
Agora,
o que importa é, sem dúvida, unir todos os esforços
para o estudo das causas técnicas, científicas,
econômicas e sociais que aceleram a evolução
do mundo moderno, e para a previsão de situações
que poderiam derivar das influências conjugadas. Pois não
é ao redor do homen, mas nele mesmo que se impões
as situações decisivas. Não adianta separar
a moda com uma eferemidade e partir para assuntos que saboreiem
o intelecto mais profundo, estamos absortos na forma moda ( o
efêmero tambem faz parte de nossa essência), num mundo
de fantasias onde a realidade se confunde, se perde e é
seduzida por um homem "antenado", moderno e sozinho.
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da Moda
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