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Chapéu:
da armaria medieval para
as cabeças femininas

 

 

Maria da Penha Vieira e
Colaborou: Suzana Bertioga
Janeiro, 16/2006

 

O véu, emblema feminino de modéstia, submissão e respeito não originou-se no Egito, como assinam alguns historiadores e especialistas em moda, pelo fato de que no Egito as mulheres eram consideradas com os mesmos direitos masculinos, livres para ir e vir, mas, teria sido nos haréns do Vale da Mesopotâmia este berço da civilização.

Símbolo de recato o véu apresenta uma trajetória de longo período, por séculos e milênios até nossos dias. A moda através dos tempos demonstra que tudo o que se pretenda criar como algo novo não passa de derivação do mais remoto passado e que de todos os estilos e modelos que persistem, apenas o snood mantém a característica das toucas primitivas feitas de pele animal para o aquecimento da cabeça e protegê-la contra impactos.

Nenhum adorno de cabeça ou de cabelos deixa de encontrar na História longínqüa e, insistimos, o que se entende como novo nada mais representa do que uma adequação a situações e fatos econômicos, políticos e tecnológicos que constroem a História. Assim, a cada estilo ou modelo de moda corresponde um reflexo de situação histórica local ou mundial.

O chapéu feminino em sua forma estrutural como a conhecemos, há quem afirme, não surgiu antes do século XVI. Curiosamente a teoria de que o chapéu é uma invenção masculina e não teria surgido antes do século XVI está corroborada com maior clareza gráfica, no fato de que os estilos dos chapéus femininos têm suas origens nos elmos do Séc. XIV, período de transição — do medieval para o contemporâneo, ou Renascença — para a o redesenho da armaria das Cruzadas, modernas e luxuosas.

Outra curiosidade que nos remete à versão é o fato de que Henry VIII, do Reino Unido da Grã-Bretanha, no período da Renascença, resolve incentivar o comércio de armaria, em 1515. É o que se observa nos desenhos ergométricos dos capacetes e armaduras da época. Há, portanto, toda uma confluência inovadora de visão, não apenas humanista da época, mas, uma grande descoberta da importância do comércio externo, das relações da expansão de mercados ao oferecer diferenciais. A armaria passa a ser mais detalhada, não resumindo-se aos capacetes, armaduras e lanças. Pillbox e hood ( ou snood ), juntos , isto porque havia a necessidade do uso do hood, uma espécie de touca que também protegia o rosto descendo até o pescoço e que dava proteção à cabeça contra o metal do capacete. A toucas de lã usada como passa-montanha que só deixa os olhos à amostra ou mesmo toucas que vão até a testa, descem até o pescoço mas deixam o rosto de fora.

Neste momento de transição na armaria do Séc. XIV, os elmos equivalentes aos estilos dos brimmeds, dos cloches, pillbox, casquetes femininos nasciam lá. Por sua vez os elmos teriam tido origem na primitiva touca de proteção. Pelos séculos seguintes, a evolução foi constante. Além das perucas exageradas os chapéus seguiam a mesma tendência tendo sido usados ao mesmo tempo, peruca e chapéu, com igual exagero.

bonnet

boné

bicorne da armaria

bicorne da moda

touca medieval

Cloche com abas largas e ondas, transformando-se no brimmed.

Sobe

 

 

  

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