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     Um exemplo para o mundo ( * )
     Reflexões

 

      Regina Caldas ( * )
      22, junho/2005

 

“Estamos indo rumo a uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada definitivo e deixa apenas o ego e os desejos de cada um como medida final”. Joseph, Cardeal Ratzinger (Bento XVI)

 

 


     Paipato

A moça que virou celebridade por ser mãe solteira e garantiu ao filho história, conta bancária e nome famoso, apresentadora Luciana Gimenez tem sempre casos sensacionalistas para serem exibidos e, mal maior, há sempre quem esteja absorvendo experiências nada edificantes para a juventude. Situações quase cômicas se não fossem tão deprimentes, como ter no programa uma mãe solteira reclamando que o pai do filho dela não assumia a paternidade. Prosseguir

Grandes teólogos e filósofos do passado, debruçaram-se em reflexões e debates sobre o conceito conhecido por “moral natural”. Aristóteles designava-o como “razão intuitiva”, e Tomás de Aquino, mais tarde o classificaria como entendimento. Já na Gênese, primeiro dos livros bíblicos, aprendemos sobre a razão intuitiva ou senso moral, através da história dos irmãos Caim, o agricultor, e Abel, o pastor. Ambos ofereciam sacrifícios a Deus que, entretanto se aprazava mais com as ofertas de Abel, por saber de seus sentimentos mais puros.

Caim ressentia-se ao perceber o quanto Deus amava Abel. E um dia, não resistindo às tentações, matou seu irmão. A inveja e o ciúme foram os indutores do crime. Quando Deus perguntou-lhe onde estava Abel, Caim respondeu arrogantemente: - “Não sei. Acaso sou o guardião de meu irmão?” Em essência, toda a história humana buscou, até certo ponto, uma resposta á esta pergunta que se faz, “ad aeternum”, a consciência individual: “o que fiz?” Queiramos ou não, temos uma consciência e ainda que embotada distingue entre o bem e o mal, daí a pergunta que nos fazemos ao errarmos: “ o que fiz?”

Mas... mudamos...

No mundo contemporâneo, estamos sendo educados para nos tornarmos cegos e surdos à voz da nossa consciência. Ao invés de usarmos o nosso livre arbítrio para dominarmos o mal dentro de nós, nos projetamos para o universo da consciência coletiva, e, ao invés de nos questionarmos sobre o que temos feito, passamos a questionar o nosso semelhante sobre o que ele fez de nós. Isto é a relativização de todos os padrões morais.

Em seu tratado filosófico “L’être et lê néant” publicado em 1943, na plenitude da II Guerra Mundial, o existencialista Jean-Paul Sartre, afirma que: “Se Deus não existe, os seres humanos não são designados para nenhum propósito particular”. Para os existencialistas, a nossa existência precede a nossa essência. Com a afirmação eles negavam a proposição aristotélica de que conhecemos o homem bom quando conhecemos a essência da natureza humana. “Nós conhecemos uma boa faca quando sabemos que a essência dela é para cortar”, exemplificava Aristóteles. Se ela corta é boa. Para Sartre, por não sermos criados para nenhum fim especifico, somos livres para lidar com nossa própria essência, que define como queremos viver. Assim, somos compelidos por nossa condição, nossa natureza.

 


     Cofrinho

Basta que o homem, ou sua família possa aparentar alguma possibilidade material maior do que ela e a família dela, para que seja mais do que suficiente - pelos parâmetros de riqueza que ela tem na cabeça -, para que seu ventre se transforme em um cofrinho que ela defenderá com unhas e dentes até a maioridade do filho, se der para ser somente até aí. Prosseguir.

À medida em que somos autênticos, não existe padrão moral pelo qual nossa conduta possa ser criticada. E, passando a viver num mundo onde todos os seres humanos por tal senso de libertação adquire o direito de agir e ser de acordo com seus próprios julgamentos, tudo o mais se torna relativo em relação a estes julgamentos. È nesta base que se sedimenta a doutrina do relativismo. Uma doutrina que rejeita princípios e valores absolutos. São as circunstâncias, o lugar, a época ou a cultura que definem nossos comportamentos. E, se nossas ações são relativas, quem teria legitimidade para julgá-las quando se tornam conseqüência de nossas decisões subjetivas? Como Kant exemplifica: se alguém salva de afogamento um jovem cujo pai é muito rico, como julgar a ação daquele que o salvou? O que o levou a agir como um herói? O relativismo torna-se má escolha para nossos julgamentos tanto de nossas ações quanto de nossos semelhantes porque perde a condição de se fazer justiça. Tudo é relativo?

Os crimes, a pobreza, a corrupção, qualquer decisão humana justificada pela doutrina do relativismo elimina as responsabilidades sobre nossas ações. A justificativa é a de que agimos de acordo com as circunstâncias. Daí resulta a tolerância da qual deriva a permissividade. Impõe-nos tolerar as diferenças porque tudo é relativo.Em matéria religiosa o relativismo torna-se mais pernicioso ainda. A moral religiosa forma o Homem para ser ético, disciplinado, para ter clareza interior que lhe baste para saber distinguir claramente entre o bem e o mal, e, acima de tudo para fazer livremente a escolha do bem. É interessante aqui observar que, se tudo é relativo, todos indistintamente assumem responsabilidades sobre as vidas alheias. Pois, se o pobre vive na miséria porque é explorado pelo rico. O marginal comete crimes porque as circunstâncias de seu berço não são boas. O médico mata “porque ele ignorou que o paciente era alérgico ao medicamento que lhe passou..e assim por diante, ninguém responde mais pelos próprios erros, pois tudo tem uma justificativa, dependendo apenas do ângulo sob o qual é analisado.

Ortega: “O relativismo é uma teoria suicida, pois quando se aplica a si mesma, se mata. Na maior parte das vezes, o relativismo é uma espécie de pose acadêmica. Uma cômoda evasão da realidade”.

Christopher Derrick: “A apoteose do relativismo causa esta impressão — vaga, mas persuasiva — de que expressar dúvida é um sinal de modéstia, de democracia, enquanto que falar de certezas, se considera algo de dogmático e quase ditatorial”.

 

 

Reflexões sobre o artigo do caro amigo Heitor De Paola : “Um exemplo para o Mundo” ( no MSM. )

 

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