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Grandes teólogos e filósofos do passado,
debruçaram-se em reflexões e debates sobre o conceito
conhecido por “moral natural”. Aristóteles designava-o
como “razão intuitiva”, e Tomás de Aquino, mais tarde
o classificaria como entendimento. Já na Gênese, primeiro
dos livros bíblicos, aprendemos sobre a razão intuitiva
ou senso moral, através da história dos irmãos Caim, o
agricultor, e Abel, o pastor. Ambos ofereciam sacrifícios
a Deus que, entretanto se aprazava mais com as ofertas
de Abel, por saber de seus sentimentos mais puros.
Caim ressentia-se ao perceber o quanto
Deus amava Abel. E um dia, não resistindo às tentações,
matou seu irmão. A inveja e o ciúme foram os indutores
do crime. Quando Deus perguntou-lhe onde estava Abel,
Caim respondeu arrogantemente: - “Não sei. Acaso sou o
guardião de meu irmão?” Em essência, toda a história humana
buscou, até certo ponto, uma resposta á esta pergunta
que se faz, “ad aeternum”, a consciência individual: “o
que fiz?” Queiramos ou não, temos uma consciência e ainda
que embotada distingue entre o bem e o mal, daí a pergunta
que nos fazemos ao errarmos: “ o que fiz?”
Mas... mudamos...
No mundo contemporâneo, estamos sendo
educados para nos tornarmos cegos e surdos à voz da nossa
consciência. Ao invés de usarmos o nosso livre arbítrio
para dominarmos o mal dentro de nós, nos projetamos para
o universo da consciência coletiva, e, ao invés de nos
questionarmos sobre o que temos feito, passamos a questionar
o nosso semelhante sobre o que ele fez de nós. Isto é
a relativização de todos os padrões morais.
Em seu tratado filosófico “L’être et lê
néant” publicado em 1943, na plenitude da II Guerra Mundial,
o existencialista Jean-Paul Sartre, afirma que: “Se Deus
não existe, os seres humanos não são designados para nenhum
propósito particular”. Para os existencialistas, a nossa
existência precede a nossa essência. Com a afirmação eles
negavam a proposição aristotélica de que conhecemos o
homem bom quando conhecemos a essência da natureza humana.
“Nós conhecemos uma boa faca quando sabemos que a essência
dela é para cortar”, exemplificava Aristóteles. Se ela
corta é boa. Para Sartre, por não sermos criados para
nenhum fim especifico, somos livres para lidar com nossa
própria essência, que define como queremos viver. Assim,
somos compelidos por nossa condição, nossa natureza.
À medida em que somos autênticos, não
existe padrão moral pelo qual nossa conduta possa ser
criticada. E, passando a viver num mundo onde todos os
seres humanos por tal senso de libertação adquire o direito
de agir e ser de acordo com seus próprios julgamentos,
tudo o mais se torna relativo em relação a estes julgamentos.
È nesta base que se sedimenta a doutrina do relativismo.
Uma doutrina que rejeita princípios e valores absolutos.
São as circunstâncias, o lugar, a época ou a cultura que
definem nossos comportamentos. E, se nossas ações são
relativas, quem teria legitimidade para julgá-las quando
se tornam conseqüência de nossas decisões subjetivas?
Como Kant exemplifica: se alguém salva de afogamento um
jovem cujo pai é muito rico, como julgar a ação daquele
que o salvou? O que o levou a agir como um herói? O relativismo
torna-se má escolha para nossos julgamentos tanto de nossas
ações quanto de nossos semelhantes porque perde a condição
de se fazer justiça. Tudo é relativo?
Os crimes, a pobreza, a corrupção, qualquer
decisão humana justificada pela doutrina do relativismo
elimina as responsabilidades sobre nossas ações. A justificativa
é a de que agimos de acordo com as circunstâncias. Daí
resulta a tolerância da qual deriva a permissividade.
Impõe-nos tolerar as diferenças porque tudo é relativo.Em matéria religiosa o relativismo torna-se
mais pernicioso ainda. A moral religiosa forma o Homem
para ser ético, disciplinado, para ter clareza interior
que lhe baste para saber distinguir claramente entre o
bem e o mal, e, acima de tudo para fazer livremente a
escolha do bem. É interessante aqui observar que, se tudo
é relativo, todos indistintamente assumem responsabilidades
sobre as vidas alheias. Pois, se o pobre vive na miséria
porque é explorado pelo rico. O marginal comete crimes
porque as circunstâncias de seu berço não são boas. O
médico mata “porque ele ignorou que o paciente era alérgico
ao medicamento que lhe passou..e assim por diante, ninguém
responde mais pelos próprios erros, pois tudo tem uma
justificativa, dependendo apenas do ângulo sob o qual
é analisado.
Ortega: “O relativismo é
uma teoria suicida, pois quando se aplica a si mesma,
se mata. Na maior parte das vezes, o relativismo é uma
espécie de pose acadêmica. Uma cômoda evasão da realidade”.
Christopher Derrick: “A
apoteose do relativismo causa esta impressão vaga,
mas persuasiva de que expressar dúvida é um sinal
de modéstia, de democracia, enquanto que falar de certezas,
se considera algo de dogmático e quase ditatorial”.
Reflexões
sobre o artigo do caro amigo Heitor De Paola : “Um
exemplo para o Mundo” ( no MSM. )
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