parir
não é sinônimo de maternidade. Nenhuma
mulher tem "de" ser parideira, nenhuma mulher
tem "de" ser mãe. Nem toda mulher que pariu
é mãe e nem toda mãe pariu biológicamente.
Maternidade
é uma vocação como outra qualquer e
não se deve presumir maior ou menor competência
usando a maternidade como parâmetro para a feminilidade.
Maternidade, verdadeiramente, é para quem quer e
sabe receber; para quem sabe dar. É para quem sabe
da responsabilidade de que poderá estar preparando
um ser humano feliz ou infeliz, no futuro.
O
cortinado de luxo, o berço os rolos protetores, o
preço do pediatra famoso, a auxiliar de enfermagem
paga a peso de ouro, as grifes das roupinhas de enxoval,
tudo isso faz parte da festa, do open-house, dos
cubanos, para impressionar os amigos. É gostoso,
mas está tão longe de dizer alguma coisa de
verdadeira e importante!
O
pediatra, que deve ser sensível à criança,
ter experiência ( do interior do País ou de
hospital público, de plantão de emergência
hospitalar, de preferência. Esses são os bons
mesmo ). Mas o pediatra tem livrinhos e você, mãe,
é quem conhece os diversos choros do seu filho, é
quem vai praticando a pediatria juntamente com a maternidade.
Para ser pediatra não precisa ter vocação
materna, até porque os homens ainda são maioria
na profissão. Não será o pediatra quem
irá afugentar o choro sofrido do seu bebê,
nem será a enfermeira (auxiliar de enfermagem ) quem
irá sofrer com as ameaças de perda. Os amigos
que fumaram os cubanos, menos ainda. Se vier a faltar qualquer
pequena coisa para seu filho, ninguém vai estar nem
aí.
Os
rolinhos protetores, do berço, podem ser improvisados,
assim o todo o resto.
O
que não poderá ser improvisado é seu
total senso de responsabilidade, seu afeto, seu equilíbrio
emocional. A partir da maternidade toda mulher descobre
a total solidão inevitável, mas que só
aparece em função de carregarmos as dores
dos filhos. Descobre-se para a realidade da vida, do mundo.
Fica cagona e forte, dona do mundo, ao mesmo tempo. Verdadeiro
paradoxo. É aqui que nem os filhos, tão pouco
os maridos, os homens, entendem nossas lágrimas.
A fonte, inicialmente um olhinho d`água, com passar
dos anos, enquanto os filhos crescem, torna-se rios caudalosos.
É
preciso, também, parar com essa coisa de pensar que,
as mulheres que "têm marido " são
felizardas" porque têm quem as ajude na educação
dos filhos. Ledo engano. Esse equívoco é tão
comum e tão antigo, como a maneira machista de educarmos
nossos filhos homens e mulheres, mas nós mulheres
não nos conformamos. Para educar os filhos, tanto
faz ter marido por perto ou distante. Dá tudo na
mesma. Quem vai ficar rouca de tanto repetir falas, vai
ser você, quem vai ser sempre chamada de exigente,
vai ser você e quem vai fazer o futuro dos seus filhos
e alargar o leito do seu rio de lágrimas, vai ser
você. Educar filhos com marido ao lado não
significa que ele vá participar como nós desejaríamos
que fosse a participação deles. Há
uma tese que defende que é preciso que deixemos o
marido, o pai, "assumir seu espaço". Só
que ele não sabe que espaço é este
porque suas mães jamais lhes ensinaram ou a sociedade
se encarregou de apagar o que ele aprendeu, ou simplesmente
não quer assumir. A despeito de tanta evolução
de costumes, para nós ainda prevalece a cultura do
público e do privado.
O
marido pode passar, os filhos ficam. Existe ex-marido mas
não existe ex-mãe ou ex-filho, nem ex-pai.
Você
mulher-mãe de primeira viagem, pode alterar a herança
maldita: