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Gestação e pós-parto

 

Maria da Penha Vieira
Executiva do Domínio Feminino
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26, Abril/2004

 

Um único hormônio até hoje descoberto pela ciência é capaz de banhar uma mulher, apenas, durante a gestação: a gonadotrofina coriônica. Outros hormônios banham a mulher grávida com tanta intensidade que sua produção ou diminuição no pós-parto deixa marcas. Na gestação todo o sistema endócrino passa por efervecências e abundante produção hormonal.

Esse é o motivo pelo qual as mulheres grávidas se sentem diferentes. Sensíveis à felicidade, tristezas e todos os outros sentimentos. Tudo à flor da pele. Poucas chances para o exercício pleno da racionalidade, até que seu organismo esteja processando, metabolizando os novos "ingredientes" até que haja uma impregnação. Após a impregnação que é quando o organismo se acostuma e aprende a metabolizar os novos hormônios.

A irritabilidade, sensibilidade, tudo à flor da pele; enjôos, tudo isso vai passando ou diminuindo e lá pelo 3º ou 4º mês, tudo começa a ser só maravilha, só festa.

Se todo processo desconfortável que acontece no início da gravidez, não cessa, ou não diminui, os componentes aí são outros que não os hormonais. Podem ser de natureza psicológica, de reação ao medo de estar para reeditar na filha ou filho, uma trajetória de vida que não é uma coisa satisfatória à lembrança da gestante.

Casos assim, é bom lembrar que você poderá mudar a história da sua filha ou filho. Basta que se lembre que, mesmo que a história possa se repetir, ela também pode ser alterada por instrumentos ao seu alcance, tais como amor, dedicação e responsabilidade, muita responsabilidade com objetivo de não repassar essa herança que tanto incomodam você. Até porque, a história da sua filha e.ou a do seu filho vai estar sendo escrita em outras circunstâncias, em outra época. Ela não será igual a sua mesmo que você veja traços que lhe pareçam iguais.

Além das inscrições codificadas do seu DNA há alteração desse DNA que parece intocável e irreversível, no que diz respeito à possibilidade, na qual eu acedito piamente, ao fato de vivências diferentes. Um DNA alterado por estas vivências e experiênias.

Essa fase de senssibilidade da mulher gestante e o sentimento de posse, ela só é notada quando algumas mulheres já se preparam para o exercício do uso do filho como moeda de troca no "mercado futuro". Embora muitos médicos não reconheçam o "desejo" na mulher grávida, ele existe dependendo das necessidades do organismo. Desejo de comer "coisa ácida" misturas estranhas de alimentos etc. O "desejo de comer" isso ou aquilo é uma fala das necessidades orgânicas, tais como sais minerais, por exemplo. Acontece que, muitos desses "desejos" podem mascarar a descoberta providencial de um meio para exercitar o "poder de chantagear" a partir do "sentimento de posse". Eu tenho uma coisa de todos querem, mas, só eu tenho e só eu posso permitir que eles tenham acesso. O marido ou os familiares só poderão saber disso mais tarde, em situação de conflito entre o casal ou familiares. E não será difícil identificar, pois, você ficou na berlinda por nove meses consecutivos e era o alvo das atenções. Todo mundo prestou muita atenção a você através das suas reações.

O depois ou o pós

Depois do parto, a diminuição ou cessação hormonal ( da gonadotrofina coriônica que só está presente na gravidez ) causa outra reviravolta. Nove meses convivendo com uma quantidade imensa de hormônios circulando pelo sistema sangüíneo e de repente o freio. Não sei se os médicos me permitiriam comparar e dizer que há, assim, uma espécie de "síndrome de abstinência" causadas pela cessação repentina da produção hormonal. Com certeza, não poderiam ser diferentes os resultados, ainda que possam variar de mulher para mulher, acaba apenas por arrefecer um pouco, só um pouco.

 

Estou com medo!

Há mulheres que de tanto medo do parto acabam por não engravidar ou não levar a gravidez a termo. Não é só um medo pelo castigo bíblico no sentido da palavra.

É fato que tudo tem seu risco. Pegar gripe, inclusive.

Já se foi o tempo no qual as mulheres eram condenadas ao parto. Em nossos dias, nada mais tranqüilo que a hora do parto, que sai da " realidade" das novelas, com mulheres urrando e se contorcendo. Parece até que quanto mais informação mais as mulheres tëm medo.

Leia Depressão Pós-parto

Para algumas mulheres o que estou denominando como "síndrome de abstinência hormonal" tem um período mais duradouro e dependendo da qualidade psicológica do período gestacional, ela se revela na depressão que também bem se poderia chamar de "traumática".

Apesar de que acima eu digo que depois dos enjôos e hiper-sensibilidade, tudo será festa, a coisa não é bem assim. A festa é no sentido de que livrou-se do mal estar, vai passar um bom tempo vivendo novidades, aprendendo coisas novas, numa movimentação grande. O outro lado é o lado da preocupação constante com exames, pré-natal e com as fantasias ruins que vêm de assalto , vez por outra, mas são inevitáveis, tanto quando as boas. O medo do desconhecido e do folclore, esses são os piores.

Há, sem dúvida, um estado de tensão grande mas que é minimizado pelo lado gostoso dessa realização feminina o lado romântico das expectativas. Apesar de tudo isso, a tensão persiste sileciosamente. É normal para as primíparas.

Ocorre que se a gestante não recebeu cuidados e atenção, pelo contrário, foi rejeitada e/ou esquecida, ficou muito sozinha, o pós-parto vem como uma ressaca que pode se prolongar além do comum ou além do tempo "dito" como normal.

Após o parto, as tensões e as inseguranças se intensificam, agredindo ainda mais a mulher puerperal. O sono fracionado, o trabalho em excesso. Para as mulheres que tabalham fora e que não são primíparas, a situação embora seja aguda, ela já tem know-how, ao menos.

O parto em si, é uma maravilha e principalmente se você fez uma boa escolha no obstetra e equipe. Esses são decisivos para que seu parto seja inesquecível. Uma boa equipe médica é o suporte dentro de uma sala de cirurgia, seja parto normal ou cirúrgico propriamente entendido.

Se sua opção para o parto está sendo por parteira, escolha com o mesmo cuidado que escolheria seu obstetra.

 

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