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        Paipato e mãe invasora

 

        Adriana Murin
        17, Junho/2005

 

Muitos dos programas da tv brasileira se prestam à informação. É preciso aspas nessa informação mas, de qualquer maneira a fronteira entre a vida real e a produção de fatos é cuidada e tem verossimilhança servindo para todos os níveis sociais, culturais e intelectuais.

A moça que virou celebridade por ser mãe solteira e garantiu ao filho história, conta bancária e nome famoso, apresentadora Luciana Gimenez tem sempre casos sensacionalistas para serem exibidos e, mal maior, há sempre quem esteja absorvendo experiências nada edificantes para a juventude. Situações quase cômicas se não fossem tão deprimentes, como ter no programa uma mãe solteira reclamando que o pai do filho dela não assumia a paternidade.

A posição da apresentadora Luciana Gimenez era de quem jamais tinha vivido semelhante experiência. A certa altura a mulher entrevistada recebeu a incumbência de responder por qual motivo ela não havia se protegido contra a gravidez e se havia sido pelo fato de o "acusado" ser figura conhecida e de razoável poupança financeira.

Curioso para quem viveu a mesma situação e teve que responder as mesmas perguntas.


     Cofrinho

Basta que o homem, ou sua família possa aparentar alguma possibilidade material maior do que ela e a família dela, para que seja mais do que suficiente - pelos parâmetros de riqueza que ela tem na cabeça -, para que seu ventre se transforme em um cofrinho que ela defenderá com unhas e dentes até a maioridade do filho, se der para ser somente até aí. Prosseguir.

Em outro programa que não tenho a menor idéia do nome nem do veículo, também, na tv, uma apresentadora enfileirou filhas e filhos que levavam queixas contra suas mães. Cheguei a ficar arrepiada ao comparar o quadro com o horror e o rigor nazista. Vi um bando de mães, como aconteceu com milhões de mães judias expostas e denunciadas pelos filhos, ouvindo e vendo suas vidas privadas jogadas aos quatro ventos.Todos os filhos reclamavam do excesso de invasão praticada pela mãe em suas vidas. Uma mãe solteira, dark, que freqüentava festas e eventos celebrados no cemitério. Essa jovem mulher é mãe de uma criança ainda bebe. A mãe da entrevistada só se preocupava com o fato de a filha querer vestir o filho pequeno todo de preto para o batizado e levar o filho para o mesmo caminho.

Outra denunciante ou queixosa construiu casa no fundo do terreno da casa da mãe e temuma filha de onze anos. Reclamava, a moça, que a mãe dela era permissiva com a neta porque ficava perguntando pelo namoradinho, se ela já tinha um etc. Esse era o crime maior da velha senhora, "estimular a filha ao sexo fora da idade". Estamos falando de uma pessoa do povão, sem instrução alguma. A filha denunciava outros fatos que eram invasivos à privacidade dela, da queixosa. Os fatos eram de que a mãe não permitia que ela trabalhasse nem saísse de casa pra lugar algum dando a entender que vivia situação de cárcere privado, tortura psicológica etc.

Uma mulher simples, jeito cândido e materno, nos seus 70 anos tentava explicar-se com a maior dificuldade, senão pela falta de articulação, pela falta de perguntas honestas que permitissem resposta de sim o não. Com grande custo o telespectador entende que a filha denunciante quer viver uma vida livre, leve e solta mas, quer que a mãe tome para si odever de cuidar da neta enquanto ela, bonitona e loira farmacológica, cai na gandaia.

Muitos outros casos se apresentavam, uns verídicos e outros inventados pela produção do programa ou como resultado da loucura do povo brasileiro.

Enfim, em comum, em todos os casos havia o fato curioso de que as e os denunciantes do cerceamento e invasão de privacidade eram todos adultos, absolutamente dependentes financeiramente da família, da mãe especificamente. Nem a dark maluca nem a loirona-ox tinha renda nem de se próprio trabalho. As duas não apenas não trabalham e por isso vivem as custas das mães como largam os filhos em cima da pobre coitada.

Os filhos crescidos que não admitem nenhuma intromissão dos pais apesar de morarem e viverem com ajuda dos pais ou as custas deles, não reconhecem neles nenhuma autoridade. Esses filhos querem ser livres, "independentes" com o dinheiro dos pais. No caso das filhas mulheres, tal inversão é muito mais acentuada e escandalosa. Elas nunca são irresponsáveis e sim vítimas do acaso e das más intenções do namorado.


     Reflexões

No mundo contemporâneo, estamos sendo educados para nos tornarmos cegos e surdos à voz da nossa consciência. Ao invés de usarmos o nosso livre arbítrio para dominarmos o mal dentro de nós, nos projetamos para o universo da consciência coletiva, e, ao invés de nos questionarmos sobre o que temos feito, passamos a questionar o nosso semelhante sobre o que ele fez de nós. Isto é a relativização de todos os padrões morais. Prosseguir.

Ao encherem seus ventres nenhuma se lembrou de perguntar ao "co-"participe" se desejava ter um filho naquele momento. Ao encherem seus ventres não foram perguntar às mães se elas queriam e podiam sustentar sua irresponsabilidade.

Sabe-se que uma mulher mau-caráter apaixonada e/ou interessada em alçar outro nível financeiro ou social lança mão do artifício de parar o método contraceptivo e mente ao parceiro. Ela tem a intenção de enganar como uma escroque qualquer. É este homem seja jovem ou maduro que cai na esparrela de ter que assumir a paternidade quando a mulher, detentora do conhecimento de saber-se fértil ou não o atrai com intenções indignas de uma futura mãe.

Em geral essas mulheres que, intencionalmente, engravidaram, ao fazerem o comunicado ao patopai, elas insistem que não vão precisar dele "pra nada". Que elas serão as tais em produção independente. Não demora, e o patopai, que nem foi perguntado se desejava participar da fecundação passar a ter todas as obrigações definidas na lei.

Se a lei reza essa obrigatoriedade material, que algum dispositivo sirva para punir aquelas que, sem autorização reconhecida do dono do espermatozóide, apropriou-se indevidamente da matéria-prima do macho.

As mulheres, desde sempre, sabem que irão dobrar todas as resistências usando o filho como instrumentos para tortura psicológica do paipato que resistir. Ninguém resiste às lágrimas de uma mãe cujo filho é um "rejeitado" pelo próprio pai, tenha ele condições financeiras ou não para prover. E é disso que essas mulheres irresponsáveis e desonestas se alimentam e alimentam programas de tv como esses. Manipulam pessoas usando o filho para trazer simpatizantes para sua causa.

No círculo de amigos do paipato, todos desconfiavam que mais dia menos dia a namorada dele iria pegá-lo dessa forma, menos o paipato. Ao final, recorrem à Justiça sem o esclarecimento sobre seu furto.

Se viermos a chegar ao modelo chinês, verão com quantos paus se faz uma canoa. Enquanto isso, valem-se de trinta moedas. Coitados dos filhos e que eles nunca venham a tomar conhecimento de sua história iniciada tão tragicamente.

 

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