Nossa Opinião:
Pela dignidade dos homens

 

Suzana Bertioga 
30, Junho/2004

 

Desde a publicação do E-mail Cantadas, na Editoria NetHumor, sob o título de Feministas, estamos acompanhando o tema seja por entrevista com jovens de ambos os sexos e blogs. Pesquisa longa na observação de palavras-chaves nas buscas na internet : como+cantar+uma+mulher

Muitos dos jovens do sexo masculino que foram ouvidos ao longo de quase dois anos, que na época, alguns, ainda estavam na adolescência, eram jovens que se pode considerar dentro do padrão de beleza masculina tão requisitado como o da celebridade da televisão e dos anúncios. Mesmos esses, acabavam resvalando para o "problema com as cantadas" que pudessem agradar as mulheres. Em todos eles percebemos um grau de preocupação elevada que os diferenciavam de gerações de jovens adultos anteriores ao início do novo milênio.

Nossa ausculta, como já disse, tem sido lenta e a chegada deste texto muito nos compensou pela espera de vermos se realmente nossas "pesquisas" estavam na direção certa, e se, a tal "preocupação" existia para além de uma brincadeira de troca de mensagens. Aquela mensagem "apreciativa" vinha à tona como um reflexo do que estava acontecendo. Assim, deduzimos não ser um comportamento isolado. A ridicularização dos homens entre as mulheres jovens e o cotejo da opinião masculina jovem direcionava para a existência um conflito que se iniciava. Estamos falando de mulheres jovens, mas nem tão jovens assim. Melhor diria, jovens adultas e não mais adolescentes recém-saídas da puberdade.

Como essa ausculta abrangeu um pequeno universo do Estado do Rio de Janeiro, acreditamos que essa mudança de comportamento esteja restrita a este estado. Outro motivo que nos leva a crer nesse confinamento é o fato de que, dos estados, o Rio, poderia até arriscar a dizer que é o que menos apresenta exacerbação de atitudes e comportamentos machistas e por esse motivo, tal comportamento feminino não gerar maiores focos de violência, a persistir em pequeno patamar de ação.

É pensando nesse dado do "menos machista" que, talvez essa, praga comportamental não seja exportada para outras Regiões e estados da Federação. Já imaginou esse comportamento feminino no Nordeste ou no Rio Grande do Sul, ou em Belém do Pará? Por lá, atitudes e comportamentos de pitboy é coisa muito antiga e segue quase como uma tradição. Só não leva o nome de pitboy. Por lá, a idéia é que homem não leva desaforo para casa. Naquelas Regiões, mulher ou homem que debochar de outro homem está pedindo para adoecer. Esse é o modelo cultural daquelas Regiões com base em tradições e educação familiar passadas de geração à geração. O Rio de Janeiro não tem esses tipo de tradição, a não ser na periferia e interior onde a influência da cultura nordestina é muito forte.

Ainda sobre nosso trabalhado com amostragem muito pequena, diante do universo da população masculina jovem do Rio de Janeiro, as vozes ouvidas indicavam um largo percentual desses "preocupados". É preciso dizer que não tem sido fácil fazer o pessoal falar. Em geral eles se escondem e demoram a querer falar sobre o assunto, procurando deschavar. Difícil de entender?

A mim me parece que essa preocupação das mulheres jovens é pura "valorização" á moda do personagem de Laura ( bancando a virginal para cima do Renato, lembram-se? ) da recém-finda novela Celebridades que não veio à tona por pura ficção e capricho do autor. Nenuma ficção parte do nada.

Talvez, nos dias de hoje, quando a competição entre os gêneros esteja chegando a tamanho calibre, que, se possa enxergar que a concepção de poder feminino seja a demonstração de domínio sobre os homens, a qualquer custo. Leia-se este domínio como forma de força e jugo, demonstração de poder até no controle da apreciação masculina sobre elas, e não de preservação do espaço próprio, como é o nome do nosso Portal. O "chegar" expressão do nosso jovem articulista deveria ser apenas um "chegar" gentil e educado. Para quê ginástica verbal? Se por fim, o homem não apresentar as "qualidades" buscadas pela mulher, que cada um se despeça educadamente ou se entendam como futuros bons amigos, e lembrar que o mundo continua redondo é recomendável. Por este fato, receio que essas jovens mulheres não escolham seus parceiros pela educação, inteligência, ou simpatia e gentileza. Os parâmetros devem ser mesmo como diz o "Torvic": o melhor, na força bruta dos músculos.

Minha sugestão para os jovens homens é, que não sigam a receita do autor do texto, mas, que reajam à ridicularização sim, e mandem ver, na maior moral, quando você sentir que a mocinha está de graça para cima de você, só para se exibir para as amigas! Firmeza não é violência, mas de acordo com o que temos apurado, a violência está vindo das mulheres. Humilhar, ridicularizar é violência psicológica, sim! Também não precisa ser tosco como quer o "Torvic", pois, se o fizerem estarão agindo com a mesma torpeza e violência.

Para as jovens mulheres, eu diria que a grosseria é a melhor amiga da mulher vulgar... e que, meu bem, depois do primeiro filho, vamos ver se o seu corpinho vai continuar essa maravilha toda. E se o, hoje, lindo cantador perder o talonário ou o cartão de crédito? Vai acabar como muitas, rezando por qualquer cantador que possa assumir você e seus filhos como um belo parceiro na vida. Deus te proteja Menina do Rio!

Que nosso leitor e leitora não pensem que o e-mail contendo os comentários constantes em Cantadas são forjados ou imaginários. Os comentários, lá encontrados, são verdadeiros, lastimavelmente.

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