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As designações Esquerda e Direita servem
para rotular de forma lapidar quaisquer iniciativas, sendo
aplicadas segundo a corrente política à qual pertence quem
aplica o rótulo. Elas são, de fato, a sombra de passado tenebroso
que custou a vida de muitos milhões de seres humanos. A sua
constante lembrança atua como antídoto a quaisquer idéias
que não se enquadrem rigidamente em suas molduras tornadas
arcaicas pelo tempo e pelas impressionantes realizações da
raça humana, desde os dias em que o povo pegou em armas para
lutar contra o absolutismo dos reis. A sua simples menção
ergue os muros intransponíveis da discórdia fanática, do posicionamento
irrefletido e da intransigência política. O pior é que muitos
repetem essas designações sem mesmo conhecerem a sua origem.
A França do final
do século XVIII estava dividida em três grupos chamados de
Estados Gerais: o clero – primeiro estado, a nobreza – segundo
estado e o resto – o terceiro estado. É importante mencionar
que o terceiro estado englobava noventa e cinco por cento
da população, incluindo empresários, banqueiros, comerciantes,
médicos, advogados, artesãos e o proletariado urbano e rural.
Eram esses que pagavam os impostos, já que a nobreza e o clero
eram isentos. O terceiro estado não possuía, além disso, o
direito de ocupar cargos públicos que eram reservados apenas
à nobreza e ao clero, nem lhes era permitida a participação
nas decisões que tanto lhes prejudicavam. A burguesia, apesar
de possuir poder econômico, era igualada ao povo dentro do
terceiro estado não tendo participação política, liberdade
econômica e direito de ascensão social. Os nobres e o clero
controlavam as terras, instituindo pedágios para o trafego
de mercadorias pelos seus feudos. Assim, uma mercadoria atingia
preços astronômicos caso fosse comercializada longe do local
em que era produzida. A miséria atingia o povo de forma implacável.
A irresponsabilidade e o luxo em que viviam os nobres contrastavam
com a miséria do povo. O descontentamento era generalizado.
Em 1788, como medida
desesperada para solucionar a grave crise financeira em que
o reinado de Luis XVI havia colocado a França, foram convocados
os Estados Gerais. O sistema feudal, responsável por tantas
injustiças, selava o seu fim. Em junho de 1789, os Estados
Gerais, sequiosos de liberdade, instituíram a Assembléia Nacional
Constituinte que liquidaria o absolutismo e garantiria a realização
das sonhadas reformas políticas, sociais e econômicas. Em
julho do mesmo ano, a população, enfurecida pelo aumento do
preço do pão, atacou a Bastilha, prisão que representava o
absolutismo dos reis. Ela foi tomada no dia 14, sendo seus
prisioneiros libertados. A Assembléia aprovou, em 26 de agosto,
a Declaração de Direitos do Cidadão, baseada na célebre Declaração
de Independência Norte-Americana, de quatro de julho de 1776.
A Constituinte, finalmente, promulgou a Constituição Francesa
de setembro de 1791. Em decorrência dessa Constituição, foi
eleita a Assembléia Legislativa onde os Jacobinos, representantes
da pequena e média burguesia e do proletariado, sentavam-se
à esquerda e os Girondinos, representantes da alta burguesia,
à direita. Essa é a origem dos rótulos esquerda e direita.
Vemos que tanto
a direita quanto a esquerda voltavam-se contra o absolutismo
dos reis. Os Girondinos (alta burguesia) defendiam posições
moderadas tentando preservar o poder econômico que haviam
conquistado. Os Jacobinos (pequena e média burguesia e proletariado)
defendiam posições mais radicais em defesa de seus interesses.
Logo foi proclamada a República, em setembro de 1792, e os
Jacobinos findaram assumindo o controle da revolução. Sua
atuação foi, porém, desastrosa. Tentaram dessacralizar o mundo
francês, apedrejando e fechando igrejas e substituindo as
festas religiosas por comemorações da revolução. Assassinaram
milhares de pessoas. A Constituição foi suspensa e foram criados
Tribunais Revolucionários para julgar os traidores da Revolução.
Apenas como exemplo, em 49 dias, Robespierre condenou 1400
pessoas à guilhotina, incluindo o célebre químico Lavoisier
(“na natureza nada se perde, tudo se transforma”). O terror
permaneceu até nove Termidor (o nome do mês de julho – mês
do calor – segundo o calendário revolucionário) do ano de
1794, quando Robespierre foi preso e os Girondinos assumiram
o poder.
Mirando-se nesse
exemplo, a esquerda quase sempre assumiu posições radicais,
assassinando milhões de pessoas onde se estabeleceu, visando
destruir o que existia para criar um novo mundo livre da influência
perniciosa das elites, consideradas culpadas pelos infortúnios
do povo. Basta lembrarmos, Stalin – vinte milhões de mortos,
Mao Tse Tung, O Grande Timoneiro e sua Guarda Vermelha – dez
milhões de execuções, Pol Pot e seu Khmer Vermelho – dois
milhões e, até mesmo, o ditador da pequena ilha, Fidel Castro
– dezessete mil fuzilados no “paredón”. A extrema direita,
por sua vez, também assumiu posições intransigentes na defesa
de seus interesses em detrimento das massas e também causou
milhões de mortes, como no caso de Hitler que matou seis milhões
de Judeus, isso sem considerar sua responsabilidade pelas
mortes ocorridas na Segunda Guerra Mundial. Mas, tudo isso
é coisa do passado.
Atualmente, esquerda
e direita são apenas palavras que designam o posicionamento
dos seres humanos frente às vicissitudes da vida causadas
pelo egoísmo inerente à raça humana. É natural que os menos
aquinhoados desejem progredir; é, da mesma forma, natural
que os que conseguiram construir algo lutem para defender
o produto de seu trabalho e, entre esses dois posicionamentos,
surgem inúmeros aproveitadores que nada produzem, tudo almejam
e interferem politicamente para tirarem proveito de quaisquer
oportunidades encontradas. Eles aliam-se ora à direita, ora
à esquerda, conforme seus interesses e, se pouco fazem em
prol da Nação, de quase tudo são capazes para ampliarem e
manterem o seu poder. Nas páginas que se seguem analisaremos
esse quadro que ora assume proporções suficientes para alarmar
quase todos os brasileiros que acompanham o cenário político.
Atualização feita por
Berta Ataide.
NOTA:
Em e-mail enviado ao nosso Portal, o autor, o Sr. Carlos Hernán
Tercero esclarece que, o presente artigo é apenas parte de
uma idéia mais completa que prossegue nas demais páginas do
site http://www.polestrare.com.br
Sobe
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